Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
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Jan 09
publicado por samizdat, às 21:47link do post | comentar

Artigo de  Chris McGreal, em Jerusalém
The Observer, 4 de Janeiro de 2009

[...] Depois da derrota da invasão do Líbano em 2006 -  um desastre não só militar para Israel, mas também político e diplomático - o governo em Telavive passou meses a preparar internamente e no estrangeiro o assalto a Gaza, com o lobbying calmo e enérgico de administrações e diplomatas estrangeiros, em particular na Europa e partes do mundo árabe.

Uma nova direcção de informação foi constituida para influenciar os media, com algum êxito. E, quando o ataque começou, há uma semana atrás, uma maré de diplomatas, grupos de lobbys, bloggers e outros apoiantes de Israel foi desencadeada para divulgar um pacote de mensagens centrais cuidadosamente fabricadas com a intenção de assegurar que Israel seria visto como a vítima, mesmo se o bombardeamento matou já mais de 430 palestinianos na semana passada, entre os quais pelo menos um terço são civis ou polícias. [...]

Dan Gillerman, embaixador de Israel na ONU até alguns meses atrás, foi trazido pelo ministério dos Negócios Estrangeiros para ajudar à condução da campanha diplomática e de relações públicas. [...] «Isto foi uma coisa planeada há muito tempo», disse ele. «Fui recrutado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros  para coordenar os esforços de Israel e nunca vi todos os lados de uma máquina muito complexa - seja o ministério dos Negócios Estrangeiros, o ministério da Defesa, o gabinete do primeiro-ministro, a polícia ou o exército - que trabalharam em coordenação e com eficiência para divulgar a mensagem».

Em reuniões em Jerusalém e Londres, Bruxelas e Nova Iorque, as mesmas mensagens centrais eram repetidas: que Israel não tinha outra escolha senão atacar como resposta à chuva de roquetes do Hamas; que o ataque seria sobre «a infraestrutura do terror» em Gaza e os alvos seriam principalmente os combatentes do Hamas; que civis iriam morrer, mas porque o Hamas esconde os seus combatentes e armas no meio das pessoas comuns. [...]

Nas primeiras horas do ataque, Israel repetiu as mesmas mensagens para o mundo inteiro. Livni e o ministro trabalhista da Defesa, Ehud Barak, foram copiosamente citados nas televisões internacionais. A direcção de informação nacional do governo fez tudo para dirigir a atenção dos media internacionais para os 8.500 roquetes lançados de Gaza sobre Israel durante os últimos oito anos e os 20 civis que eles mataram, desviando-a do bloqueio de Gaza e dos 1.700 palestinianos mortos em ataques militares desde que os colonos judeus foram retirados de Gaza há três anos. [...]

Enquanto Israel acusa o Hamas de arriscar a vida de civis ao esconder a infraestrutura de terror em bairros comuns, muitos dos alvos dos mísseis israelitas são esquadras de polícia e outros edifícios públicos que dificilmente podem ser construídos noutro lugar.

Israel afirma que o Hamas quebrou o cessar-fogo de Junho que Telavive estava disposto a manter. «Israel é o primeiro a querer acabar com a violência. Não estamos à procura disto. Não havia outra opção. A trégua foi violada pelo Hamas», disse Livni.

No entanto, outros dizem que a trégua foi posta em perigo em Novembro, quando o exército israelita matou seis homens armados do Hamas num raid a Gaza. Os palestinianos lembram-se que eram as eleições nos EUA, o que fez com que o resto do mundo não tenha notado o que se passou. O Hamas respondeu lançando uma vaga de roquetes em Israel. Mais seis palestinianos morreram em outros dois ataques israelitas que se seguiram na semana seguinte. [...]


publicado por samizdat, às 16:15link do post | comentar

As agências noticiosas acabam de divulgar a notícia do bombardeamento, pela força aérea israelita, duma escola da ONU em Gaza. Segundo as primeiras informações, há pelo menos 40 mortos e um número indeterminado de feridos, provocados pelos estilhaços das granadas utilizadas no bombardeamento. Com esta nova carnficina, eleva-se a mais de 600 o número de baixas, em grande parte civis e em grande parte crianças, causado pela invasão de Gaza.

 

Os propagandistas da invasão deverão agora explicar se também a ONU estava a esconder armamento na sua escola, como o Hamas, alegadamente, o tem feito em escolas, hospitais e mesquitas. E deverão explicar se as dezenas de civis refugiados nessa escola, mais uma vez, estavam a ser utilizados como “escudos humanos”, agora pela ONU.

 

A verdade, nua e crua, é que toda a população civil de Gaza é alvo do genocídio israelita. Quando cinicamente se acusa os combatentes do Hamas de estarem misturados com a população é inteiramente verdaede: estão misturados, como em tempos os combatentes judeus estavam misturados com a população do Ghetto de Varsóvia. Nem têm mais nenhum lugar para onde ir, senão para o meio do povo que tentam defender e que os apoia inteiramente.

 

Perante mais este massacre, o Comité de Solidariedade com a Palestina renova o seu apelo à participação de todos e de todas na manifestação convocada pelas mais diversas organizações políticas, sindicais e humanitárias, na 5ª feira, às 18 h, diante do check point que a embaixada israelita instalou na rua António Enes, ao Saldanha, um colonato israelita no coração de Lisboa.

 


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