Iinformação sobre a ocupação israelita e a resistência palestiniana ********* e-mail: palestinavence@gmail.com
13
Mai 12
Por samizdat, às 01:43 | comentar

debate
no acampamento da primavera global

segunda-feira 14, às 19 horas
parque eduardo VII


cerca de 2000 palestinianos presos ilegalmente nas prisões israelitas encontram-se em greve da fome desde 17 de abril; alguns deles iniciaram a greve há 2 meses e meio e encontram-se em perigo de vida.
são quase metade do total de presos, os que lutam neste momento contra
o sistema de "detenção administrativa" e o isolamento


28
Abr 12
Por samizdat, às 23:00 | comentar

No filme clássico de Ken Loach sobre a guerra civil de Espanha, um antigo combatente da milícia do POUM é sepultado pela sua neta, muitos anos depois da derrota, com um punhado de terra - terra colectivizada, que tinha guardado durante toda a vida, para recordar as esperanças luminosas da revolução nos seus primeiros tempos.

Nós, do Comité de Solidariedade com a Palestina, gostaríamos de ter trazido para a despedida de Miguel Portas um punhado da terra libertada da Palestina. Sabemos que poucas pessoas se têm empenhado tanto como Miguel Portas na causa dos direitos humanos, sociais e nacionais do povo palestiniano. Não foi por acaso que muitos dos parlamentares doutros países europeus, ao evocarem MP, colocavam a causa palestiniana à cabeça dos grandes combates em que ele se empenhou.

Não pudemos trazer um punhado de terra palestiniana libertada, porque isso nunca existiu. Mas, ao contrário de um combatente de Espanha, que apenas podia guardar a recordação dum momento longínquo de esperança, o punhado de terra pelo qual lutou MP, pelo qual queremos continuar a luta, pertence ao futuro.

Até esse futuro, até sempre, companheiro Miguel Portas!


21
Abr 12
Por samizdat, às 13:40 | comentar

 

 

Abril de 2012

 

Cara Daniela Mercury,

 

Amigos palestinos, admiradores de sua música, nos escreveram assim que souberam que você pretende fazer um show em Israel, em maio próximo.

Como parte do chamado feito pela sociedade civil palestina em 2005 para o Boicote, o Desinvestimento e Sanções (BDS), e inspirado pelo boicote cultural ao apartheid na África do Sul, o povo palestino pede a artistas internacionais que se juntem ao movimento BDS cancelando shows e eventos em Israel, que só servem para igualar o ocupante ao ocupado e, portanto, promover a continuação da injustiça.

Em outubro de 2010, o sul-africano Desmond Tutu, consagrado com o Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra o apartheid, apelou à ópera de seu país cancelar a apresentação agendada em Israel. Um show em território israelense enfraquece a chamada para o BDS até que Israel cumpra os requisitos básicos do direito internacional, pondo fim à ocupação militar, à tomada de terras e à construção de novas colônias nos territórios palestinos. Na mesma linha, respeite os direitos humanos, à autodeterminação do povo palestino e ao retorno a suas terras e propriedades.

 

A participação em um show em Israel não é um ato neutro, desprovido de qualquer mensagem política. Ao participar de um evento em Israel, você estará apoiando a campanha israelense para encobrir violações do direito internacional e projetar uma imagem falsa de normalidade. Qualquer afirmação em contrário que um artista deseje fazer por meio de sua participação nesse evento será ofuscada pelo fato de que está atravessando um piquete internacional, estabelecido pela grande maioria das organizações da sociedade civil na Palestina. Na verdade, uma mensagem de paz justa atingirá muito mais pessoas, incluindo israelenses, se você cancelar a sua participação.

Desde a ofensiva de Israel a Gaza em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que deixou 1.400 palestinos mortos e conduziu à elaboração do relatório Goldstone, o qual não deixa dúvidas que Israel cometeu crimes de guerra, muitos artistas internacionais se recusaram a tocar em um país que se coloca acima dos direitos humanos e do direito internacional. Após o ataque de Israel a um navio de ajuda humanitária com destino a Gaza em maio de 2010, o número de artistas cresceu. Elvis Costello, Gil Scott Heron, Carlos Santana, Devendra Banhart e os Pixies são apenas alguns dos que se recusaram a realizar shows em Israel naquele ano. Roger Waters é outro exemplo de pessoa pública que assume posição contrária às violações dos direitos humanos por Israel. No período em que realizou t u rnê no Brasil, entre final de março último e início deste mês, fez declarações à imprensa nesse sentido e em apoio à campanha por BDS.

 

Pedimos-lhe para se juntar à lista crescente de artistas que têm respeitado o pedido de boicote. Como disse o sul-africano Desmond Tutu, "se o apartheid na África do Sul terminou, essa ocupação também terminará, mas a força moral e a pressão internacional terão de ser tão determinadas quanto". Por justiça, o chamado palestino para o BDS deve alcançar o mundo, incluindo Israel. Ficaremos felizes em discutir isso mais a fundo com você e apoiá-la no quer for necessário. Nós estamos simplesmente pedindo que você cancele seu show em Israel, de modo a não prejudicar o aumento global do movimento por boicotes ao apartheid a que está submetido o povo palestino. Aproveitamos para convidá-la a participar dessa nobre luta por uma causa da humanidade. Com grande respeito,

 

Frente em Defesa do Povo Palestino

União Democrática das Entidades Palestinas no Brasil

Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro

Centro Cultural Árabe-Palestino Brasileiro de Mato Grosso do Sul

Sociedade Árabe-Palestina de Corumbá

Comitê Árabe-Palestino do Brasil

Sociedade Palestina de Santa Maria

Centro Cultural Árabe-Palestino Brasileiro do Rio Grande do Sul

Sociedade Palestina de Brasília

Sociedade Palestina de Chuí

Frente Palestina da USP (Universidade de São Paulo)

Sociedade Islâmica de Foz do Iguaçu

Sociedade Islâmica do Paraguai

Associação Islâmica de São Paulo

Coletivo de Mulheres Ana Montenegro

Movimento Mulheres em Luta

Marcha Mundial das Mulheres

PCB – Partido Comunista Brasileiro

PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e da Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos

MDM – Movimento pelo Direito à Moradia / SP

MTL – Movimento Terra, Trabalho e Liberdade

Fepac – Federação Paulistana das Associações Comunitárias 

CUT – Central Única dos Trabalhadores

CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular-Coordenação Nacional de Lutas

Mopat – Movimento Palestina para Tod@s

Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada

Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

Coletivo de Juventude dos Metalúrgicos do ABC

Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre

SindiCaixa-RS

Andes-SN – Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior

Sintusp – Sindicato dos Trabalhadores da USP (Universidade de São Paulo)

Apropuc – Associação dos Professores da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

Sindicato dos Metroviários de São Paulo

Federação Nacional dos Metroviários

Grupo M19

SOS Racismo, Portugal

Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (Portugal)

Comitê de Solidariedade com a Palestina, Portugal

GAP - Grupo Acção Palestina, Porto, Portugal

Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGay Transfobia, Portugal

Amyra El Khalili – economista

Clovis Pacheco Filho – sociólogo e jornalista

Claudio Daniel - poeta


13
Abr 12
Por samizdat, às 10:27 | comentar | ver comentários (1)

Contra o Agreement on Conformity Assessment and Acceptance of Industrial Products (ACAA) entre a União Europeia e Israel:

a União Europeia deve ser consistente nas suas posições

 

 

Encontrando-se na agenda do Parlamento Europeu, para ser votado proximamente, o protocolo ACAA, o Comité de Solidariedade com a Palestina vem chamar a sua atenção para o seguinte:

 

O ACAA estabelece uma cooperação económica entre a União Europeia e Israel. A adopção do ACAA contribuiria para a eliminação de barreiras técnicas ao comércio e aumentaria desse modo a acessibilidade dos mercados europeus a Israel e vice-versa, beneficiando as empresas israelitas, muitas delas conhecidas por exercerem actividades lucrativas nos colonatos, considerados pela União Europeia e pela ONU como uma violação da lei internacional.

 

A comissão do Parlamento Europeu encarregada de discutir este acordo decidiu congelar a discussão em 2010, na sequência do ataque israelita à Flotilha da Liberdade. Acontece que as razões para este congelamento permanecem enquanto Israel não suspender a expansão dos colonatos e as incursões na faixa de Gaza que diariamente atingem numerosos civis - homens, mulheres e crianças.

 

A “Joint Communication to the European Parliament and the Council on Human Rights and Democracy at the Heart of EU External Action”, recentemente apresentada por Catherine Ashton, estipula que “a agenda do comércio e dos direitos humanos da UE tem de ser coerente, transparente, previsível, realizável e efectiva”. Ora, as posições da UE sobre o Médio Oriente têm sido claras – tanto em relação a Gaza e aos apelos reiterados para que o bloqueio seja levantado, como em relação à Cisjordânia e à ilegalidade dos colonatos, que a UE considera como um obstáculo à paz.

Por outro lado, nos últimos meses, três relatórios internos da EU tornados públicos descrevem toda a espécie de violações dos direitos humanos cometidas por Israel na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

 

Neste contexto, a política coerente em relação a Israel só pode ser a rejeição do ACAA ou de qualquer outro acordo que beneficie Israel ou as suas indústrias. O Parlamento Europeu tem o poder de bloquear este acordo.

 

Assim, o Comité de Solidariedade com a Palestina vem apelar a uma rejeição sem ambiguidades do Agreement on Conformity Assessment and Acceptance of Industrial Products entre a União Europeia e Israel e coloca-se à sua disposição para o fornecimento de qualquer informação que considere necessária.

 

Com os nossos cumprimentos.

Comité de Solidariedade com a Palestina


Por samizdat, às 10:23 | comentar

Por que apoiamos o boicote a Israel : Noam Gur e Alon Gurman, refuseniks israelitas, explicam a sua posição


« A nossa dificuldade em reconhecer a realidade complexa da Palestina e de Israel vem da dificuldade que temos em reconhecer que há crimes que são cometidos em nosso nome, todos os dias, e isto, porque somos cidadãos israelitas ».

Nascemos cidadãos israelitas e por isso decidiu-se que devíamos carregar o peso do financiamento da ocupação. Ao longo do tempo, acabámos por compreender que enquanto esses crimes durarem eles serão cometidos em nosso nome e às nossas custas.

Por essa razão, chegámos à conclusão de que devíamos orientar os nossos esforços para por fim a esta situação, em vez de nos fecharmos em sentimentos fúteis de culpabilidade e de vergonha. Enquanto cidadãos de Israel (e enquanto judeus), foi-nos pedido que participássemos na ocupação – para além do nosso apoio financeiro –, juntando-nos ao exército israelita. Quando percebemos que ao juntarmo-nos ao exército israelita estávamos a apoiar a ocupação criminosa e a negação dos direitos fundamentais, individuais e colectivos, da nação palestiniana, decidimos tomar posição, publicamente, e recusar a ocupação e o apartheid israelita.

Pode pensar-se sensatamente que, devido a essa decisão, seremos postos na cadeia durante alguns meses antes de sermos finalmente libertados da obrigação do serviço militar. É o preço que escolhemos pagar para chegarmos ao fim do status quo no qual, a título pessoal, cooperamos com os crimes cometidos pelo Estado de Israel. A nossa recusa não acabará com a ocupação e o apartheid continuará provavelmente a prosperar, mas podemos conseguir sacudir um pouco o sistema e juntar a nossa crítica ao discurso público.

Mas não são apenas os israelitas que participam - activamente ou passivamente – na ocupação e nos crimes de guerra levados a cabo por Israel. Organizações potentes, com grandes interesses, alimentam a ocupação enviando dinheiro e dando o seu apoio político às acções de Israel; há empresas, negociantes de armas, organizações políticas extremistas e fanáticos vindos da América, da Europa e de outros lados. É com tristeza que dizemos que as administrações US continuam também a financiar os crimes de guerra de Israel. Mas nós podemos agir, juntos, pelo mundo fora, condenando o financiamento e a legitimação do governo de Israel e, no fim de contas, podemos chegar a por fim ao apoio internacional da sua política. Enquanto comunidade, podemos conseguir acabar com a normalização da ocupação.

Cabe a cada um de nós, evidentemente, escolher a melhor maneira de combater os crimes de Israel – mas neste momento, a política palestiniana deseja seguir o BDS – Boicote, Desinvestimentos e Sanções – dirigido contra as empresas e as instituições israelitas. O BDS é fruto de um apelo dos palestinianos, publicado em 2005, que se tornou o instrumento central da luta não violenta contra as violações israelitas dos direitos humanos.

Como dissemos acima, este movimento visa três objectivos com a sua luta não violenta :

 > a promoção do direito ao regresso dos refugiados palestinianos,
 > o fim da ocupação dos territórios palestinianos ocupados,
 > e o fim da discriminação contra os palestinianos que vivem em Israel.

Ver-se livre de uma ocupação faz parte de um processo delicado, complexo e de múltiplos aspectos, mas devemos todos participar nesse derrubamento. Nós, Noam e Alon, escolhemos, para nos vermos livres da ocupação, declarar publicamente a nossa recusa de servir no exército e ao mesmo tempo militar e apoiar o apelo palestiniano para o BDS.

Os cidadãos do mundo que têm a possibilidade de boicotar Israel devem reflectir sobre este apelo palestiniano e tentar juntar-se a ele – cada um de nós no seio da sua própria comunidade, no melhor da nossa competência – e não acreditar que uma condenação passiva da política de apartheid israelita possa ser suficiente. Devemos, pelo contrário, optar pela acção para por fim aos crimes de Israel”.

 

Publicado por : http://www.info-palestine.net/artic...

CAPJPO-EuroPalestine, 25 de Março de 2012

Traduzido pelo CSP


02
Abr 12
Por samizdat, às 14:56 | comentar

Desde a sua célula de uma prisão israelita, uma das figuras mais respeitadas da política palestiniana chamou no dia 26 a uma nova vaga de resistência civil na sua luta de há décadas pela independência.

 

“O lançamento de uma vasta resistência popular hoje serve a causa do nosso povo”, declarou Barghouti num comunicado que marcou o 10º ano da sua encarceração por Israel. “Parem de vender a ilusão de que existe uma possibilidade de pôr fim à ocupação e de construir um Estado por meio de negociações, depois de esta visão ter lamentavelmente fracassado”, disse ele numa mensagem lida perante uma multidão de apoiantes seus na cidade de Ramallah na Cisjordânia.

 

Apesar das suas múltiplas condenações a prisão perpétua, sob a acusação de ter organizado ataques mortíferos e atentados suicidas, Barghouti é considerado como um sucessor potencial do ex-presidente Mahmoud Abbas, que é também o chefe da Fatah. A sua liderança e o seu carisma foram considerados como uma força motriz na última Intifada contra a ocupação israelita, lançada no final de 2000.

 

As suas opiniões continuam a ter um impacto profundo na opinião pública palestiniana e ele goza de um vasto apoio entre todas as organizações palestinianas. Muitas pessoas consideram que Israel poderá, em algum momento, decidir libertar Barghouti.

 

O apelo à acção intervém num período muito explosivo na Cisjordânia ocupada por Israel desde a guerra de 1967 : o marasmo económico, uma diplomacia desfeita e o descontentamento popular claramente perceptível não auguram nada de bom para mobilizações pacíficas.

[…] As greves da fome de presos palestinianos detidos em Israel também são um sinal da ira popular.

 

Na sua alocução, Barghouti apelou a que “se pare imediatamente todas as formas de coordenação securitárias e económicas (com Israel) em todos os domínios”, coordenações que duram entre Israel e a Autoridade Palestiniana [de Ramallah], com altos e baixos, desde há anos.

 

A direcção palestiniana da Cisjordânia, ao mesmo tempo que dá um apoio verbal às manifestações e que procura o reconhecimento em vários órgãos das Nações Unidas, tudo fez até agora para evitar um confronto político [com o ocupante israelita].

 

Depois de o governo de Abbas ter conseguido uma pequena vitória ao persuadir o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra a investigar a política de colonização de Israel, Barghouti defendeu medidas mais draconianas.

 

Também apelou a uma « renovação dos esforços » para se chegar ao reconhecimento de um Estado palestiniano no Conselho de Segurança, uma iniciativa que fracassou no ano passado, quando Washington apoiou a posição israelita, rejeitando a resolução como um meio de contornar as negociações.

 

Barghouti declarou que os palestinianos deveriam em alternativa, submeter a sua reivindicação de um Estado à Assembleia Geral ou perante outros organismos, aludindo a fóruns nos quais os palestinianos dispõem de um apoio maior.

 

Fonte : http://www.maannews.net/eng/ViewDet...
Tradução adaptada de CAPJPO-EuroPalestine 30.3.12


21
Mar 12
Por samizdat, às 23:30 | comentar

Um discurso pronunciado em Beit Ommar, perto de Hebron, no sábado passado.
Traduzido do francês, do site de CAPJPO-Palestine


Desobediência civil
por Nurit Peled-Elhanan, 10.3.2012

Gostaria de dedicar as minhas palavras à memória de um garoto de cinco anos, Milad, sobrinho de Wael Salame, um dos membros fundadores do movimento dos Combatentes para a Paz, que morreu num autocarro em chamas no cruzamento do colonato judeu de Adam. Os residentes desse colonato não enviaram nenhuma equipa de socorro e recusaram enviar ambulâncias. Ninguém os levou a tribunal. Ninguém os julgou e ninguém os deteve.

A indiferença dos ladrões de terras perante o destino de crianças muito novas queimadas vivas às portas das suas casas não fez as capas de nenhum diário nem de nenhum noticiário televisivo. A razão está em que este comportamento racista dos israelitas não é nenhum scoop! Pelo contrário, ele tem sido a norma desde há mais de 60 anos. Ele faz parte da educação das crianças de Israel. Foi assim que fomos todos educados, na escola, em casa, nos movimentos de juventude, pela literatura, o teatro, a arte e a música.

Mais de vinte leis racistas instauradas no ano passado praticamente sem oposição, a não ser a das suas vítimas, não nos deram uma chicotada como um relâmpago na luminosidade de um céu de verão. Essas leis são a expressão mais impiedosa do establishment entre as normas implementadas há quatro gerações. Já em 1948, o poeta Natan Alterman tinha denegrido a apatia do público israelita perante esses "incidentes delicados", cujo verdadeiro nome, acessoriamente, é o assassínio.

O parlamento israelita actual rasgou simplesmente a máscara que dissimulava o rosto do Estado ao reiterar as suas alegações, segundo as quais não haverá mais pretexto. Há décadas que o projecto sionista de colonização e da judaização da Terra de Israel exigiu a eliminação dos palestinianos de uma maneira ou de outra, seja pela lei seja pela espada, e já não há nenhuma necessidade de dissimular esses objectivos supremos e de os disfarçar com palavras vazias a propósito de democracia ou de segurança ou de direitos históricos. Todos nós nos mobilizámos, voluntariamente ou involuntariamente, no projecto de judaização da terra e todos nós aprendemos, desde que somos capazes de aprender, a necessidade absoluta de um Estado judeu com uma maioria judaica na terra de Israel. E a terra de Israel, como todos sabemos, inclui o Estado de Israel, os Territórios palestinianos e ainda muito mais.

Não existe nenhum mapa de Israel que se chame "o Estado de Israel". Todos os mapas têm por nome "a Terra de Israel". Já há três ou quatro gerações de crianças israelitas que estudaram em livros contendo mapas que mostram os Territórios palestinianos como sendo parte da Terra de Israel; desprovidos de cores, vazios de instituições e vazios de população; uma antiga terra que espera e aspira a ser colonizada por judeus - ou pelo menos por não árabes.

As crianças israelitas aprendem desde há gerações que os seus vizinhos e os cidadãos de Israel e os súbditos do Estado de Israel privados de direitos humanos são apenas um problema demográfico terrificante ou uma ameaça à segurança. Essas mesmas crianças tornaram-se entretanto adultas, o seu sentido da justiça e da fraternidade humana foi enfraquecido pela educação racista e elas foram levadas ao poder e tornaram-se hoje os políticos e os generais que agora declaram abertamente e com a arrogância dos donos todos-poderosos o que outrora foi dissimulado com hipocrisia: o outro rosto do projecto de judaização é a eliminação do povo palestiniano, seja ela com balas de borracha ou com balas sem borracha, com bombas ou com leis. Tal é o princípio fundamental dos estados dos kibbutzim judaicos: cada membro da comunidade obriga-se a contribuir para o projecto sionista em função das suas competências e das necessidades.

Nos anos mais recentes, o projecto de judaização tomou proporções nunca alcançadas, principalmente devido ao apoio não disfarçado e incondicional dos Estados Unidos e dos países ricos da Europa.

Em 2009, o Tribunal Russell sobre a Palestina foi constituído com o objectivo de exigir que os Estados europeus deixassem de ser parceiros no crime de um Estado ocupante e assim, talvez, de evitar uma terceira guerra mundial. Em Outubro de 2011, o Tribunal, sediado simbolicamente na cidade do Cabo, julgou que Israel estabeleceu e institucionalizou um regime de dominação, assimilado a um regime de apartheid tal como ele é definido pelas leis internacionais. Israel pratica a discriminação e a eliminação contra uma nação inteira com critérios racistas e métodos sistemáticos e institucionalizados e, por conseguinte, qualquer colaboração com Israel deve terminar.

A definição legal do apartheid define uma situação na qual três factores coexistem:
1. Dois grupos raciais separados podem ser identificados.
2. Actos de "desumanidade" são cometidos pelo grupo dominante contra o grupo dos submetidos.
3. Esses actos são cometidos de forma sistemática com uma administração institucionalizada na qual um dos grupos é dominado por outro.

O Tribunal ouviu testemunhos sobre actos que constituem "actos de desumanidade" para com o povo palestiniano pelas autoridades israelitas.
 Controlo das suas vidas por meios militares
 Prisão arbitrária e detenções administrativas ilegais prolongadas
 Violações dos direitos humanos ao negar-se os seus direitos de participar na vida política, económica, social e cultural do Estado.
 Os refugiados palestinianos são impedidos de regressar às suas casas e as leis de Israel facilitam o confisco das suas propriedades e a negação dos seus direitos humanos.
 Os direitos civis e políticos dos palestinianos são negados e arbitrariamente limitados.
 Desde 1948, Israel manteve uma política de ocupação e de colonização e por conseguinte de expropriação das terras palestinianas.
 O cerco e o bloqueio da faixa de Gaza são considerados como um castigo colectivo para a população da região.
 O ataque de civis por meios militares em grande escala.
 A destruição de casas de civis sem nenhuma justificação de segurança.
 O grave dano causado à população civil pelo muro de separação na Cisjordânia incluindo Jerusalém oriental.
 A evacuação forçada e a destruição e a destruição das casas nas aldeias beduínas não reconhecidas do Neguev.
 As práticas sempre actuais de torturas e de maus tratos contra presos palestinianos nas prisões israelitas.
 As formas variadas de tratamento cruéis, desumanos e degradantes através das restrições de deslocações que fazem dos palestinianos objecto de humilhações pelos soldados israelitas, e das mulheres palestinianas obrigadas a dar à luz nos check-points; das demolições de casas como uma forma de tratamento desumano e degradante com consequências psicológicas graves sobre os homens, as mulheres e as crianças;
 O sistema legal israelita no seu conjunto estabelece um enorme fosso entre os judeus e os árabes. Esta legislação é claramente a favor dos judeus e mantém os árabes palestinianos numa situação de inferioridade.

Todos os elementos acima são definidos pelo Tribunal como crimes contra a humanidade. E o Tribunal estabeleceu que, contrariamente ao carácter evidente da legislação que tinha passado na África do Sul, o direito israelita é caracterizado pela ambiguidade e a inacessibilidade de muitas leis, ordens militares e regulamentos.
Mas sabemos que todas as leis e regulamentos do Estado de Israel, sejam eles ambíguos ou claros, têm por objectivo transformar o rosto desta terra, de uma bela e fértil terra do Médio Oriente, uma terra de verdes colinas, de romãs e azeitonas, num monstruoso conglomerado de colonatos de povoamento supostamente ocidentais, construídos à imagem dos seus residentes: repugnantes e brutais, o seu único objectivo é o de cobrir de asfalto, de aço e de betão todas as colinas que durante muito tempo resistiram às provações do tempo.
A única maneira de lutar contra essa tendência é a rejeição absoluta das leis racistas do Estado ditatorial judeu e especialmente ensinando às nossas crianças o seu direito democrático de dizer não ao mal, não à ignorância, não ao apartheid, não ao serviço no exército de ocupação e não à colaboração com a limpeza étnica.
Devemos recusar o próprio termo de Estado “judeu e democrático” e especialmente suprimir a conjunção “e”, que não é uma conjunção mas um “e” de prioridade. “Judeu” vem em primeiro lugar e só depois vem “democrático”; ou então é um “e” de condição, designando que o Estado só será completamente democrático quando for completamente judeu.
No entanto, vivemos num Estado que não tem absolutamente nada a ver com a democracia. Não crescemos na democracia, ninguém nos ensinou os valores da democracia, fomos educados a pensar que a exploração, a pilhagem, a discriminação e o massacre são a essência mais profunda da democracia. Mas também somos aqueles que têm necessidade de admitir abertamente que vivemos hoje e sempre temos vivido num Estado de apartheid que é um perigo para todos nós, um Estado que educa os seus rapazes e raparigas para uma violência sem limites, para a indiferença perante a agonia de crianças muito novas encurraladas num autocarro em chamas.
Se não fizermos isso, nós também seremos como os colonos de Adam, como os que abandonaram Omar Abu Jariban ferido à beira da estrada até ele morrer de sede, e nós também seremos jogados para a categoria dos criminosos de guerra. Se não agitarmos o estandarte da rebelião agora em muito poucos anos pessoas como nós - se conseguirmos manter-nos como somos - serão lançadas para campos de detenção ou prisões. A liberdade de palavra que já agora está perigosamente limitada será completamente eliminada, e então, como escrevia Sami Chetrit : « o poeta não escreverá mais versos, não cantará mais, já nem chilreará mais. »


Nurit Peled-Elhanan



13
Fev 12
Por samizdat, às 23:31 | comentar

ILAN PAPPE 06/02/2012

No final de 1980, decidi dar um curso sobre o conflito israelo-palestiniano na Universidade de Haifa. No fim do curso e de acordo com as suas preferências, os estudantes apresentaram as suas conclusões em forma de projectos ou trabalhos de investigação. Algum tempo depois, um desses estudantes - Teddy Katz -, nascido em Haifa e membro do kibutz Magal, decidiu continuar a investigar o destino de várias aldeias palestinianas – em particular a de Tantura – durante a guerra de 1948 e, em 1998, apresentou a sua tese de mestrado na Universidade de Haifa, obtendo como classificação um altíssimo 97% (e eu ter-lhe-ia dado um 100%). Das provas reunidas, Katz tirou uma série de conclusões, entre as quais a de que durante a ocupação de Tantura pelas tropas judaicas uns 225 palestinianos tinham sido assassinados: 20 tinham morrido durante a batalha e os restantes, civis e não civis desarmados, tinham sido executados depois da rendição da aldeia. Meses depois, em fins de Janeiro de 2000, Teddy Katz foi entrevistado por Amir Gilat, um jornalista do diário Ma'ariv. A reacção entre os veteranos da Brigada Alexandroni, responsável pela captura de Tantura, foi quase imediata: alguns deles recusaram admitir o massacre mas outros, juntamente com as próprias testemunhas palestinianas, confirmaram os dados recolhidos por Katz. Não passaria muito tempo até os veteranos da Alexandroni afectados pelos resultados desta investigação apresentarem contra Katz uma queixa por calúnias, reclamando dele por via judicial um milhão de shekels de indemnização.

Se se investiga a História de Israel contradizendo o discurso sionista, sofre-se represálias. A investigação pôs a descoberto a limpeza étnica de 1948.

Fortemente pressionado pela Universidade e também pela sua família, num momento de depressão que quase lhe custou a vida, Katz aceitou assinar uma carta de desculpa onde se retractava do que tinha publicado e onde admitia que em Tantura não havia ocorrido nenhum massacre, embora em seguida se tenha arrependido. A juíza Pilpel deu o caso por encerrado. A Universidade, no entanto, já tinha decidido o que fazer e os seus directores pediram a anulação da nota obtida, acusando não apenas Katz de ter inventado muitas das provas, mas também a mim por o ter apoiado. No entanto, depois de ter passado três dias e as respectivas noites a ouvir as gravações que tinha realizado Katz com os testemunhos e provas recolhidos, não me restava senão aceitar a arrepiante realidade dos monstruosos factos ocorridos em Tantura. A partir desse instante, compreendi claramente que a minha obrigação era defendê-los e dá-los a conhecer de todas as formas possíveis. Assim, fiz um resumo e coloquei-o no site da Universidade para que toda a gente pudesse lê-lo. Propus também que se convocasse um painel de peritos para discutir o tema e averiguar se tinha ou não havido um massacre. Mas a Universidade recusou – uma decisão que acabaria por provocar um boicote contra ela, em vez de reforçar a sua reputação no mundo académico.

Infelizmente, Ben Artzi e especialmente Yoav Gelber consideraram que a sua única obrigação era a de defender o sionismo esquecendo a História, de modo que ao desqualificar a tese de Teddy foi como se tivessem enviado uma mensagem a cada jovem investigador e a cada professor não titular, dizendo-lhes que se investigassem a história de 1948 de um modo que contradissesse o discurso sionista não chegariam a parte alguma. Foi então que descobri com horror até que ponto a minha própria Universidade tinha manipulado a História, ao fazer desaparecer não só os testemunhos dos sobreviventes das aldeias palestinianas arrasadas, mas também a evidência dos crimes cometidos durante a guerra de 1948. Naquela época – que coincidiu com o início da Segunda Intifada – as minhas críticas à Universidade somaram-se à minha aberta oposição às insensíveis políticas de Israel nos territórios ocupados: restrição de alimentos a comunidades inteiras, demolição de casas, assassinato de cidadãos inocentes – muitos deles crianças -, assédio contínuo nos checkpoints e, em geral, a destruição programada do tecido económico e social da vida nos territórios.

Foi assim que, submetido a um boicote de facto, me converti num pária dentro da minha própria universidade. Amigos e colegas cancelaram os convites para cursos e seminários que me tinham enviado antes de rebentar o caso Tantura, factos que punham a descoberto a brutal natureza da limpeza étnica realizada por Israel em 1948 e – o que era ainda mais importante – a sua estreita ligação com o processo de paz e qualquer possível solução do conflito. O meu compromisso e o meu empenho em difundir estes factos fizeram com que, seis meses depois de terminado o tema Katz, tivesse ganho a declaração de persona non grata na minha própria universidade e - como consequência - a primeira resposta de boicote académico a Israel por parte da Associação de Professores Universitários da Grã Bretanha (AUT segundo as suas siglas em inglês), não só em minha defesa – embora também.
Penso, sinceramente, que um boicote geral é necessário, porque existe o imperativo moral de terminar com a ocupação e só uma pressão exterior semelhante à que em seu tempo se exerceu sobre o regime do apartheid na África do Sul poderia talvez consegui-lo. O julgamento contra mim foi uma tentativa de utilizar um procedimento legal para livrar-se da minha pessoa e só fracassou devido ao apoio internacional que obtive. Nesse sentido, o boicote às universidades israelitas é parte de um crescente boicote do qual não se fala e que afecta desde os produtos até aos cantores israelitas. Se esse boicote se abateu sobre as nossas universidades, foi porque elas decidiram fazer parte da propaganda oficial, dessa elaborada publicidade que vende Israel como a única democracia do Médio Oriente e que em vez de exercerem o seu papel de guardiãs da democracia se transformaram em claque da ideologia governante. Não, não é possível ignorar tudo isto, sobretudo quando é feito em nosso nome.

Ilan Pappe é professor do Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade de Exeter, director do Centro Europeu de Estudos Palestinianos e co-director do Centro de Estudos Etno-Políticos (Exeter). Out of Frame (2010) é a sua biografia intelectual e este texto é uma síntese de dois dos seus capítulos. Traduzido pelo CSP a partir da tradução de Pilar Salamanca.


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Jan 12
Por samizdat, às 10:03 | comentar
Reproduzimos aqui um artigo de João Jordão, publicado em: http://casadasaranhas.wordpress.com
A Mudança de Paradigma Emergente na Percepção da Disputa entre Israel e a Palestina 

A Falsa Dicotomia

É demasiado frequente vermos as disputas interpretadas, e mais vitalmente, controladas,  através da aplicação, ou para ser mais preciso, imposição de uma falsa dicotomia. A palavra ‘falsa’ é usada neste contexto por duas razões. Primeiro, uma dicotomia é na maioria dos casos assente sobre uma série de simplificações grosseiras que não tomam em conta as similitudes que podem ter as duas posições aparentemente opostas. Em segundo, as dicotomias são na sua natureza divisivas e perpetuam desentendimentos que poderiam ser resolvidos através de uma compreensão mútua, ou melhor ainda, através de uma síntese que procura unir dois partidos previamente opostos sem, espera-se, comprometer em eloquência e precisão.

Pode-se dizer que nenhuma disputa na história moderna tem sido prolongada e mal representada através da imposição de uma falsa dicotomia de uma maneira tão grave como a disputa entre Israel e a Palestina. Somos supostos acreditar que esta disputa opõe dois eternos inimigos que têm pouca ou nenhuma vontade de chegar a um acordo. Mais ainda, e o mais importante, é que o conflito em questão é caracterizado pela existência de dois grupos aparentemente opostos, os dois dos quais alegam legitimidade de ocupação em relação ao mesmo pequeno território. A disputa territorial é um facto. A falta de vontade para chegar a um entendimento não o é. 


O Estado de Israel, o seu Propósito e os Resultados das suas Ações

É necessário a este ponto analisar a razão por detrás da imposição desta dicotomia. Somos supostos acreditar que o estado de Israel é um estado Judeu, o principio por detrás do qual é a tentativa de proporcionar um local de refúgio, e subsequentemente, proteção ao povo Judaico que tem através dos séculos sido negado um estado próprio e que tem também, sofrido discriminação e dificuldades continuas. Estes factos, este artigo não tentará por em questão. O que pode ser alvo de escrutínio é a que ponto é que o estado Israelita tem conseguido, e irá conseguir demonstrar a capacidade de cumprir a sua promessa de defender o povo Judaico. De modo a lidar com esta questão, podemos focalizar a nossa atenção em dois aspectos. As funções que são impostas aos cidadãos do estado de Israel, assim como a capacidade que o estado de Israel tem demonstrado para diminuir o sentimento de antissemitismo e de prevenir maios animosidade para com o povo Judaico no futuro.

Primeiramente, o estado Israelita é um dos, senão o estado mais militarizado no mundo. Impõe sobre os seus cidadãos, homens e mulheres, um período extensivo de serviço militar obrigatório, durante o qual os cidadãos em questão vão ser expostos a perigos consideráveis graças em parte à resistência Palestiniana, assim como a resistência de outros movimentos de resistência da parte dos seus países vizinhos. Note-se que os cidadãos sofrem multas ou mesmo períodos de cárcere se não se apresentarem ao serviço militar. Mais relevante ainda não é o perigo com os quais são confrontados graças às atividades de aqueles que se opõe ao estado Israelita que representam, ou através de eventuais multas ou cárcere às mãos do próprio estado; O mais preocupante é a medida em que as ações do estado Israelita provocam um acréscimo em antissemitismo e a representação corrupta que o estado Israelita fornece dos valores do povo Judaico e a sua religião. Esta representação negativa faz com que o próprio estado Israelita seja de facto o maior perigo para a segurança do povo Judaico, isto por causa dos perigos a que expõe a integridade física de grande parte contingente Judaico, assim como os danos consideráveis que causa à imagem do povo Judaico no seu todo.

 

O Aumento do Antissemitismo e o Estado de Israel 

O argumento central deste artigo, assim como a sua proposta central de como o conflito em questão deve ser conceitualizado, é portanto que o estado Israelita falhou escandalosamente na sua promessa de proporcionar um refúgio para o povo Judaico,  em grande parte por causa do perigo eminente a que expõe a sua população graças à sua natureza agressiva e militarizada, nomeadamente por causa da resistência armada que as suas ações expansionistas e opressivas cultivam nos povos vizinhos. Mais importante ainda, contudo, é de tomar em conta os efeitos negativos que as ações do estado Israelita impõe sobre o povo Judaico no seu todo; isto é graças ao facto incontestável que o estado de Israel é a mais potente fonte de sentimento antissemita no mundo moderno, e que o tem sido virtualmente desde a sua fundação violenta em 1948. É preciso notar também que o estado de Israel não falha uma oportunidade para equacionar as suas ações e valores com os do povo Judaico, o que demonstra ao mesmo tempo a sua natureza desonesta assim como a sua incrível incompetência no que toca à proteção do povo Judaico de perigo físico, assim como a sua incompetência no que toca a proteção do povo Judaico contra uma imagem denegrida no mundo inteiro.

Portanto é aqui proposto que de maneira a fazer com que a ‘resistência Palestiniana’ seja mais eficiente ela tem que, como movimento, por e simplesmente, deixar de se identificar e ser identificada como sendo exclusivamente Palestiniana. Isto é por causa do simples facto que ao adoptar tal nome, está a subjugar-se à armadilha de que foi vitima, nomeadamente ao deixar-se integrar numa falsa dicotomia que não representa a verdadeira natureza do conflito em questão. Como alternativa, o grupo de pessoas cada vez mais extenso que critica o estado de Israel e a sua opressão do povo Palestiniano tem que aceitar que a luta contra o estado de Israel é partilhado por uma grande parte dos cidadãos Israelitas, assim como um numero considerável de Judeus que não residem no estado de Israel, todos unidos na sua contestação pois todos são oprimidos pela natureza maliciosa do estado de Israel e a sua maquina de propaganda, assim como são oprimidos pelo seu complexo militar industrial selvagem, se bem que o são em dimensões diferentes e com resultados variados.

Temos portanto que resumir as posições adoptadas neste artigo, assim como a espinha dorsal da sua proposta, que é que a resistência contra o estado de Israel tem que orbitar em redor de um só principio, ou melhor ainda, de uma só síntese, para que como movimento possa ganhar em eloquência e subsequentemente, em eficiência. A síntese em questão pode ser articulada da seguinte maneira: O estado de Israel representa uma ameaça imediata para o povo Palestiniano e Israelita, e como tal é a própria antítese daquilo que prometeu ser, ao comprometer ainda mais a missão e princípios fundadores, a ambição de defender o povo Judaico. Ainda mais, as suas tentativas incessantes de afixar as suas ações ao povo Judaico no seu todo não é nada mais nada menos do que uma campanha de difamação injuriosa e prolongada contra o povo Judaico e o próprio Judaísmo, e portanto representa uma ameaça imediata contra a população Judaica no mundo inteiro. Também pode ser afirmado que o conceito de recomendar confinamento territorial (dentro das fronteiras do estado de Israel) como uma solução para garantir a segurança da população Judaica é altamente questionável de um ponto de vista estratégico, mas este é um assunto tão complexo e com precedentes históricos tão recorrentes que necessita de um outro artigo mais aprofundado para ser devidamente ilustrado, e portanto o presente artigo limita-se a esta breve alusão.

 

A Síntese da Terra Santa e a Guerra de Informação

A característica mais interessante do conceito aqui proposto é, espera-se, a sua veracidade, mas também as oportunidades interessantes que proporcionam para transcender e derrotar cabalmente a retórica repetitiva e vácua da maquina de propaganda do estado de Israel. Através deste conceito que tenta ilustrar as similitudes entre as posições da população Palestiniana, Israelita e Judaica, nomeadamente a ameaça imediata que o estado de Israel representa para as três, podemos neutralizar os argumentos que os sionistas mais utilizam para legitimar as ações do estado de Israel e descredibilizar os seus adversários. A primeira falsa alegação do estado Israel é que defende o povo Judaico de antissemitismo e violência, enquanto que na verdade faz o oposto. A segunda, é que enquanto acusa os seus adversários de antissemitismo, de facto é o próprio estado de Israel que é o agente de propaganda antissemita do mundo, pois não falha uma ocasião para justapor as suas ações com os valores e povo Judaico, enquanto que na realidade os seus valores e ações são o direto oposto da lei e valores Judaicos, enquanto que as suas ações como a constituição do estado de Israel também claramente são contraditórios com convenções e leis internacionais.

Ainda mais, as ações do estado de Israel comprometem a segurança do povo Judaico e só ajudam a denegrir a sua imagem colectiva. A este conceito este artigo chama ‘A Síntese da Terra Santa’, um titulo que representa que o que se procura ao resistir ao estado de Israel não é constrangido de forma alguma pelo partidarismo nem por divisões étnicas ou religiosas, mas sim por razões estritamente morais, nomeadamente a defesa dos cidadãos do mundo contra violência física e difamação injuriosa. Comunica, portanto, que a critica e resistência contra o estado de Israel não é somente uma defesa do povo Palestiniano, mas que é sim uma campanha da defesa da justiça social que não discrimina nem raça, nem nacionalidade, nem afiliação religiosa.

João Silva Jordão


29
Dez 11
Por samizdat, às 12:49 | comentar

A Veolia acaba de perder um novo contrato de 485 milhões de libras (cerca de 600 milhões de euros) em Londres, após uma campanha dos militantes BDS denunciando as violações do direito internacional pela empresa francesa.

A"West London Waste Authority" (WLWA) acaba de afastar a Veolia de um concurso para a gestão do lixo doméstico de 1,4 milhão de residentes dos bairros de Brent, Ealing, Harrow, Hillingdon, Hounslow e Richmond-upon-Thames.

Isto, depois de uma campanha de 6 meses levada a cabo por activistas da campanha BDS e uma petição assinada por 600 habitantes desse sector ocidental londrino, divulgando a maneira como a Veolia viola os direitos humanos e o direito internacional em Jerusalém e na Cisjordânia, nomeadamente através da recolha do lixo dos colonos para descarregá-lo em seguida nos locais onde vivem os palestinianos.

Mas também através da exploração das linhas de autocarros reservadas aos colonos e do recrutamento em Israel baseado em critérios racistas.

Este é o segundo contrato perdido pela Veolia, menos de 6 meses após o da municipalidade de Ealing em Londres, com um valor de 300 milhões de libras!

"E é o que espera todos os que colaboram com a política de ocupação e de opressão israelita", declarou Sarah Colborne, directora da Palestine Solidarity Campaign na Grã-Bretanha.

Fonte : http://www.palestinecampaign.org/index7b.asp?m_id=1&l1_id=4&l2_id=25&Content_ID=2312

CAPJPO-EuroPalestine, 23.12.2011


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