Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
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Jan 09
publicado por samizdat, às 10:11link do post | comentar

O artigo de Helena Matos no Público de 8 de Janeiro só pode causar náuseas, por constituir uma cortina de fumo informativa, a acrescentar às colunas de fumo causadas pelos bombardeamentos. A jornalista empenha-se em obscurecer a realidade essencial da actual campanha israelita contra a população de Gaza: a esmagadora maioria das crianças mortas no conflito israelo-palestiniano (numa proporção pelo menos de 1 para 100) são crianças palestinianas vítimas do fogo israelita. Este é um facto que nem Helena Matos poderá negar.

 

Por não poder negá-lo, limita-se a tentar ocultar a floresta com duas árvores - dois exemplos de há uns anos atrás em que crianças palestinianas terão sido vítimas de balas perdidas do próprio lado palestiniano. Não conhecemos o caso de Huda Ghaliya, que Helena Matos cita, e admitimos que seja verdadeiro. Um caso: para quantas crianças vítimas hoje, ontem e anteontem, amanhã e depois, do genocídio israelita?

 

Conhecemos sim, o outro caso que HM cita, o de Muhammad al-Durrah. HM também deveria estudá-lo e informar-se antes de escrever sobre ele. Com efeito, quando HM recorda "a imagem da criança tentando proteger-se sob o cadáver do pai", deveria saber que a imagem era do pai, vivo, tentando proteger a criança. Quem morreu foi a criança, o pai foi apenas ferido e sobreviveu ao tiroteio.

 

Quando HM critica os seus colegas jornalistas porque, afirma, "rapidamente espalharam esta imagem" e "não se deram ao trabalho de divulgar as investigações que provavam a sua manipulação", deveria saber que na altura não havia ainda qualquer investigação branqueadora do exército israelita. Pelo contrário, todos os altos responsáveis israelitas que se pronunciaram, admitiam os disparos israelitas como causa da morte do menino: o major-general Giora Eiland e o vice-ministro da Defesa Ephraim Sneh apresentaram desculpas; o primeiro-ministro Ariel Sharon, o major-general Moshe Yalon e o major-general Yom Tov Samia culparam o lado palestiniano, mas admitindo sempre que os disparos fatais tinham provindo do lado israelita.

 

Anos depois, a propaganda israelita decidiu pôr em causa os factos e lançou uma "investigação" que o diário liberal israelita Haaretz classificava como "bizarra", acrescentando que a sua "estupidez" saltava à vista. Mesmo o então chefe de Estado Maior do Exército, Shaul Mofaz, sentiu a necessidade de se demarcar publicamente da tal "investigação". Um outro oficial superior israelita, falando sob anonimato ao The Times, dizia que a "investigação" viera juntar mais "vergonha ao que foi um terrível acidente". Se HM quer fazer propaganda israelita, sem acrescentar "mais vergonha" ao caso, deveria documentar-se primeiro e ajustar a sua versão à dos genocidas que tanto admira – a de Sharon, de Mofaz, dos generais israelitas, não a de investigadores "bizarros" e "estúpidos".

 

Comité de Solidariedade com a Palestina

 

* Este texto foi enviado ao Público como Carta ao Director. O jornal não o publicou.


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