Iinformação sobre a ocupação israelita e a resistência palestiniana ********* e-mail: palestinavence@gmail.com
11
Jan 12
Por samizdat, às 10:03 | comentar
Reproduzimos aqui um artigo de João Jordão, publicado em: http://casadasaranhas.wordpress.com
A Mudança de Paradigma Emergente na Percepção da Disputa entre Israel e a Palestina 

A Falsa Dicotomia

É demasiado frequente vermos as disputas interpretadas, e mais vitalmente, controladas,  através da aplicação, ou para ser mais preciso, imposição de uma falsa dicotomia. A palavra ‘falsa’ é usada neste contexto por duas razões. Primeiro, uma dicotomia é na maioria dos casos assente sobre uma série de simplificações grosseiras que não tomam em conta as similitudes que podem ter as duas posições aparentemente opostas. Em segundo, as dicotomias são na sua natureza divisivas e perpetuam desentendimentos que poderiam ser resolvidos através de uma compreensão mútua, ou melhor ainda, através de uma síntese que procura unir dois partidos previamente opostos sem, espera-se, comprometer em eloquência e precisão.

Pode-se dizer que nenhuma disputa na história moderna tem sido prolongada e mal representada através da imposição de uma falsa dicotomia de uma maneira tão grave como a disputa entre Israel e a Palestina. Somos supostos acreditar que esta disputa opõe dois eternos inimigos que têm pouca ou nenhuma vontade de chegar a um acordo. Mais ainda, e o mais importante, é que o conflito em questão é caracterizado pela existência de dois grupos aparentemente opostos, os dois dos quais alegam legitimidade de ocupação em relação ao mesmo pequeno território. A disputa territorial é um facto. A falta de vontade para chegar a um entendimento não o é. 


O Estado de Israel, o seu Propósito e os Resultados das suas Ações

É necessário a este ponto analisar a razão por detrás da imposição desta dicotomia. Somos supostos acreditar que o estado de Israel é um estado Judeu, o principio por detrás do qual é a tentativa de proporcionar um local de refúgio, e subsequentemente, proteção ao povo Judaico que tem através dos séculos sido negado um estado próprio e que tem também, sofrido discriminação e dificuldades continuas. Estes factos, este artigo não tentará por em questão. O que pode ser alvo de escrutínio é a que ponto é que o estado Israelita tem conseguido, e irá conseguir demonstrar a capacidade de cumprir a sua promessa de defender o povo Judaico. De modo a lidar com esta questão, podemos focalizar a nossa atenção em dois aspectos. As funções que são impostas aos cidadãos do estado de Israel, assim como a capacidade que o estado de Israel tem demonstrado para diminuir o sentimento de antissemitismo e de prevenir maios animosidade para com o povo Judaico no futuro.

Primeiramente, o estado Israelita é um dos, senão o estado mais militarizado no mundo. Impõe sobre os seus cidadãos, homens e mulheres, um período extensivo de serviço militar obrigatório, durante o qual os cidadãos em questão vão ser expostos a perigos consideráveis graças em parte à resistência Palestiniana, assim como a resistência de outros movimentos de resistência da parte dos seus países vizinhos. Note-se que os cidadãos sofrem multas ou mesmo períodos de cárcere se não se apresentarem ao serviço militar. Mais relevante ainda não é o perigo com os quais são confrontados graças às atividades de aqueles que se opõe ao estado Israelita que representam, ou através de eventuais multas ou cárcere às mãos do próprio estado; O mais preocupante é a medida em que as ações do estado Israelita provocam um acréscimo em antissemitismo e a representação corrupta que o estado Israelita fornece dos valores do povo Judaico e a sua religião. Esta representação negativa faz com que o próprio estado Israelita seja de facto o maior perigo para a segurança do povo Judaico, isto por causa dos perigos a que expõe a integridade física de grande parte contingente Judaico, assim como os danos consideráveis que causa à imagem do povo Judaico no seu todo.

 

O Aumento do Antissemitismo e o Estado de Israel 

O argumento central deste artigo, assim como a sua proposta central de como o conflito em questão deve ser conceitualizado, é portanto que o estado Israelita falhou escandalosamente na sua promessa de proporcionar um refúgio para o povo Judaico,  em grande parte por causa do perigo eminente a que expõe a sua população graças à sua natureza agressiva e militarizada, nomeadamente por causa da resistência armada que as suas ações expansionistas e opressivas cultivam nos povos vizinhos. Mais importante ainda, contudo, é de tomar em conta os efeitos negativos que as ações do estado Israelita impõe sobre o povo Judaico no seu todo; isto é graças ao facto incontestável que o estado de Israel é a mais potente fonte de sentimento antissemita no mundo moderno, e que o tem sido virtualmente desde a sua fundação violenta em 1948. É preciso notar também que o estado de Israel não falha uma oportunidade para equacionar as suas ações e valores com os do povo Judaico, o que demonstra ao mesmo tempo a sua natureza desonesta assim como a sua incrível incompetência no que toca à proteção do povo Judaico de perigo físico, assim como a sua incompetência no que toca a proteção do povo Judaico contra uma imagem denegrida no mundo inteiro.

Portanto é aqui proposto que de maneira a fazer com que a ‘resistência Palestiniana’ seja mais eficiente ela tem que, como movimento, por e simplesmente, deixar de se identificar e ser identificada como sendo exclusivamente Palestiniana. Isto é por causa do simples facto que ao adoptar tal nome, está a subjugar-se à armadilha de que foi vitima, nomeadamente ao deixar-se integrar numa falsa dicotomia que não representa a verdadeira natureza do conflito em questão. Como alternativa, o grupo de pessoas cada vez mais extenso que critica o estado de Israel e a sua opressão do povo Palestiniano tem que aceitar que a luta contra o estado de Israel é partilhado por uma grande parte dos cidadãos Israelitas, assim como um numero considerável de Judeus que não residem no estado de Israel, todos unidos na sua contestação pois todos são oprimidos pela natureza maliciosa do estado de Israel e a sua maquina de propaganda, assim como são oprimidos pelo seu complexo militar industrial selvagem, se bem que o são em dimensões diferentes e com resultados variados.

Temos portanto que resumir as posições adoptadas neste artigo, assim como a espinha dorsal da sua proposta, que é que a resistência contra o estado de Israel tem que orbitar em redor de um só principio, ou melhor ainda, de uma só síntese, para que como movimento possa ganhar em eloquência e subsequentemente, em eficiência. A síntese em questão pode ser articulada da seguinte maneira: O estado de Israel representa uma ameaça imediata para o povo Palestiniano e Israelita, e como tal é a própria antítese daquilo que prometeu ser, ao comprometer ainda mais a missão e princípios fundadores, a ambição de defender o povo Judaico. Ainda mais, as suas tentativas incessantes de afixar as suas ações ao povo Judaico no seu todo não é nada mais nada menos do que uma campanha de difamação injuriosa e prolongada contra o povo Judaico e o próprio Judaísmo, e portanto representa uma ameaça imediata contra a população Judaica no mundo inteiro. Também pode ser afirmado que o conceito de recomendar confinamento territorial (dentro das fronteiras do estado de Israel) como uma solução para garantir a segurança da população Judaica é altamente questionável de um ponto de vista estratégico, mas este é um assunto tão complexo e com precedentes históricos tão recorrentes que necessita de um outro artigo mais aprofundado para ser devidamente ilustrado, e portanto o presente artigo limita-se a esta breve alusão.

 

A Síntese da Terra Santa e a Guerra de Informação

A característica mais interessante do conceito aqui proposto é, espera-se, a sua veracidade, mas também as oportunidades interessantes que proporcionam para transcender e derrotar cabalmente a retórica repetitiva e vácua da maquina de propaganda do estado de Israel. Através deste conceito que tenta ilustrar as similitudes entre as posições da população Palestiniana, Israelita e Judaica, nomeadamente a ameaça imediata que o estado de Israel representa para as três, podemos neutralizar os argumentos que os sionistas mais utilizam para legitimar as ações do estado de Israel e descredibilizar os seus adversários. A primeira falsa alegação do estado Israel é que defende o povo Judaico de antissemitismo e violência, enquanto que na verdade faz o oposto. A segunda, é que enquanto acusa os seus adversários de antissemitismo, de facto é o próprio estado de Israel que é o agente de propaganda antissemita do mundo, pois não falha uma ocasião para justapor as suas ações com os valores e povo Judaico, enquanto que na realidade os seus valores e ações são o direto oposto da lei e valores Judaicos, enquanto que as suas ações como a constituição do estado de Israel também claramente são contraditórios com convenções e leis internacionais.

Ainda mais, as ações do estado de Israel comprometem a segurança do povo Judaico e só ajudam a denegrir a sua imagem colectiva. A este conceito este artigo chama ‘A Síntese da Terra Santa’, um titulo que representa que o que se procura ao resistir ao estado de Israel não é constrangido de forma alguma pelo partidarismo nem por divisões étnicas ou religiosas, mas sim por razões estritamente morais, nomeadamente a defesa dos cidadãos do mundo contra violência física e difamação injuriosa. Comunica, portanto, que a critica e resistência contra o estado de Israel não é somente uma defesa do povo Palestiniano, mas que é sim uma campanha da defesa da justiça social que não discrimina nem raça, nem nacionalidade, nem afiliação religiosa.

João Silva Jordão


29
Dez 11
Por samizdat, às 12:49 | comentar

A Veolia acaba de perder um novo contrato de 485 milhões de libras (cerca de 600 milhões de euros) em Londres, após uma campanha dos militantes BDS denunciando as violações do direito internacional pela empresa francesa.

A"West London Waste Authority" (WLWA) acaba de afastar a Veolia de um concurso para a gestão do lixo doméstico de 1,4 milhão de residentes dos bairros de Brent, Ealing, Harrow, Hillingdon, Hounslow e Richmond-upon-Thames.

Isto, depois de uma campanha de 6 meses levada a cabo por activistas da campanha BDS e uma petição assinada por 600 habitantes desse sector ocidental londrino, divulgando a maneira como a Veolia viola os direitos humanos e o direito internacional em Jerusalém e na Cisjordânia, nomeadamente através da recolha do lixo dos colonos para descarregá-lo em seguida nos locais onde vivem os palestinianos.

Mas também através da exploração das linhas de autocarros reservadas aos colonos e do recrutamento em Israel baseado em critérios racistas.

Este é o segundo contrato perdido pela Veolia, menos de 6 meses após o da municipalidade de Ealing em Londres, com um valor de 300 milhões de libras!

"E é o que espera todos os que colaboram com a política de ocupação e de opressão israelita", declarou Sarah Colborne, directora da Palestine Solidarity Campaign na Grã-Bretanha.

Fonte : http://www.palestinecampaign.org/index7b.asp?m_id=1&l1_id=4&l2_id=25&Content_ID=2312

CAPJPO-EuroPalestine, 23.12.2011


22
Dez 11
Por samizdat, às 09:56 | comentar

COMUNICADO DE IMPRENSA

 

Ao tomar conhecimento de que a cantora portuguesa Ana Moura tencionava actuar em Televive no dia 27 de Janeiro 2012, o Comité de Solidariedade com a Palestina enviou-lhe uma carta pedindo-lhe que não o fizesse e que se juntasse assim ao movimento internacional de boicote contra a política israelita de ocupação e de apartheid.

Este tipo de apelo tem sido lançado em todo o mundo e dirigido a muitas dezenas de artistas, em particular músicos e realizadores. Elvis Costello, Roger Waters, Marianne Faithless são apenas alguns dos que aderiram à campanha de boicote e se recusaram a actuar em Israel. O realizador britânico Ken Loach é talvez o mais conhecido dos que se recusaram a participar em festivais israelitas.

Portugal não ficou fora desse movimento. Em Janeiro deste ano, Dulce Pontes acabou por cancelar um concerto seu programado em Telavive, após a insistência de vários activistas portugueses e internacionais. Uns meses antes, várias organizações, entre as quais Panteras Rosa, Comité de Solidariedade com a Palestina, SOS Racismo e Colectivo Mumia Abu-Jamal – tinham-se juntado para pressionar a organização do Festival Queer de cinema a recusar o apoio da embaixada de Israel ao festival. O realizador canadiano John Greyson obrigou o festival a retirar dois filmes seus quando soube que Israel apoiava o evento. O resultado foi que na edição de 2011, o Queer Lisboa já não estava associado a um Estado cuja história é marcada pelo roubo e a ocupação de um território de onde o seu povo é expulso e oprimido.

Os apelos para que Ana Moura não ajude a branquear os crimes desse Estado partem também dos próprios israelitas, como é o caso da organização BOYCOTT! Supporting the Palestinian BDS Call from Within (http://boycottisrael.info/), que se dirigem à cantora nestes termos: “Os palestinianos fãs da sua música que vivem na Cisjordânia, numa terra governada por Israel, estão sob a lei marcial e não serão autorizados a deslocar-se até Telavive para desfrutar do seu concerto. (…) Performances de alta qualidade como o seu concerto agendado têm servido para branquear os crimes [de Israel] e a criar uma imagem de Israel como a de um 'Estado moderno', onde as celebridades vêm actuar e ver as localidades turísticas. Na verdade, algumas das localidades estão situadas em território ocupado, e mais de 3 milhões de pessoas, incluindo fãs seus palestinianos, não podem assistir aos concertos em Telavive, mesmo quando estão a viver sob o controlo israelita, nomeadamente a ocupação”.

Em Portugal, juntamo-nos às vozes palestinianas e israelitas que apelam a uma tomada de posição de Ana Moura : a arte, a boa música e o talento da cantora não devem ser postos ao serviço de um regime de apartheid e limpeza étnica.

 


21
Dez 11
Por samizdat, às 21:49 | comentar

O Musée de l’Elysée suspendeu a organização do prémio do qual foi afastada Larissa Sansour. A empresa Lacoste considerava que o trabalho desta jovem palestiniana era demasiado pró-palestiniano.

 

 

Comunicado de imprensa

 

«Lausanne, 21 de dezembro de 2011 – O Musée de l’Elysée decidiu suspender a organização do Prémio Lacoste Elysée 2011. Introduzido em 2010 para apoiar os jovens fotógrafos, este prémio tem um valor de 25.000 euros.

Para esta edição de 2011, 8 artistas foram seleccionados para concorrer. Foi-lhes pedido que produzissem 3 fotos sobre o tema da alegria de viver.

Cada um deles, recebendo uma bolsa de 4.000 euros, tinha carta branca para interpretar esse tema como o entendesse, de maneira directa ou indirecta, com autenticidade ou ironia, baseando-se ou não no seu trabalho anterior.

Um júri de peritos deveria reunir-se no final de Janeiro para escolher o vencedor desse prémio. O Musée de l’Elysée acaba de tomar a decisão de suspender tudo, devido ao desejo do parceiro privado de excluir Larissa Sansour, uma dos 8 candidatos seleccionados.

Reafirmamos o nosso apoio a Larissa Sansour pela qualidade artística do seu trabalho e o seu empenho.

O Musée de L’Elysée propos-lhe até expôr a sua "Nation Estate" nas suas instalações.

Há 25 anos que o Musée de l’Elysée defende com força artistas, o seu trabalho, a liberdade artística e a liberdade de expressão. Ao tomar esta decisão hoje, o Musée de l’Elysée é fiel ao seu compromisso com os seus valores fundamentais.»

 

Contacto: Sam Stourdzé, Director do Musée de l’Elysée, +41 21 316 99 10, sam.stourdze@vd.ch


Por samizdat, às 21:48 | comentar

Como dizia Shulamit Aloni, ex-ministra israelita da Educação, «não é preciso fornos crematórios nem câmaras de gás para perpetrar um genocídio». Como qualificar o comportamento israelita relativo ao corte de água ou de electricidade aos palestinianos?

 

Em Gaza, apenas 10% dos 1,6 milhões de habitantes têm acesso à água todos os dias. A companhia israelita de electricidade fornece 60% das necessidades da faixa de Gaza, tudo pago com as taxas alfandegárias palestinianas cobradas pelas autoridades israelitas.

Gaza compra 5% da electricidade no Egipto e procura produzir ela própria os outros 35% na única fábrica eléctrica de Gaza, gravemente danificada quando foi bombardeada por Israel em 2006.

No dia 26 de Novembro, Danny Ayalon, adjunto do ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, ameaçou cortar a electricidade e a água provenientes de Israel, assim como todas as ligações de infraestrutura que servem os 1,6 milhões de habitantes da faixa de Gaza.

 

O verdadeiro sentido do castigo colectivo

«É o verdadeiro sentido do castigo colectivo », declarou Jaber Wishah do Palestinian Centre for Human Rights. «As crianças, as mulheres, as pessoas de idade, os doentes, os estudantes, todos ficam sujeitos a esta ameaça».

Após as eleições democráticas de 2006 que levaram o Hamas ao poder, Israel impôs um bloqueio cada vez mas severo na faixa costeira, o que tem por consequência privar os palestinianos da maioria dos bens essenciais e básicos, entre os quais animais de criação, medicamentos, máquinas e peças sobresselentes, e o combustível industrial necessário ao funcionamento da estação de produção de energia.

 

Uma chantagem absurda

«Israel sempre cortou a electricidade e destruiu as infraestruturas ao longo de todos estes anos, mas é a primeira vez que eles ameaçaram explicitamente cortar tudo e totalmente», declarou Wishah. «É absurdo fazer chantagem sobre a vida de uma população inteira por causa de problemas políticos».

E é também ilegal.

Wishah faz notar que Israel continua a ocupar militarmente e a controlar a faixa de Gaza, apesar da retirada dos colonos israelitas e das bases militares em 2005. Segundo o direito internacional, Israel é responsável pelo bem-estar da população do território ocupado, devendo cuidar nomeadamente do fornecimento de electricidade, de água e da infraestrutura operacional.

[…] Mais de 100 palestinianos morreram em 2009 e no primeiro trimestre de 2010, relatou a Oxfam, por causa dos incêndios ou do monóxido de carbono causados pelos geradores.

[…] «Será uma catástrofe se Israel cortar a electricidade. A metade da população não terá acesso à água», declarou Maher Najjar [director geral adjunto do serviço municipal de gestão das águas costeiras].

Actualmente, 95% da água dos lençóis subterrâneos não se pode beber, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS detectou concentrações de nitratos, que se pensa serem cancerígenos, superior a 330 mg por litro de água, ultrapassando de longe os 50 mg/litro tolerados.

[…] «Israel furou mais de 1000 poços à volta da faixa de Gaza para seu uso próprio. Cortaram o escoamento da água antes de ela atingir a faixa de Gaza», declarou o sr. Najjar.

Enquanto que a quantidade de água fornecida pela Mekorot, a companhia nacional de água de Israel, cobre apenas 5% das necessidades, é a ameaça de Israel de cortar a electricidade e as infraestruturas que os habitantes de Gaza mais temem. «O cloro é vital para o nosso tratamento da água. Sem ele, não podemos consumir um único copo de água», declarou o sr. Najjar.

 

As águas sujas não tratadas

Já por falta de electricidade e de instalações adequadas para o tratamento da água, até 80 milhões de litros de águas usadas brutas ou parcialmente tratadas são jogadas diariamente desde a faixa de Gaza para o mar.

Em 2008, a Organização Mundial da Saúde constatava níveis perigosos de bactérias fecais ao longo de um terço da costa de Gaza. Em 2010, as Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA) assinalaram que a diarreia aguda e a hepatite viral permaneciam as doenças mais graves entre os refugiados da faixa de Gaza.

«Precisamos de electricidade para continuar a bombear as águas sujas provenientes das habitações até às estações de depuração», declarou o sr. Najjar. «Os geradores servem de auxílio durante os cortes de electricidade, mas sem o fornecimento regular de electricidade, os dejectos acabarão por inundar as ruas».

Em Agosto de 2007, uma bacia de retenção de águas sujas na cidade de Beit Lahiya transbordou, afogando cinco habitantes de uma aldeia vizinha.

«Penso que os israelitas estão sérios quanto à sua ameaça», declarou Wishah, «porque eles não se importam com as leis e as convenções internacionais, como as Convenções de Genebra, que eles assinaram e que proíbem os castigos colectivos. Eles sentem que estão acima da lei e para além de qualquer acção judicial».

 

http://www.info-palestine.net/article.php3?id_article=11540

CAPJPO-EuroPalestine, 16.12.2011


21
Nov 11
Por samizdat, às 21:07 | comentar

 

 

No dia 29 de Outubro, o CSP enviou a seguinte carta à Universidade de Coimbra, de que ainda hoje não obteve resposta:

 

Exmos. Senhores

Dr. João Gabriel Silva, reitor da Universidade

Dr. Joaquim Pires Valentim, responsável do projecto

Direcção da Faculdade de Psicologia


Tomamos a liberdade de vos escrever a respeito da cooperação actualmente em curso entre a Universidade de Coimbra e a International Security and Counter-Terrorism Academy (ISCA), no âmbito do projecto Scientific Approach to Fighting Radical Extremism (SAFIRE).


No entanto, a qualquer acto de resistência do lado palestiniano, Israel responde com mais violência. Até mesmo a comemoração da Naqba sob forma de peregrinação aos locais de 540 aldeias destruídas após 1948 é punida com três anos de prisão. Às crianças e jovens que atiram pedras aos tanques israelitas, Israel responde com actos de verdadeiro terrorismo. A população civil de Gaza é todos os dias bombardeada pelo exército israelita.


A condenação generalizada da ocupação e dos seus crimes - como foram os cometidos durante a ofensiva contra a Faixa de Gaza que provocou 1400 mortos civis, ou no ataque em águas palestinianas ao navio Marvi Marmara durante o qual o exército israelita executou nove passageiros - estende-se igualmente à cooperação com qualquer tipo de instituições estreitamente ligadas ao Estado de Israel, como é o caso da ISCA. Com efeito, uma tal cooperação constitui um acto de cumplicidade com apoiantes activos e beneficiários da ocupação colonial da Palestina.

Gostaríamos igualmente de recordar-vos que existe desde 2005 uma campanha internacional de boicote e desinvestimento contra Israel, semelhante àquela que ajudou a derrotar o regime de apartheid na África do Sul. Com vista a isolar internacionalmente o Estado pária de Israel, empresas, bancos, municipalidades, artistas de todo o mundo têm sido sensíveis a esta campanha, adoptando medidas de boicote, sanções e desinvestimento em relação a organizações israelitas coniventes com a ocupação. No domínio académico, para citar apenas um exemplo, o caso mais recente foi o da Universidade de Joanesburgo, na África do Sul, que cortou todas as suas ligações com a Universidade israelita Ben Gourion.


Se a cooperação com instituições oficiais israelitas no âmbito universitário é já de si condenável e merecedora de boicote, a cooperação com uma academia especializada em “anti-terrorismo”, como a ISCA, consiste em dar a mão ao próprio aparelho repressivo sionista. Esta “academia” situa-se no coração da história mais sanguinária de Israel e procura branquear a sua imagem cooperando com uma academia portuguesa que em 1969 sofreu os rigores da repressão fascista.


Também em Portugal, o Comité de Solidariedade com a Palestina, juntamente com outras organizações está empenhado na campanha de BDS – Boicote, desinvestimento e sanções -, cuja última vitória foi a desistência do Festival de cinema Queer Lisboa em aceitar o habitual apoio da embaixada de Israel.


O Comité de Solidariedade com a Palestina vem portanto solicitar-vos que reconsiderem a cooperação com a ISCA, sob pena de colocarem a Universidade de Coimbra numa posição de cúmplice com um regime de apartheid, de limpeza étnica e de genocídio cometido contra homens, mulheres e crianças palestinianas. A Universidade de Coimbra tornar-se-ia, nesse caso, um alvo legítimo para a campanha internacional em curso contra o apartheid israelita e seus cúmplices. Aguardaremos a vossa resposta num prazo razoável antes de tomar qualquer decisão ou defender alguma posição pública. Agradecíamos, portanto, a gentileza de nos responder até ao próximo dia 7 de Novembro.


Com os nossos cumprimentos,


Comité de Solidariedade com a Palestina     

 


24
Set 11
Por samizdat, às 09:35 | comentar

O Comité de Solidariedade com a Palestina denuncia o ultraje cometido contra o povo português pelo embaixador israelita em Lisboa, Ehud Gol, em entrevista à TVI 24 na noite de 23 de setembro. Aí afirmou Gol, nomeadamente, que os israelitas têm mais direitos sobre Jerusalém do que os portugueses têm sobre Lisboa.
 
Se a afirmação de Gol fosse verdadeira, ela implicaria que os direitos de soberania do Estado português sobre o seu próprio território fossem nulos. Com efeito, os "direitos" de Israel a colonizar Jerusalém Oriental e a expulsar a sua população palestiniana, não são direitos, e sim violações do direito internacional. Assim os classificam, aliás, numerosas resoluções da ONU, que há muito teriam feito de Israel um Estado-pária se não fosse a sistemática protecção que lhe dispensam várias grandes potências, com especial destaque para os EUA.
 
O desprezo da Embaixada israelita pela dignidade de um país anfitrião, neste caso Portugal, manifesta-se nomeadamente no check point que há vários anos tem instalado a sua porta, a interromper o trânsito num dos sentidos da R. Pinheiro Chagas. A Câmara Municipal de Lisboa deveria seguir o exemplo da municipalidade de Oslo e obrigar a embaixada israelita a mudar-se para fora da cidade, impedindo assim que os moradores do bairro se tornem escudos humanos de uma embaixada com especiais problemas de segurança. Esse desprezo da embaixada sionista manifestou-se também na grosseira repreensão que emitiu contra todos os partidos portugueses, da esquerda à direita, sem excepções, por terem permitido com votos favoráveis ou com abstenções a aprovação na Assembleia Municipal de Lisboa de uma proposta de geminação entre Gaza e Lisboa.
 
Em qualquer país que prezasse a sua dignidade e soberania, a provocação do embaixador Gol na TVI 24 valer-lhe-ia ser imediatamente declarado persona non grata. Em Portugal, espera-se que, no mínimo, o embaixador seja convocado ao MNE para apresentar explicações sobre o seu questionamento da soberania do Estado português.


14
Set 11
Por samizdat, às 22:05 | comentar

O Queer Lisboa, festival de cinema gay e lésbico da capital portuguesa, abandonou o patrocínio que desde há muito lhe era prestado pela Emabaixada Israelita, na sequência de uma persistente campanha de activistas que lutam pelo boicote de Israel até que este cumpra as suas obrigações à luz do direito internacional e respeite os direitos humanos dos palestininanos. A embaixada israelita vinha apoiando o festival ao longo dos últimos anos como parte da sua campanha “Brand Israel”, lançada em 2005 com o objectivo de desviar a atenção da sua contínua violação do direito internacional e direitos palestinianos, para os seus feitos artísticos e científicos.
Uma coligação de organizações portuguesas, incluindo o colectivo de direitos LGBT “Panteras Rosa” e o Comité de Solidariedade com a Palestina, protestou à porta do evento no ano passado exigindo que a organização do festival rejeitasse aquele patrocínio imoral. Os protestos tiveram alguma cobertura mediática pondo em causa o festival. O realizador canadiano John Greyson abandonou sua participação no festival após saber do patrocínio. Numa declaração, Greyson, que havia sido galardoado com a maior honra do Festival em 2009, afirmou que “Tanto os activistas queer portugueses como palestinianos fizeram ver que este apoio viola o apelo feito em 2005 pela sociedade civil palestiniana que pede aos artistas e académicos de consciência que boicotem o estado israelita, em protesto contra a ocupação corrente.”
 Sérgio Vitorino, porta-voz das “Panteras Rosa” referiu que “Israel usa os eventos queer para fazer “pinkwash” [branqueamento rosa] do apartheid, desviando as atenções da opressão que exerce sobre os palestinianos assim como da verdadeira homofobia com que se confronta a comunidade LGBT dentro de Israel e qualquer gay ou lésbica palestiniano a viver debaixo de uma brutal ocupação militar.” Sérgio acrescenta “Felicitamos a decisão do Queer Lisboa abandonar este patrocínio para que possamos continuar a celebrar a verdadeira mensagem do festival – a da igualdade e da tolerância.”
A campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) foi lançada em 2009 por uma coligação plural que inclui organizações de solidariedade, direitos humanos e anti-racismo, em resposta a um apelo feito pela maioria da sociedade civil palestiniana em 2005. Para saber mais sobre esta campanha global ver: http://www.bdsmovement.net/


20
Ago 11
Por samizdat, às 14:38 | comentar

Nos últimos seis meses, vários meios de comunicação social têm publicado artigos sobre o chamado “novo” movimento não-violento palestiniano. Dois erros têm acompanhado esses relatos e análises. O primeiro é o uso da palavra “não-violento”, com as suas conotações; o segundo é o discurso em torno do movimento.

Infelizmente, a fonte desses artigos são muitas vezes meios de comunicação respeitados que informam honestamente sobre a causa palestiniana, incluindo Al Jazeera English. […] Os artigos estão repletos de citações como “mas a resistência tradicional de queimar pneus e atirar pedras não mudará de um dia para o outro. Temos de dar ao mundo uma imagem de resistência palestiniana não-violenta”; e “continuaremos a actuar com a não-violência até que fique muito claro na imprensa internacional quem é que viola os direitos humanos”.

Publicado em 6 de Julho de 2011


1. A resistência palestiniana não-violenta é coisa que não existe

Para começar, o perigo de usar a expressão “resistência não-violenta” insinua que qualquer outra forma de resistência é violenta, daí dar-lhe um sentido negativo.

Em árabe, os palestinianos não distinguem entre resistência violenta e não-violenta, mas antes entre resistência armada e resistência popular. O povo palestiniano e as facções políticas apoiaram-se nas duas formas, assim como noutras, ao longo do século passado.

Na verdade, e contrariamente a outros regimes coloniais na África do Sul ou na Argélia, o objectivo do colonialismo sionista é o de limpar etnicamente a Palestina e expulsar o seu povo indígena. Por isso, pelo simples facto de existirem e de se manterem firmes na sua terra, os palestinianos estão a resistir.

Embora eu não pretenda defender aqui defender uma forma específica de resistência, tem de haver uma distinção clara entre duas noções distintas.

Por um lado, há tentativas de impor a ideia de que a não-violência é a única forma de resistência “permitida”, portanto insinuando erradamente que outras formas de resistência são violentas, imorais ou ilegais. Por outro lado, um consenso geral entende a resistência como um direito legítimo do povo palestiniano, como o direito de qualquer povo que vive sob a opressão, colonização e ocupação estrangeiras.

Segundo esse ponto de vista, a resistência popular é mais eficaz do que a resistência armada nesta fase da luta. Devido à divergência entre estas duas visões, a expressão “violento” estendeu-se para abranger o lançamento de pedras aos tanques israelitas ou aos checkpoints militares fortemente armados.

Muitas formas diferentes de resistência popular caracterizaram a primeira Intifada, entre as quais as crianças a saltarem de casa em casa durante o recolher obrigatório para distribuir açúcar e farinha aos vizinhos, os jovens a jogar à bola nas esquinas das ruas para poderem avisar os grafiteiros quando passavam os carros militares, trabalho voluntário, greves e boicotes comerciais, assim como protestos de massa que incluíam o lançamento de pedras aos postos avançados armados e aos veículos militares.

A verdade é que enfrentar uma máquina de guerra brutal com pedras não é mais que um gesto simbólico. É um símbolo da grande desproporção entre o povo palestiniano e a máquina de guerra israelita.

Pedras atiradas aos tanques israelitas ou a outros veículos armados eram meios para o povo indígena da Palestina, de demonstrar a sua recusa da ocupação e da opressão. Jovens, mulheres, idosos e todos os sectores da sociedade participaram nesta forma de resistência.

As pedras podiam ser violentas, no entanto, quando usadas sistematicamente pelos soldados israelitas para esmagar os membros dos palestinianos, como parte da política ordenada por Yitzhak Rabin, então ministro da Defesa israelita, para “partir-lhes os ossos”. O Knesset recusou investigar a ordem de Rabin e este nunca foi responsabilizado.

Além do mais, os meios de comunicação social que defendiam essas tácticas não-violentas escolheram ignorar por completo o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel. Embora não caiba nas duas formas de resistência referidas acima, ele só pode ser classificado como uma táctica estritamente não-violenta, que tem como objectivo pressionar Israel a respeitar as suas obrigações perante a lei internacional.

O crescimento evidente do movimento BDS e a pouca cobertura que tem sido dada aos seus êxitos pela maior parte dos principais meios de comunicação social só podem ser um indicador da hipocrisia da cobertura da resistência palestiniana: eles só falam das formas de resistência que classificam de relevantes – ou, atrevo-me a dizer, de válidas.

Por fim, é importante compreender o contexto do conflito palestino-israelita, muitas vezes apresentado como “complexo”. Na realidade, e com o risco de sobre-simplificar, trata-se de um conflito entre um opressor e um oprimido. Dentro deste contexto, o uso da violência e da força pode ser perfeitamente exemplificado com as palavras de Paulo Freire:

Nunca na história a violência foi iniciada pelos oprimidos. Como poderiam eles dar início à violência se eles próprios são o resultado da violência? Como poderiam eles ser os promotores de algo que, ao instaurar-se objectivamente, os constitui? Não haveria oprimidos se não houvesse uma relação de violência que os conforma como violentados. Inauguram a violência os que oprimem, os que exploram, os que não se reconhecem nos outros; não os oprimidos, os explorados, os que não são reconhecidos.”



2. O discurso e a terminologia ocidentais

O segundo problema colocado por esta narração e pelo discurso em torno destes artigos é mais importante e merece mais críticas.

Os artigos apresentam o movimento actualmente chamado não-violento como a forma "correcta" de resistir, em que a opção dos palestinianos pelo método de resistência correcto demonstrará como merecemos que nos dêem os nossos direitos e independência.

Apresentar os nossos direitos à liberdade e à autodeterminação como dependentes do nosso método de resistência escolhido é, na melhor das hipóteses, errado e, na pior, racista.

Insinuar que os nossos direitos não foram respeitados porque não demonstrámos merecê-los liberta Israel da necessidade de respeitar a lei internacional e de nos garantir os nossos direitos básicos, e também desculpa os países hegemónicos ocidentais que recompensarem Israel com a impunidade total para que este continue com as suas violações e crimes.

É preciso tornar claro que o nosso direito ao retorno e a acabar com a ocupação, a colonização e o apartheid israelitas está garantido pelas convenções internacionais e que o seu cumprimento é um dever – independentemente dos métodos de resistência ou de quaisquer outros factores que escolhemos para chegar a esse fim.

Alem disso, sugerir que o protesto popular é um fenómeno novo na Palestina, onde “chegaram os verdadeiros manifestantes ao estilo não-violento de Martin Luther King”, é uma distorção vergonhosa dos factos pela imprensa.

A resistência na Palestina, e em particular a resistência popular, tem mais de um século, onde a grande maioria da resistência à colonização sionista, ao mandato britânico e mais tarde à opressão de Israel tomou a forma de levantamentos civis e populares. A resistência popular palestiniana só pode ser ao estilo palestiniano! Os jornalistas têm de deixar de fazer jornalismo preguiçoso e estender o seu período de memória para além de dez anos.

Assim, é-nos permitido seguir os valores e as figuras ocidentais ou os exemplos de qualquer dos que eles acham aceitáveis, como Gandhi e Martin Luther King (MLK). E se nós quisermos um Che Guevara ou um Malcom X palestinianos quando todos os outros esperam pelo próximo “Gandhi palestiniano”?

Foram eles, apesar de tudo, que analisaram e se concentraram sobre a “estrutura internacional dos poderes ocidentais”, uma estrutura que só desenvolveu as suas influência e ferramentas a partir dos anos 50 e 60. E, embora tenham o maior respeito pelos satyagraha de Gandhi e a batalha de MLK no movimento pelos direitos civis, os palestinianos não precisam de olhar para muito longe para encontrar modelos dentro da história e da herança da Palestina para meios alternativos de resistência.

Neste assunto, como noutros, a hipocrisia dos poderes ocidentais prevalece.

A democracia só é aceitável se os resultados forem aqueles que eles escolheram – nos países em vias de desenvolvimento só são permitidas as políticas económicas neoliberais que agradam aos verdadeiros eixos do mal (Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio); e as comunidades queer pelo mundo fora têm de seguir os mecanismos ocidentais de orgulho e de defesa.

Embora estes todos sejam assuntos aparentemente diferentes, o mesmo paradigma se aplica a todos eles: as ideologias hegemónicas ocidentais e as formas de acção são usadas para medir a legitimidade de outras sugeridas pelo mundo fora.

Em particular para os palestinianos, o discurso é uma das questões-chave.

Israel tem o mundo nas suas mãos, não porque o ameaça pela força ou pelo poder militar, mas porque controla o discurso. É a razão pela qual, quando um grupo de israelitas assedia palestinianos e planeia assassinar um chefe de mesquita, os membros desse grupo são referidos na imprensa como “bandidos e gangs”, ou classificados de mentalmente instáveis, como Baruch Goldstein – nunca como “terroristas” ou “extremistas”.

Isto assemelha-se aos processos de controlo indirecto aplicados através de séculos de colonialismo, o mesmo lugar-comum foi usado para reforçar o poder dos colonizadores: os bárbaros primitivos vs o povo iluminado.

Uma recente campanha publicitária demonstra isto mesmo: “Em qualquer guerra entre o homem civilizado e o selvagem, apoie o homem civilizado. Apoie Israel. Derrote a Jihad.”

O nosso papel enquanto palestinianos é o de estarmos atentos às distorções do discurso e de combatermos esse discurso. Se o conseguirmos, será muito mais difícil para alguém como Benjamin Netanyahu humilhar o povo palestiniano e a chamada “liderança” palestiniana perante o congresso americano, como este fez muito recentemente.



A forma correcta de resistência?

Embora não haja dúvida de que, no seio da sociedade palestiniana, todas as formas de resistência à opressão têm de ser respeitadas e valorizadas, é importante não se deixar levar pelo discurso ocidental, especialmente quando muitos de nós entre a juventude da nação já estão expostos a ele através dos meios da comunicação social, da internet ou dos estudos no estrangeiro.

É falsa a ideia de que só existe um meio “correcto” de resistência ou de que a resistência armada e popular é contraditória (ou pelo menos carece de evidência histórica) quando simplesmente nos debruçamos sobre a história colonial (Argélia, África do Sul, etc.).

A prioridade nos dias de hoje, efectivamente, deveria ser de englobar amplamente todos os movimentos, grupos e indivíduos na reivindicação de criar uma nova instituição de liderança legitimada que represente todos os palestinianos independentemente da sua proveniência. Essa entidade deveria ser capaz de identificar democraticamente (e internamente) a forma de resistência mais eficaz.

Nos artigos referidos acima, os participantes palestinianos nos protestos populares são muitas vezes citados da seguinte forma: “Se alguns adolescentes atiraram pedras, é porque falharam aparentemente em assimilar os workshops sobre a não-violência que os organizadores planearam”, e porque eles “insistem em que nunca se atiraram pedras até que as tropas israelitas começassem a lançar gás lacrimogéneo, e que isso é feito apenas por adolescentes”.

Essas declarações mostram os manifestantes palestinianos como sendo apologistas do gesto simbólico de atirar pedras – e isso acontece em detrimento de se questionar a presença das forças de ocupação de Israel.

A história mostrou que o uso de uma extrema violência por parte de Israel é uma constante – quaisquer que sejam as acções violentas ou não-violentas dos palestinianos. É fundamental compreendermos que através dos anos da nossa luta contra o sionismo e o colonialismo, a resposta sionista às várias formas de resistência foi, na sua essência, sempre a mesma: a violência.

Há sessenta anos, há quarenta anos, durante a primeira e a segunda Intifadas, e durante as recentes marchas “pacíficas”, a resposta israelita foi sempre a violência e a efusão de sangue. Jovens homens e mulheres têm sido abatidos com munições reais e de borracha, espancados com cassetetes e sufocados com gás tóxico.

Seria ingénuo esperar que a resposta israelita fosse diferente no futuro, como também não seria preciso resistir de forma não-violenta para mostrar a horrenda face da ocupação israelita, uma vez que isso é demonstrado em qualquer simples acção do dia-a-dia dos palestinianos.

Independentemente da nossa estratégia, Israel continuará a negar a nossa existência como nação, não admitirá a limpeza étnica realizada em 1948 e continuará com as suas medidas repressivas de opressão contra os palestinianos em todo o lado.

A nossa tarefa consiste em concentrarmo-nos nas semelhanças e nos pontos de acordo respeitantes à resistência e não nas diferenças.

O povo palestiniano tem de mobilizar à sua volta para resistir ao apartheid israelita através de um programa resultante de uma discussão no seio de uma entidade verdadeiramente representativa, o que só é possível através de eleições directas para um novo Conselho Nacional Palestiniano.



Ibrahim Shikaki é diplomado pela UC Berkeley. Trabalha como investigador associado no Instituto de Investigação Económica da Palestina (MAS) e é um organizador da juventude residente em Ramallah.

Versão original do artigo em:

http://english.aljazeera.net/indepth/opinion/2011/06/201162895553754742.html

 

Tradução do Comité de Solidariedade com a Palestina


30
Jul 11
Por samizdat, às 21:44 | comentar

Um apelo à ajuda foi lançado esta quarta-feira pelos animadores do Teatro da Liberdade em Jenin, atacados pelo exército israelita que veio prendê-los e destruir este símbolo da resistência palestiniana. Depois de se ter livrado do seu director Juliano Meir Khami, cobardemente assassinado uns meses atrás, o governo israelita quer acabar com estes militantes que apoiam os jovens de Jenin com as suas actividades teatrais. Quando Israel ouve a palavra cultura, puxa do seu revólver.

Apelo à ajuda do Teatro da Liberdade:

27 de Julho de 2011

“As forças especiais do exército israelita atacaram o Teatro da Liberdade, situado no campo de refugiados de Jenin, esta quarta-feira às 3h30.

Ahmed Nasser Matahen, estudante técnico que vigia o teatro durante a noite, foi acordado por enormes blocos de pedra lançados contra a porta do teatro. Ao abrir essa porta, deparou-se com uma soldadesca armada e mascarada que cercava o teatro.

“Disseram-me para levantar os braços e obrigaram-me a baixar as calças. Pensei que a minha hora tinha chegado e que eles iam matar-me. O meu irmão estava ao meu lado, algemado”.

Ao mesmo tempo, o director encarregado da locação do local, Adnan Naghnaghiye, era detido e levado para um destino desconhecido, assim como Bilal Saadi, um dos membros do conselho de administração do Teatro.

“Quando o director geral do Teatro, o britânico Jacob Gough, e o seu co-fundador, o sueco Jonatan Stanczak, chegaram ao local, foram obrigados a permanecer quietos ao lado de uma família palestiniana com 4 filhos, cercados por uns cinquenta soldados israelitas armados dos pés à cabeça.

Jonatan indica: “Quando tentámos dizer-lhes que estavam a atacar um lugar cultural e a deter os animadores do Teatro, eles ameaçaram-nos de nos espancar. Tentei contactar com a administração civil do exército, mas desligaram-me o telefone na cara”.

Para mais informações, contactar:

Jacob Gough: +972 (0)59 534 83 91

Jonatan Stanczak: +972 (0)54 391 57 08

Email : Jonatan Stanczack : jonatan.stanczak@gmail.com

Jacob Gough : jacobllyr@hotmail.co.uk

http://poeticinjustice.net/news/fre...

Traduzido de CAPJPO-EuroPalestine, 27 de Julho de 2011


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