Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
10
Nov 16
publicado por samizdat, às 20:57link do post | comentar | ver comentários (1)


 
Activistas contra o regime israelita de ocupação e apartheid lançaram um apelo ao chef de cozinha português José Avillez, dono do restaurante Belcanto em Lisboa, para que este cancelasse a sua participação no evento de culinária em Telavive intitulado Round Tables.

Este apelo insere-se num protesto internacional que juntou mais de 140 organizações de direitos humanos contra a participação no evento de restaurantes gourmet, entre os quais L'Ami Jean em Paris e o Musket Room em Nova Iorque.

Round Tables, a ocorrer este ano entre 6 e 26 de Novembro, é um evento integrante da campanha israelita “Brand Israel”, que tem por objectivo branquear a violenta opressão do povo palestiniano. Descrito pelos seus organizadores como uma ofensiva de “gastro-diplomacia”, ele trouxe chefs de 13 restaurantes internacionais para um cook-in em Telavive patrocinado pelo governo israelita.

Inventado pela American Express, o evento vem branquear entre outros a produção de vinho nos Montes Golã com refeições gourmet preparadas pelos chefs internacionais. Estes ficam hospedados nos Dan Hotels, entre os quais um construído em terra palestiniana roubada na Jerusalém oriental ocupada. A chamada “bolha liberal” de Telavive, onde os chefs estão a cozinhar as suas refeições requintadas, só é possível graças ao muro do apartheid construído por Israel, aos checkpoints e à guetização dos palestinianos, incluindo o cerco medieval de mais de dois milhões de palestinianos em Gaza, que mantém a brutalidade quotidiana da ocupação sem fim à vista.

Os activistas da campanha BDS - Boicote, Desinvestimento e Sanções - denunciam o evento como uma iniciativa que promove a negação dos direitos humanos dos palestinianos pela sua associação com os ministérios israelitas “que usam a cultura e as artes como um meio para desviar a atenção das suas graves violações dos direitos humanos e criar uma imagem positiva da ocupação”.

Os signatários apontam para o “uso da velha tradição de partilhar experiências culinárias como um meio de branquear a violação sistemática dos direitos fundamentais dos palestinianos” e apelam aos chefs para cancelarem a sua participação no evento.

A carta enviada pelas organizações portuguesas* ao chef Avillez apelando para que este “cancele a sua participação na Round Tables patrocinada por colonatos ilegais israelitas que violam os direitos humanos do povo palestiniano" ficou até hoje sem resposta.

Alguns gerentes dos outros restaurantes participantes alegaram não terem tido conhecimento do envolvimento do governo israelita na organização do evento e já ser tarde demais para cancelarem a sua participação. Alguns restaurantes asseguraram que não participarão em futuros Round Table Tours.
O Grupo Gustu da chef Kamilla Seidler retirou o seu restaurante boliviano do evento depois de ter sido contacto pela campanha.

* Os signatários são: Associação Abril, Colectivo Mumia Abu Jamal, Comité de Solidariedade com a Palestina, Conselho Português para a Paz e Cooperação, Grupo Acção Palestina, MPPM - Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, Panteras Rosa - Frente de Combate à Lesbigaytransfobia, SOS Racismo.


02
Out 16
publicado por samizdat, às 22:17link do post | comentar | ver comentários (1)

Um manipulador incansável

O mundo inteiro canta louvores, fala-se dele como um santo ou, pelo menos, um Nelson Mandela. No entanto, ao longo de meio século, Peres foi o mal-amado da política de Israel. “Como é que o percevejo chegou ao topo?”, dizia-se já nos anos sessenta, exprimindo assim o desprezo das elites israelitas por aquele que não fazia parte do aparelho: não cresceu no kibutz, não participou nas aventuras guerreiras dos comandos de Palmach.

 

Até aos dias de hoje, o seu sotaque denunciava a sua exterioridade em relação àqueles que moldaram o Estado hebreu à sua imagem suja. Digamo-lo claramente, Peres fez por merecer a imagem negativa que o acompanhou ao longo da sua carreira: nenhum político israelita soube ser tão oportunista como ele, e fazer da traição uma arte.

 

“Manipulador incansável”, é assim que o descreve nas suas memórias Yitzhak Rabin, que com ele conviveu muitos anos ao leme do Partido Trabalhista. Ele até traiu o seu mentor David Ben Gurion, quando decidiu abandonar o partido Rafi, apercebendo-se que, apesar da aura do seu chefe, este grupo de que foi o impulsionador se mostrava incapaz de pôr fim à hegemonia trabalhista. Tendo retomado o seu lugar na direção trabalhista, sai de novo deste partido, trocando-o pelo Kadima de Ariel Sharon, que também abandona ao pressentir o naufrágio que se aproximava.

 

Mas a sua maior traição foi sem dúvida a traição a Yasser Arafat, que tinha convencido a empenhar-se a fundo no processo de Oslo… que Peres sabota após o assassinato de Yitzak Rabin, não tendo coragem para confrontar aqueles que, ao matarem o primeiro-ministro, puseram um ponto final ao dito processo de paz. Shimon Peres é o único político israelita de primeiro plano que nunca foi eleito pelo povo, ganhando os seus galões (ministro dos Negócios Estrangeiros, ministro da Defesa, primeiro-ministro e finalmente presidente do Estado) nas batalhas de aparelho.

 

Os media locais e internacionais já fazem o balanço da ação política de Shimon Peres: como diretor geral do ministro da Defesa, nos anos sessenta, ele está não só na origem do nuclear israelita, mas também da transformação do Tsahal num exército moderno e eficiente.

 

É aliás graças aos seus estreitos laços com o Partido Socialista de Guy Mollet que ele conseguiu fazer de Israel uma potência militar, simbolizada pelos caças Mirage das empresas de Dassault e as suas performances em junho de 1967. Mas poucos elogios fúnebres falam do massacre de Kana, no Líbano em 1996, preferindo alongar-se sobre o Prémio Nobel da Paz, recebido pelo seu papel nos acordos de Oslo… que sabotará três anos depois.

 

Em seu abono, devemos reconhecer que a biografia de Peres não está contaminada com casos de corrupção, de violações ou assédios sexuais, o que contrasta claramente com a classe política israelita dos dias de hoje.

 

Dito isto, e apesar das coroas de louros que hoje lhe colocam nos quatro cantos do mundo, o antigo presidente do Estado de Israel não terá sido um grande político, mas um politiqueiro manipulador que se tornou um dos grandes mestres do nosso tempo na arte da mentira e da traição.

 

Michel Warschawski é um escritor e jornalista israelita, fundador da Alternative Information Center, uma ONG que junta activistas israelitas e palestinianos contra a ocupação.
Este artigo foi publicado em 29/9/2016 no 
Siné Mensuel
e traduzido do francês por Luís Branco para o esquerda.net: http://www.esquerda.net/artigo/um-manipulador-incansavel/44681


11
Set 16
publicado por samizdat, às 13:06link do post | comentar
Traduzido do original:
 

Palestinian BDS National Committee -- September 8, 2016
 
 
Cadiz, capital provincial da comunidade autónoma da Andaluzia no Estado espanhol, tornou-se o mais recente município a aprovar a moção de apoio ao movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) pelos direitos dos palestinianos e a declarar-se "Zona Livre de Apartheid Israelita".

Com uma população de 120 mil habitantes, Cadiz juntou-se às mais de 50 cidades e vilas espanholas que votaram para declarar-se espaços livres de apartheid israelita. Outros célebres municípios Livres de Apartheid incluem Gran Canaria, Santiago de Compostela, Gijón, Sevilha, Córdoba e Santa Eulália em Ibiza.
 
Inspirada em parte na campanha semelhante realizada durante a luta contra o apartheid na África do Sul, nos anos 1980, a campanha Zona Livre de Apartheid, liderada pela Rede de Solidariedade contra a Ocupação da Palestina (RESCOP), tem por objectivo criar "ilhas de consciência política" e romper laços locais com o regime de ocupação, de colonização e apartheid de Israel, assim como com empresas e instituições internacionais cúmplices das violações do direito internacional por Israel.
 
A campanha, que é apoiada por movimentos sociais, grupos comerciais, escolas, órgãos de comunicação social e instituições públicas do Estado espanhol, criou um mapara indicativo dos espaços livres de apartheid israelita.
 
Ao declararem-se Zonas Livres de Apartheid, as autoridades municipais concordam em boicotar empresas cúmplices das violações do direito internacional e dos direitos dos palestinianos, assim como em romper os laços com o regime israelita e as suas instituições cúmplices. Também apoiam os esforços de consciencialização locais e comprometem-se com políticas conscientes baseadas nos direitos humanos do povo palestiniano.
 
Riya Hassan, coordenador europeu do Comité Nacional de BDS palestiniano (BNC), declarou:
"A campanha Zonas Livres de Apartheid Israelita por todo o Estado espanhol está a inspirar esforços semelhantes noutros países. O facto de essas declarações terem sido votadas por municípios democraticamente eleitos reflecte o apoio crescente ao movimento BDS pelos direitos dos palestinianos, não apenas ao nível das organizações de base, mas também no seio dos governos. Isto acabará por levar a opinião pública a defender as sanções contra Israel até que este país ponha fim à opressão sistemática dos palestinianos".
 
"Os governos locais do Estado espanhol estão a mostrar o caminho com um poderoso modelo de solidariedade para com o povo palestiniano e a sua luta pela auto-determinação. Saudamos todos os autarcas e activistas envolvidos em propor e defender as moções e todos os envolvidos em implementar as zonas livres de apartheid israelita."
 
"Numa altura de crescente déficit democrático no continente europeu, é encorajador vermos como cidadãos estão a integrar a solidariedade com os palestinianos com acções locais para promover a justiça social, económica e ambiental".
 
 
Ataques a um movimento pela liberdade, justiça e igualdade
 
O crescente apoio público ao movimento BDS pelos direitos humanos dos palestinianos levou Israel e os seus aliados a lançarem um ataque inédito, consistente e anti-democrático contra todos os que aspiram a que Israel tenha de prestar contas perante o direito internacional e as resoluções da ONU, em particular através da divulgação da BDS.

Os ataques patrocinados por Israel contra o movimento BDS têm como objectivo pressionar os governos e parlamentos a travar as acções cívicas e a adoptar medidas repressivas que a longo prazo espezinham as liberdades cívicas e políticas dos seus próprios cidadãos.

No Estado espanhol, tentativas de silenciar o movimento BDS, em particular a um nível institucional, têm sido lideradas pelo ACOM, um grupo de lobby pró-israelita sediado em Madrid.
 
A ACOM lançou uma quantidade de acções legais contra os municípios que se declararam Zonas Livres de Apartheid.
 
No entanto, a estratégia de intimidação da ACOM não tem tido êxito. Os municípios visados têm defendido o resultado democrático dos votos, e tribunais informados, como o Tribunal Administrativo de Gijon, recusaram aceitar as queixas da ACOM.
 
Acções legais semelhantes foram interpostas contra municípios do Reino Unido pelo chamado Observatório Judeu dos Direitos Humanos (Jewish Human Rights Watch), um grupo de lobby sediado em Londres. Também aí, o Tribunal Supremo do RU rejeitou as queixas e pronunciou-se a favor das três autarquias que aprovaram resoluções de apoio a boicotes contra a ocupação israelita.
 
A RESCOP comentou numa declaração:

"É intolerável que uma entidade estrangeira que defende um sistema de apartheid, como a ACOM, interfira na soberania democrática dos nossos municípios, ditando-nos o que devemos votar a favor ou contra e impedindo as nossas instituições de se comprometerem com os direitos humanos."
 
Esta última decisão da cidade de Cadiz de se juntar à vaga inspiradora de outras cidades e vilas espanholas declarando-se zonas livres de apartheid israelita é um sinal de que cidadãos e representantes eleitos não estão intimidados pelas ameaças judiciais da ACOM.
 
"Ao apoiarem o movimento BDS pelos direitos dos palestinianos e ao escolherem não se envolverem com instituições e empresas directamente envolvidas nos monstruosos crimes de Israel contra o povo palestiniano, as pessoas de consciência e as autarquias pela Espanha fora estão a dar um passo concreto para fazer com que Israel seja responsabilizado pelos seus crimes contra o povo palestiniano", concluiu Riya Hassan.
 
 
 
LISTA DAS ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS DECLARADAS ELAI E / OU ADERENTES À BDS NO ESTADO ESPANHOL (até 11 de agosto 2016)
 
Andaluzia
Diputación de Sevilla
Ayuntamiento de La Roda
Ayuntamiento Castro del Río
Ayunamiento de Montoro
Ayuntamiento de Mairena del Aljarafe
Ayuntamiento Los Corrales
Ayuntamiento Alhaurín de la Torre
Ayuntamiento de Campillos
Ayuntamiento de Casares
Diputación de Córdoba
Ayuntamiento de Velvez-Málaga
Ayuntamiento de San Roque
Ayuntamiento de San Fernando

Catalunha
Ajuntament de Artés
Ajuntament de Sant Pere de Ruidebitlles
Ajuntament de Molins de Rei
Ajuntament de Sant Cebriá de Vallalta
Ajuntamnet de Badalona
Ajuntament de Sant Celoni
Ajuntament de Ripollet
Ajuntament de Sant Feliu de Llobregat
Ajuntament de Abrera
Ajuntament de Sant Boi de Llobregat
Ajuntament de Terrasa
Ajuntament de Olesa de Montserrat
Ajuntament de Sant Adrià de Besòs
Ajuntament de Sant Quirze del Vallès
Ajuntament de Barberá del Vallès
Ajuntament de Viladamat

Madrid
Ayuntamiento de Navalafuente
Ayuntamiento de Rivas-Vaciamadrid

Astúrias
Ayuntamiento de Corvera
Ayuntamiento de Castrillón
Ayuntamiento de Gijón
Ayuntamieno de Llangreu
 
Galiza
O Concello de Compostela
Concello de Oleiros
Islas Canarias
Cabildo de Gran Canaria
Ayuntamiento de Telde

Aragão
Ayuntamiento de Sabiñánigo

Valencia
Ajuntament de Alcoi
Ajuntament de Muro
Ajuntament de Onda
Ajuntament de Concentaina
Ajuntament de Catarroja
Ajuntament de Xeraco
Ajuntament de Benlloch
Ajuntament de Petrer

Castilha e Leão
Ayuntamiento de Viloria del Henar

Baleares
Ajuntament de Santa Eulàlia

26
Ago 16
publicado por samizdat, às 09:55link do post | comentar

A ministra da Justiça portuguesa anunciou a saída do projeto  financiado pela UE, em parceria com o Ministério de Segurança Pública Israelita, a Polícia Nacional Israelita e a Universidade de Bar Ilan. O projeto de lei TRAIN, que visava unificar as metodologias de interrogatório policial, tem gerado controvérsia em Portugal por causa da oposição à participação de Israel no Horizon 2020, programa europeu de investigação e inovação, devido aos abusos dos direitos humanos perpretados pelas entidades israelitas.

O governo português cedeu à forte pressão de grupos da sociedade civil que fazem campanha pelo fim da cooperação de Israel. Partidos políticos denunciaram no parlamento a rotina de tortura diária por parte da polícia israelita e o papel do ministro da segurança pública na detenção ilegal de milhares de prisioneiros politicos palestinianos em prisões israelitas.

Jamal Juma o coordenador do Stop the Wall, membro da organização palestiniana Comité Nacional de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), louvou a decisão de princípio do governo de centro esquerda português.

 

"Esta decisão por Portugal dá esperança ao nosso povo e envia uma forte mensagem a Israel de que não irá haver normalidade nos negócios enquanto continuar a agressão militar contra Gaza e a repressão na Cisjordânia. Este projeto europeu dá reconhecimento tácito do controlo e repressão de Israel sobre o povo palestiniano, e fecha os olhos ao notório abuso israelita de palestinianos que incluem uma rotina de tortura como "técnica de interrogatório". 

 

 

O projeto de cinco milhões visa desenvolver tecnologia para unificar a metodologia interrogatórios policiais pela " melhoria das competências de interrogatório" e fazer a ponte com os denominadas "disparidades de cultura, legislação e estilo de interrogatório". As forças policiais envolvidas irão contribuir com a sua "experiência em interrogatório e luta ao crime para desenvolver o sistema". O ministro da Segurança Pública e a polícia israelita são acusados pela ONU e por organizações dos Direitos Humanos de levar a cabo práticas de detenção ilegal,  o uso de tortura como rotina nos interrogatórios e o uso excessivo da violência contra protestantes palestinianos. 

 

O serviço federal público da justiça da Bélgica e a o ministério do interior espanhol (Guardia Civil), empresas privadas, universidades, institutos de investigação permanecem envolvidos em projectos parte do programa europeu de pesquisa Horizon 2020. Grupos activistas em Espanha e na Bélgica juraram continuar a fazer campanha para acabar com o projecto depois da sua última vitória.

 

Agradecemos às associações portuguesas e aos partidos políticos que trabalharam em conjunto connosco para construir uma efectiva solidariedade baseada no apelo do BDS Boicote, Desinvestimento e Sanções, e assegurar que não existe risco de proliferação de práticas ilegais israelitas e tratamento desumano neste projecto, e para o sistema de justiça português”, afirmou Juma.

 

Uma coligação sem precedentes de grupos de solidariedade, organizações de direitos humanos e campanhas anti-racismo, assim como a Associação 25 de Abril, reuniram-se após o relatório de Stop the Wall que expôs a cooperação e as suas consequências para os direitos humanos e a liberdade dos palestinianos. O Partido Comunista Português e o Partidos dos Verdes pressionaram a ministra da Justiça sobre o assunto.

 

O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM), que iniciou a coligação de associações na sociedade civil contra o projecto, declarou:

Congratulamos a decisão da Ministra da Justiça de pôr termo à participação da polícia portuguesa no projecto do LAW TRAIN. A saída do projecto por parte do governo é uma vitória para todas as forças que na Palestina, em Portugal e na Europa pediram o fim do projecto de cooperação com aparato de repressão israelita.”

 

Esta notícia surge enquanto Bilal Kayed, um palestiniano de 34 anos, continua a sua greve de fome desde junho de 2015. Estão actualmente mais de 7000 palestinianos em prisões israelitas, muitos deles detidos sem acusação. O comité da ONU contra a Tortura, em maio deste ano, exortou Israel a proibir a tortura e a denunciar as práticas contínuas de tortura e maus tratos nos interrogatórios. Organizações de Direitos Humanos sublinharam o particular tratamento brutal contra menores palestinianos.  

 

Riya Hassan, coordenadora europeia do BNC concluiu:

Esta última vitória é outro sinal de que os governos europeus estão a consciencializar-se da problemática de ter Israel como parceira em projectos que arriscam minar liberdades básicas, a democracia e os direitos humanos. Ainda existe um grande caminho a percorrer para acabar com a cumplicidade da Europa com o Apartheid israelita. O próprio LAW TRAIN continua com os restantes participantes e é apenas um dos muitos projectos militares e de segurança financiados pela Comissão Europeia com o dinheiro dos contribuintes.”


23
Ago 16
publicado por samizdat, às 14:53link do post | comentar
Os fãs do Celtic de Glasgow juntaram, em 24 horas, o dobro do valor esperado da multa da UEFA por terem enchido o seu estádio de bandeiras da Palestina num jogo contra uma equipa israelita, a semana passada | bit.ly/2bHzu9O
 

A campanha de recolha de fundos foi lançada com a hashtag ‪#‎matchthefineforpalestine‬ e foi anunciado que o que sobrar após o pagamento da multa irá para ajuda médica para o povo palestiniano e para o Centro Lajee, um centro palestiniano para crianças no Campo de Refugiados de Aida, em ‪#‎Belém‬. O campo de Aida vive na sombra do Muro do Apartheid Israelita, e quem lá vive vê o seu acesso a oportunidades sociais e económicas vedado pelo muro, pelos colonatos vizinhos e pelos checkpoints militares. Lá, "não há equipas de futebol organizadas, e falta equipamento básico como sapatilhas. Os fundos angariados vão providenciar equipamento, faixas e viagens que permitam ao campo entrar com uma equipa na Liga Jovem de Belém."

Responsáveis do campo de Aida agradeceram o gesto dos fãs do Celtic e de pessoas por todo o mundo e anunciaram que vão chamar à equipa 'Aida Celtic'.

O Celtic de Glasgow volta a defrontar o Hapoel Be'er Sheva amanhã, desta vez em Israel. A polícia israelita já avisou que quem mostrar bandeiras palestinianas no estádio será preso.

 

Fonte: Guilhotina.info

 

Veja aqui o vídeo da acção do Celtic:

https://video-mad1-1.xx.fbcdn.net/v/t42.1790-2/14123239_327622184242363_1658154980_n.mp4?efg=eyJ2ZW5jb2RlX3RhZyI6InN2ZV9zZCJ9&oh=888015abd615fa0a96032af46d291ba6&oe=57BC8BD8


17
Ago 16
publicado por samizdat, às 17:10link do post | comentar

O mito do “florescimento do deserto” esconde desde há muito tempo a ocupação e a degradação por Israel dos recursos naturais palestinianos.

Susan Abulhawa, Middle East Eye

 

 

 

Scientific American publicou recentemente uma reportagem sobre a indústria da dessalinização de Israel, elogiando uma proeza milagrosa resultante da engenhosidade de uma pequena nação entalada no meio de nações agitadas e retrógradas.

 

Para citar a prosa romanceada do artigo, o autor descreve Israel como “uma civilização galvanizada que criou a água a partir do nada”, no lugar onde apenas a alguns quilómetros mais longe – aludindo à Síria e ao Iraque em particular, mas também às nações árabes em geral -, “a água desapareceu e as civilizações se desfizeram”.

 

É surpreendente ler uma publicidade tão flagrante da excepcionalidade israelita e da ressurreição enganadora da mitologia do “florescimento do deserto” nas páginas de Scientific American. É importante introduzir os factos, a história e a realidade neste conto de fadas aquático.

 

O autor atribui sem vergonha 900 anos de história palestiniana a Israel. Na realidade, Israel é um país criado há 68 anos por imigrantes judeus europeus que conquistaram a Palestina, expulsaram a maioria da população indígena e reivindicaram todas as suas terras, mas também as suas quintas, casas, comércios, bibliotecas e recursos.

 

Para além desta apropriação gratuita da história palestiniana, o artigo não fornece o contexto histórico do clima, precipitações e recursos naturais de água, dando a impressão de se tratar de uma terra árida naturalmente inóspita.

 

Na verdade, ao longo da história, o norte da Palestina gozou de um clima mediterrânico com verões quentes e secos e precipitações abundantes no inverno. E, na realidade, as precipitações em Ramallah são superiores às de Londres, assim como as precipitações em Jerusalém.

 

A metade sul da Palestina torna-se desértica à volta do distrito de Beersheba, onde o deserto do Naqab se desenvolve até à ponta da Palestina. No momento em que Israel foi criado, os palestinianos cultivavam já em permanência 30% das terras do seu país. Excluindo o distrito de Beersheba, este número sobe para uma média de 43%, atingindo 71% em Gaza.



A gestão da água ao serviço do colonialismo

 

O regime hidráulico de Israel funciona em sinergia num contexto mais amplo de exclusividade judaica e de negação palestiniana. É hipócrita separar os dois no debate, na medida em que uma grande parte da crise actual da água é directamente e indirectamente imputável à inversão pelo sionismo desta organização sustentável da sociedade e da agricultura indígenas do território.

 

O desvio por Israel da água dos rios e dos seus afluentes começou em força durante o seu primeiro ano de existência, forçando a natureza a sofrer mudanças não naturais com vista a seguir uma ideologia que entrava em conflito com o terreno local.

 

Ignorando a incompatibilidade ecológica de plantar culturas exóticas e exigentes em água para alimentar os palácios europeus e irrigar o deserto extraindo com sifões a água dos vizinhos, dos moradores locais e da biodiversidade local, a bombagem excessiva e o desvio de água para servir os colonatos sionistas segundo normas europeias não sustentáveis prepararam o terreno para uma multitude de catástrofes ambientais por toda a Palestina.

 

Por exemplo, embora Israel propague uma percepção de práticas agrícolas engenhosas (através de discursos de relações públicas que fazem a publicidade da excepcionalidade judaica, como aquele presente no artigo do Scientific American), a agricultura exótica de Israel foi na realidade destruidora para o equilíbrio ecológico da Palestina. Ao consagrar 80% da água disponível à agricultura, que representava menos de 3% da economia israelita, Israel continuou a sugar os recursos de água para fazer avançar o programa colonial sionista, uma contradição ecológica do ponto de vista do meio ambiente local.



Os palestinianos privados da sua água

 

A colonização foi acompanhada simultaneamente pela negação e exclusão da sociedade palestiniana indígena. Ao mesmo tempo que organizava o roubo em grande escala das riquezas e dos bens dos palestinianos, Israel começou a destruir a vida palestiniana, no centro da qual se encontrava a agricultura palestiniana, que dependia das culturas não irrigadas como a oleicultura.

 

Com este fim, o domínio total de Israel sobre o conjunto da água da Palestina permitiu-lhe continuar a condenar à sede e colocar de joelhos os palestinianos. A inevitável distribuição racista da água foi amplamente demonstrada em relatórios incisivos de organizações locais e internacionais.

 

O artigo afirma que Israel alimenta os palestinianos em água, ignorando o facto crucial de que essa água pertence em primeiro lugar aos palestinianos. A água doce é bombeada de um aquífero de montanha que passa por baixo das aldeias e dos territórios palestinianos para alimentar os colonatos israelitas. Uma pequena fracção dessa água é em seguida vendida aos palestinianos, geralmente a preços muito mais elevados que para os colonatos judeus na mesma zona.

 

Enquanto que os colonos judeus consomem mais de cinco vezes mais água, gozando de relvados verdejantes e de piscinas privadas, o acesso dos palestinianos à água é variável, por vezes descontinuo durante semanas ou meses, ou até completamente recusado. Não é raro que aldeias inteiras sejam privadas de agua potável, sem falar do que isso significa para a agricultura palestiniana.



A água de superfície extraída com sifão

 

Uma olhada na gestão da água de superfície traz um outro exemplo da destruição do potencial hidráulico da Palestina por Israel. O Nahr al-Auja, rebaptizado Yarkon por Israel, era um rio de costa vigoroso, cheio de peixes e com abundante fauna, da qual algumas espécies não existem em nenhum outro lado.

 

Com nascente na aldeia palestiniana de Ras al-Aïn, ele foi descrito num guia de viagem datado de 1891 como “um rio uivante que ziguezagueia até acabar no mar […] A sua potência faz rodar os moinhos e os pequenos peixes podem aí ficar enredados”. Em apenas uma década de gestão israelita da água palestiniana, esse rio fonte de vida ficou reduzido a um fio de águas residuais. A sua água foi extraída e substituída por uma lama tóxica composta de poluentes industriais e domésticos que, em 1997, corroeu os pulmões e os órgãos vitais de atletas que participavam nas Macabíadas e caíram ao rio quando uma ponte se desmoronou.

 

Um dos primeiros projectos hidráulicos de Israel quando da sua conquista do acesso ao rio Jordão, foi de começar a desviar a água dos seus vizinhos, incitando a Síria e a Jordânia a fazer o mesmo para preservar a sua própria parte da água regional. Várias décadas mais tarde, o nível de água é tão fraco que o Jordão já não pode realimentar o Mar Morto. A descida do nível de água deste, associada às “bacias de evaporação” de Israel que lhe permitem extrair os minerais e outras actividades industriais, criou uma catástrofe ecológica jamais observada antes na Palestina.

 

Nos anos 1950, Israel esgotou as zonas húmidas palestinianas da Houla, um tesouro de biodiversidade do Médio Oriente, para criar colonatos judeus. Centenas de projectos coloniais desvalorizaram imensamente a rica diversidade biológica e geográfica que prosperava nesse terreno onde três continentes se encontram.



Um milagre israelita?

 

Assim, ao mesmo tempo que ignora a história da degradação pelo sionismo do meio ambiente palestiniano e do papel central de Israel na génese da actual crise da água, o artigo da Scientific American prepara o terreno para explicar o milagre deste abastecimento de água doce a baixo custo, discreto e aparentemente ilimitado. Para ser franca, este relato tem tanto a ver com um mito como o de “uma terra sem povo para um povo sem terra” ou o do Pai Natal, das suas renas e da sua fábrica de brinquedos no Polo Norte.

 

Se a dessalinização mostra ser com efeito prometedora e portadora de várias vantagens, esse procedimento está longe de ser milagroso e nem sequer é uma excepção no Médio Oriente, já que nações do Golfo sofrendo desafios ligados à água empregam técnicas de dessalinização desde há um tempo para cá.

 

Pela nossa experiência aqui e noutros lados, sabemos que a dessalinização tem custos ambientais importantes e riscos sanitários graves, incluindo os sub-produtos da poluição e os gases com efeito de estufa. Não se sabe se a tarifa de 0,58 dólares por metro cúbico inclui o custo da poluição ou o custo das grandes e preciosas extensões de terras litorais que têm de ser exploradas para a infraestrutura de dessalinização. Da mesma maneira, não se mencionou a devastação conhecida e previsível da vida marinha local através das alterações físicas e químicas do meio ambiente inerentes aos processos de dessalinização.



A informação honesta

 

Nas últimas duas décadas, os ecologistas israelitas trabalharam para despertar a sua sociedade perante a amplitude da destruição do mundo natural local e os seus esforços, associados à legislação e às regulamentações, começaram a atenuar alguns dos efeitos nocivos da conquista israelita, da colonização e das alterações forçadas da ecologia e da geografia.

 

No entanto, não é uma cura fácil na medida em que as políticas fundadoras israelitas, nascidas do imaginário colonial do colono branco, já quase dizimaram a organização sustentável da civilização e da ecologia indígenas da Palestina.

 

É irresponsável e hipócrita continuar a promulgar o mito romanceado da excepcionalidade de Israel, elevando-o ao nível de Estado com engenhosidade única e escolhido para dirigir e inspirar. O verdadeiro génio reside na manipulação audaz que esconde os fracassos económicos, ambientais e sociais de Israel e a sua destruição indizível da vida indígena, simultaneamente humana e não humana.

 

Scientific American deveria antes apresentar-nos investigações com impacto e uma informação honesta sobre a quantidade de desafios ambientais aos quais está confrontada a humanidade, em particular no Médio Oriente, numa época em que o tamanho da população e a poluição são sem precedentes, as guerras são abissais e os recursos se esgotam, em vez de fazer a promoção de um conto de fadas auto-glorificante de um Estado colonialista.


Susan Abulhawa é escritora e romancista. O seu último romance intitula-se O azul entre o céu e o mar (Denoël, 2016).

 

Traduzido pelo Comité de Solidariedade com a Palestina a partir da versão francesa publicada em:

 

http://www.france-palestine.org/Le-dessalement-miraculeux-d-Israel-le-Pere-Noel-et-autres-contes-de-fees


19
Mai 16
publicado por samizdat, às 11:46link do post | comentar

O Comité de Solidariedade com a Palestina escreve-lhe para pedir-lhe que cancele o seu concerto em Ashdod no dia 8 de junho, respondendo assim ao apelo da maioria da sociedade civil palestiniana e do mundo das artes para o boicote cultural a Israel até que este Estado respeite os direitos do povo palestiniano e o direito internacional.

Ao responder a este apelo, juntar-se-á ao crescente número de cantores e músicos que nos últimos anos têm recusado convites ou cancelado concertos que os associam à política de ocupação israelita, tais como Elvis Costello, Lauryn Hill, Gill Scott-Heron, Roger Waters, Pete Seeger Sting, Bono, Snoop Dog, Jean Luc Godard, Joan Manuel Serrat, Faithless, Gill Scott-Heron, Pixies, Gorillaz, Dulce Pontes, Sara Tavares, Sound System e muitos outros.

Assim como outras iniciativas culturais, o Estado de Israel usa o Festival Mediterrâneo de Ashdod para transmitir ao mundo a imagem de um Estado normal, progressista, tentando assim legitimar a sua presença no seio da comunidade internacional de artistas e intelectuais, não obstante prosseguir obstinadamente com a limpeza étnica, a discriminação e a negação do direito dos palestinianos à autodeterminação.

Pedimos-lhe que negue este protagonismo ao Estado de Israel, até que este reconheça aos palestinianos o seu direito à liberdade, à igualdade e à justiça. Apelamos a que reflicta sobre as implicações éticas de aceitar esta prova de reconhecimento dum Estado colonial de apartheid e que, em consequência, cancele a sua participação no Festival.

Enquanto lhe escrevemos, Israel continua a construção de colonatos ilegais exclusivamente judeus em Jerusalém e em toda a terra palestiniana ocupada, à custa da confiscação de terras palestinianas e da destruição de cada vez mais casas, prosseguindo a instalação de infraestruturas de separação como estradas, bloqueios e o infame muro do apartheid, declarado ilegal pelo Tribunal Internacional de Justiça da Haia em 2004. Também os imigrantes africanos a viver em Israel têm sido alvo de uma perseguição racista feroz e não raras vezes assassina.

Acreditamos que nem a violência colonial sobre um povo ocupado nem a violência racista sobre os trabalhadores que emigram a deixem indiferente.

Perante o permanente desprezo de Israel pelo direito internacional e os direitos mais básicos do povo palestiniano, o tipo de solidariedade que esperamos de pessoas de consciência pelo mundo fora é o de responderem ao apelo de Boicote-Desinvestimento-Sanções contra Israel e as suas instituições cúmplices, feito por dezenas de organizações palestinianas em 2005, tal como fizeram artistas e escritores durante a luta contra o apartheid sul-africano.

Em solidariedade,

o Comité de Solidariedade com a Palestina

 


publicado por samizdat, às 11:40link do post | comentar

O Comité de Solidariedade com a Palestina escreve-lhe para pedir-lhe que cancele o seu concerto em Jerusalém no dia 2 de junho, respondendo assim ao apelo da maioria da sociedade civil palestiniana e do mundo das artes para o boicote cultural a Israel até que este Estado respeite os direitos do povo palestiniano e o direito internacional.

Ao responder a este apelo, juntar-se-á ao crescente número de cantores e músicos que nos últimos anos têm recusado convites ou cancelado concertos que os associam à política de ocupação israelita, tais como Elvis Costello, Lauryn Hill, Gill Scott-Heron, Roger Waters, Pete Seeger Sting, Bono, Snoop Dog, Jean Luc Godard, Joan Manuel Serrat, Faithless, Gill Scott-Heron, Pixies, Gorillaz, Dulce Pontes, Sara Tavares, Sound System e muitos outros.

Estado de Israel usa as iniciativas culturais como aquela onde vai actuar para transmitir ao mundo a imagem de um Estado normal, progressista, tentando assim legitimar a sua presenças e músicos que nos últimos anos têm recusado convites ou cancelado concertos que os associam à política de ocupação israelita, tais como Elvis Costello, Lauryn Hill, Gill Scott-Heron, Roger Waters, Pete Seeger Sting, Bono, Snoop Dog, Jean Luc Godard, Joan Manuel Serrat, Faithless, Gill Scott-Heron, Pixies, Gorillaz, Dulce Pontes, Sara Tavares, Sound System e muitos ou no seio da comunidade internacional de artistas e intelectuais, não obstante prosseguir obstinadamente com a limpeza étnica, a discriminação e a negação do direito dos palestinianos à autodeterminação.

Pedimos-lhe que negue este protagonismo ao Estado de Israel, até que este reconheça aos palestinianos o seu direito à liberdade, à igualdade e à justiça. Apelamos a que reflicta sobre as implicações éticas de aceitar esta prova de reconhecimento dum Estado colonial de apartheid e que, em consequência, cancele a sua participação em Jerusalém.

Em 2009, a polícia israelita atacou o Teatro Nacional Palestiniano e cancelou a abertura do Festival Palestiniano de Literatura. O Freedom Theatre foi destruído vezes sem conta e, em Julho de 2009, o seu director artístico, Nabil AlRaee, foi detido em sua casa a meio da noite. Estes são apenas alguns exemplos de como Israel impede os palestinianos sob ocupação de celebrar a sua cultura. Artistas palestinianos são muitas vezes impedidos de viajar para fora dos territórios onde vivem. Os seus fãs palestinianos serão impedidos de assistir ao seu espectáculo, caso o mantenha.

Enquanto lhe escrevemos, Israel continua a construção de colonatos ilegais exclusivamente judeus em Jerusalém e em toda a terra palestiniana ocupada, à custa da confiscação de terras palestinianas e da destruição de cada vez mais casas, prosseguindo a instalação de infraestruturas de separação como estradas, bloqueios e o infame muro do apartheid, declarado ilegal pelo Tribunal Internacional de Justiça da Haia em 2004. Também os imigrantes africanos a viver em Israel têm sido alvo de uma perseguição racista feroz e não raras vezes assassina.

Acreditamos que nem a violência colonial sobre um povo ocupado nem a violência racista sobre os trabalhadores que emigram a deixem indiferente.

Perante o permanente desprezo de Israel pelo direito internacional e os direitos mais básicos do povo palestiniano, o tipo de solidariedade que esperamos de pessoas de consciência pelo mundo fora é o de responderem ao apelo de Boicote-Desinvestimento-Sanções contra Israel e as suas instituições cúmplices, feito por dezenas de organizações palestinianas em 2005, tal como fizeram artistas e escritores durante a luta contra o apartheid sul-africano.

Em solidariedade,

o Comité de Solidariedade com a Palestina


17
Mai 16
publicado por samizdat, às 23:18link do post | comentar

Todos os anos, a 15 de maio, se comemora a Nakba, a catástrofe que se abateu sobre o povo palestiniano quando foi criado o Estado de Israel nas suas terras. Miko Peled, escritor israelita, defensor da BDS, escreveu neste dia o artigo que traduzimos a seguir.

Texto original em: http://ahtribune.com/history/904-nakba-day.html

 

Nakba Day f9858

 

Reflexões sobre o Dia da Nakba: 68 anos de violação e pilhagem sionista na Palestina


Sessenta e oito anos depois da ocupação da Palestina as pessoas começam a referir-se à violação e à pilhagem sionistas da Palestina como um “conflito”. É o “conflito israelo-palestiniano” ou a “questão” israelo-palestiniana; alguns até lhe chamam de “disputa” e outros de “problema”. O meu amigo Dr. Mads Gilbert disse-me recentemente que se alguém na Noruega se referisse à ocupação alemã da Noruega como um “conflito” ou “disputa”, seria expulso da sala. Espero que isso se torne verdade em França ou na Bélgica e até na ilha de Jersey. Ninguém se referirá à ocupação alemã, para não mencionar as políticas alemãs para com os judeus sob o regime nazi, como um conflito. No entanto, ao falarem da Palestina ocupada, onde a limpeza étnica e o genocídio têm sido realidade desde há 68 anos, as pessoas muitas vezes abstêm-se de usar o termo ocupação – sobretudo relativamente a 1948, quando a parte do leão da Palestina foi ocupada.


Há duas coisas que não estamos autorizados a dizer sobre a Nakba palestiniana. Duas coisas que a sociedade ocidental “civilizada” acha pouco educadas. A primeira é comparar ou simplesmente justapor a experiência judaica sob o regime nazi à experiência palestiniana sob o regime sionista. A segunda é afirmar que a experiência palestiniana é um genocídio lento e metódico. Portanto, vou já pedir desculpa por quebrar as regras da sociedade civilizada e vou tratar já aqui destas duas questões. Os judeus da Alemanha e das partes da Europa que foram ocupadas pela Alemanha sofreram com as políticas nazis de racismo e extermínio físico desde o momento em que Hitler chegou ao poder em 1933 até à derrota da Alemanha em 1945. Os palestinianos têm vivido sob as políticas sionistas de apartheid, limpeza étnica e lento genocídio desde 1948 e não se vê um fim à vista. É verdade que o plano nazi de exterminar os judeus era rápido, violento e muito eficaz, e felizmente os nazis foram derrotados e o genocídio terminou. Também é verdade que as políticas sionistas não reflectem as da Alemanha nazi e a matança dos palestinianos não tem sido tão horrenda. Ao mesmo tempo, as famílias de Gaza que perderam os seus entes queridos em bombardeamentos israelitas indiscriminados, e milhões de refugiados palestinianos que estão aprisionados em campos devem achar essas diferenças irrelevantes.


Caso haja alguma dúvida de que o que o regime sionista na Palestina, isto é, Israel, está a fazer é genocídio, o artigo 2º da Convenção das Nações Unidas sobre genocídio pode clarificar as coisas. Ele define o genocídio como um dos seguintes actos cometidos com a intenção de destruir, totalmente ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. O artigo 3º estabelece quem pode ser punido pelo crime de genocídio.


Artigo IIº: Na presente Convenção, genocídio significa qualquer dos actos cometidos com intenção de destruir, totalmente ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, tal como:
(a) matar membros do grupo;
(b) causar danos graves físicos ou mentais a membros do grupo;
(c) infligir deliberadamente ao grupo condições de vida calculadas para levar à sua destruição física totalmente ou em parte;
(d) impor medidas com a intenção de evitar nascimentos dentro do grupo;
(e) transferir pela força crianças de um grupo para outro.

Artigo IIIº: Os seguintes actos serão punidos:
(a) genocídio;
(b) conspiração para cometer genocídio;
(c) incitamento directo e público para cometer genocídio;
(d) tentativa de cometer genocídio;
(e) cumplicidade em genocídio.


Durante os últimos sessenta e oito anos, Israel tornou a sua intenção mais que evidente através das suas acções em relação aos palestinianos, e três dos actos do Artigo 2º e todos os do Artigo 3º se aplicam a Israel. Na realidade, tudo o que no artigo 3º se refere à Palestina também se aplica aos EUA, Reino Unido, França, Alemanha e vários outros  países europeus.


A saga “Tempos de Cavalos Brancos”, de Ibrahim Nasrallah, que conta as histórias de uma Palestina que já não existe, e as obras de Walid Khalidi e Salman Abu Sitta que recorda as cidades, vilas e aldeias que foram destruídas ainda vivem nos corações dos palestinianos em todo o mundo, e permitem-nos apreciar o que lá existia antes da invasão sionista. Não era uma terra sem povo, não era um deserto feito para ser desabrochado por judeus, mas sim um país de uma diversidade rica, que foi um lar para uma nação viva e próspera feita de agricultores e intelectuais, escritores e políticos, negociantes e construtores.


Este ano, a comunidade palestiniana realizou eventos do dia da Nakba e manifestações em todo o país, comemorando a Nakba nas localidades onde foram destruídas aldeias em 1948. Os palestinianos levavam bandeiras da Palestina, o que, dentro das fronteiras de 1948, é algo de notável. E num caso, em Eljalil, a bandeira de Israel foi arrancada numa esquadra de pFoto do massacre de Deir Yassim, em 1948, onde foram assassinados 200 palestinianosolícia e a bandeira palestiniana foi colocada no seu lugar. Milhares de pessoas assistiram a um evento no Negev, onde a aldeia de Wadi Zubala existiu até 1948. Os moradores de Wadi Zubala foram para as colinas do sul de Hebron na Cisjordânia, que nesse tempo estava fora da jurisdição israelita. Lá, eles compraram terras e estabeleceram-se em Um Hiran onde vivem desde então. Agora, colonos judeus tomaram as suas terras em Um Hiran, forçando-os a sair das suas terras pela segunda vez.


“O velho morrerá e o jovem esquecerá”, é o que os dirigentes sionistas dizem uns aos outros. Mas isto é apenas uma fantasia. Os velhos morrem, infelizmente é como anda o mundo, mas os jovens palestinianos recordam. Não há muito tempo, assisti a uma conferência sobre a Palestina em Chicago. Como é frequente no caso de conferências às quais muçulmanos e árabes assistem, havia muitas, muitas crianças pequenas presentes. É uma das alegrias de participar em tais conferências. Durante uma pausa, alguns amigos e eu sentámo-nos na sala do hotel e olhámos as crianças a brincar. Quando perguntámos a essas crianças, que tinham todas nascido nos Estados Unidos e muitas das quais tinham pais nascidos nos Estados Unidos, de onde é que elas eram, as respostas surgiram depressa e sem hesitação. Entre as suas respostas estavam Yaffa, Haifa, Isdud, Akka, Yibne, etc. Tanto para esquecer.


O meu amigo Nader Elbanna diz sempre, “A Nakba é muito mais do que perder a terra e a casa”. Fadwa, a minha cara metade, coloca a questão da Nakba em termos muito crus:
“Eu quero o meu país de volta, e quero que o meu pai tenha a sua dignidade de volta antes que ele morra. E depois de tudo o que eles nos fizeram e continuam a fazer-nos, os judeus nunca serão bem-vindos aqui." O pai dela tem 85 anos, é um estudioso e um educador. "Por ele se ter recusado a trabalhar com o Yahud, não pôde trabalhar de todo", disse-me ela.  Ele recusou-se a colaborar com a polícia secreta israelita, a Shabbak, e então, com 40 anos, perdeu o emprego como director de escola e nunca mais conseguiu outro emprego.  Para além do genocídio, da limpeza étnica e da morte e destruição, para além da humilhação e dos anos de sofrimento que nenhuma indemnização ou restituição poderá alguma vez compensar, há um aspecto profundamente pessoal na Nakba.  Todo o palestiniano foi tocado por isto e cada um tem uma história pessoal, comovente. E ainda há um fio comum entre as inúmeras histórias: não existe nenhuma disputa, nenhum conflito, apenas um povo que muito simplesmente quer o seu país de volta.

 

68 years ago today - The Deir Yassin Massacre Israel forces murder 200 Palestinians including women and children

Foto do massacre de Deir Yassim, em 1948,

onde foram assassinados 200 palestinianos


16
Mai 16
publicado por samizdat, às 11:41link do post | comentar

Le        chef d'état-major adjoint de Tsahal, Yaïr Golan, est sur la        sellette après ses propos sur la société israélienne. ©        NEWSCOM/SIPA

 

[…]

 

Racismo e insubordinação dos soldados

 

Foi no passado mês de fevereiro que começou esta ofensiva da direita contra os responsáveis militares. O chefe do Estado-Maior, general Eizenkot, tinha então explicado a alunos do secundário: “Não podemos agir segundo slogans do tipo: Se alguém quer matá-lo, mate-o primeiro. Eu não quero que um soldado descarregue a sua metralhadora sobre uma rapariga de treze anos que o ameaça com uma tesoura”. Vários deputados e ministros reagiram vivamente, qualificando as palavras de Eizenkot de verdadeira “heresia”. “Um militar ameaçado, diziam alguns, deve poder atirar sem hesitar sobre o seu agressor”. As coisas agravaram-se ainda mais com o caso do soldado de Hebron que, no dia 24 de março, executou um assaltante palestiniano, estendido no chão depois de ter ferido um militar com uma faca. A decisão de deter o soldado e de o levar a um tribunal de guerra foi condenada por uma vasta maioria da opinião pública israelita.

Para o professor Yagil Levy, especialista em sociologia política, o chefe do Estado-maior e o seu adjunto decidiram reagir perante o estado de espírito que infiltra cada vez mais o exército, e “que faz com que as regras sobre a abertura de fogo não sejam respeitadas; que haja fenómenos de recusa, ou mesmo de insubordinação entre os soldados. Constata-se manifestações de racismo nas redes sociais em que participam os soldados. Por fim, há as críticas contra o exército que se expressam no seio mesmo das suas fileiras. Isso ocorre sobretudo nas unidades que operam na Cisjordânia juntamente com os colonos e onde se observa um nacionalismo particularmente forte. Tudo isso preocupa portanto o alto comando”. Na opinião de Yagil Levy, é esse estado das coisas que levou o chefe do Estado-Maior adjunto, o general Golan, a expressar-se, criticando não o exército mas a própria sociedade.



O perigo de ver o Tsahal [exército israelita] transformar-se em milícia

 

De facto, Or Heller, especialista dos assuntos militares da cadeia israelita 10, constata que “o fosso aumenta cada vez mais entre o público e o alto comando do exército. Até aqui, o Tsahal era a instituição mais popular no país. Hoje, o risco é o seguinte: o de que os soldados obedeçam a uma outra autoridade que não a dos chefes militares... A que provém dos websites, das redes sociais ou de homens políticos”. Moshé Yaalon, o ministro da Defesa, que apoia os seus generais a todo o custo perante o governo, considera que, nestas condições, há um perigo: o de ver o Tsahal transformar-se numa milícia...

Por agora, no plano político, a controversa está longe de se alargar. Yossi Verter, o editorialista do diário de esquerda Haaretz, escreve na segunda-feira de manhã: “Quando um general não canta ao ritmo da propaganda governamental, ele é suspeito de ser uma toupeira e constitui um alvo a abater. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahou não hesita em desfazer-se do que lhe resta da sua estatura de homem de Estado para dar o golpe de misericórdia ao chefe do Estado-maior adjunto”. Não é só isso, a mãe do general interveio no debate, tomando a defesa do filho. Ela recorda que o seu marido, pai de Yair, é um judeu alemão que escapou à Gestapo. “Então não podemos acusá-la de prejudicar a Shoah, como afirma o primeiro-ministro”. A senhora indignada justifica todos os propósitos do filho. Um ambiente longe de estar amenizado, a poucas 48 horas do Dia da Lembrança para os soldados e civis caídos nas guerras de Israel.



Traduzido do artigo de Le Point, de 9 de maio de 2016:

http://www.france-palestine.org/Israel-des-generaux-de-Tsahal-se-mettent-le-pays-a-doshttp://www.france-palestine.org/Israel-des-generaux-de-Tsahal-se-mettent-le-pays-a-dos


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