Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
20
Ago 09
publicado por samizdat, às 21:47link do post | comentar
Por Nisreen & Dayna

Enquanto toda a gente está chocada pelo tiroteio contra o centro juvenil gay de Tel Aviv na semana passada, que resultou na morte de dois jovens, as lésbicas e os gays palestinianos vêem-se obrigados a enfrentar ao mesmo tempo a homofobia de rua e os dirigentes racistas da comunidade gay israelita, que recusam uma tribuna aos oradores palestinianos, incluindo o antigo deputado do Knesset Issam Machool e a representante da Aswat - Grupo de Mulheres Gays Palestinianas, sedeado em Haifa. Segundo os organizadores, e nas suas próprias palavras "eles não podem ir tão longe"!!!!

O que querem eles dizer com "ir tão longe"?!!!!

Enquanto no mundo a lenda do país democrático do Médio Oriente continua a apregoar-se a propósito da tolerante Tel Aviv que fornece refúgio aos gays palestinianos em fuga perante a sua sociedade e as suas famílias, acontece que a a comunidade gay palestiniana e os seus apoiantes são deliberadamente excluídos dos eventos públicos e especificamente da manifestação de solidariedade anti-homofóbica realizada na Praça Rabin.

Embora o palco estivesse cheio de políticos, alguns dos quais são conhecidos como homofóbicos, a maioria da comunidade gay em Israel acredita que a sua luta não tem nada a ver com "política", é isto que explica a necessidade premente da "paz social", sobre a qual falaram activistas gays e vítimas, por contraste com a outra paz, a paz supostamente "má", a paz proibida!!!

Viver numa zona de conflito em que pessoas matam e morrem todos os dias e onde a violência está por todo o lado torna as pessoas menos sensíveis à violência de género, ao assassínio de mulheres, à xenofobia, aos racismo e às vidas dos outros. É assim que mil pessoas ou mais podem ser mortas em menos de um mês em Gaza e toda a gente se cala.

Ao passo que a sociedade israelita, incluindo a comunidade gay, decidiu ignorar o agravamento do ódio e violência internos induzidos pela ocupação e pela sua violência, esta continuou a intensificar-se e a contaminar outros. Em vez de encarar esta situação complicada e problemática, os dirigentes da comunidade gay decidiram excluir os gays palestinianos e seus apoiantes e fechá-los num armário - é o processo mais fácil e anda de mãos dadas com a lenda que eles criam e promovem.

O ponto alto do evento foi a presença do presidente israelita Shimon Perez, em demonstração de solidariedade com a comunidade gay. Apesar do seu anterior curriculum homofóbico, ele veio reforçar, com a sua frase sobre "somos a nação do não-matarás",  a cegueira pública sobre a matança em massa de palestinianos que frequentemente ocorre e frequentemente cometida por esta nação. Acresce que a sua mensagem publicamente enxovalha outras nações da região e do mundo.

Para os gays palestinianos que vivem e lutam pelas suas vidas sob a ocupação, Tel Aviv não é um refúgio alternativo ou seguro. Os poucos que conseguem chegar a Tel Aviv acabam a viver e a trabalhar nas ruas, depois de terem sido vítimas da propaganda israelita que usa os casos deles para promover esta imagem.

Na verdade, para a comunidade gay israelita e seus dirigentes, os gays palestinianos, incluindo os que são cidadãos de Israel, são excluídos e não são benvindos. Preferem mantê-los no armário, para continuarem a contar a lenda à sua maneira. Se dependesse deles, colocá-los-iam sob a Hijab, sendo que a imagem da Hijab no Ocidente é a falta de direitos humanos, de direitos das mulheres e de direitos dos gays nos países não-ocidentais. Assim, eles são os únicos que podem dizer como são os gays e lésbicas palestinianos e terão uma boa desculpa para atacar e ocupar os seus países e sociedades acreditando que são os protectores das liberdades!!!!!

Pelo nosso lado, acreditamos que a homofobia equivale ao racismo, que ódio é igual a ódio e assassínio igual a assassínio, mas a maioria da comunidade gay israelita preferiu não ver a ligação e ignorar outros tipos de violência que abundam na sociedade israelita. A matança quebrou a imagem idílica dos gays no Médio Oriente, e em consequência criou uma vaga de solidariedade internacional. Ao ver toda esta gente a sair à rua em solidariedade, interrogamo-nos sobre a mensagem desta reacção de solidariedade: chora-se a perda da imagem irreal do paraiso gay no Médio Oriente ou apela-se a levantar a voz contra a homofobia que infecta todas as socieades do mundo??!!!

Nisreen Mazzawi – Activista feminista, pela paz e pela justiça social e ambiental

12
Ago 09
publicado por samizdat, às 23:55link do post | comentar

Ezra  Nawi, militante israelita dos direitos humanos arrisca-se a uma pena de prisão por ter tentado impedir a destruição de casas de beduínos palestinianos no sul de Hebron, como vemos neste vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=ysIaQUJWBdk

Segundo o juiz que está a julgá-lo, Ezra Nawi «estava a empurrar as pessoas para dentro das suas casas enquanto as encorajava a censurar a polícia militar, encorajava outros a deitarem-se em frente do bulldozer, deitando-se ele próprio em frente do bulldozer e entrando nas barracas evacuadas, já depois de o bulldozer ter iniciado a demolição».

O juiz concluiu que «os actos e comportamento do réu constituem sérias interferências com o objectivo de perturbar a paz».

 

Fonte: Jewish Voice for Peace


10
Ago 09
publicado por samizdat, às 23:09link do post | comentar

As organizações abaixo-assinadas condenam energicamente o atentado contra o centro de atendimento à comunidade gay de Tel-Aviv. O atentado terrorista de Tel Aviv não é simplesmente a iniciativa dum grupo fascista-sionista marginal e isolado, e sim o produto de toda a política genocida que vem sendo promovida pelo apartheid israelita. Um país que baseia a sua existência nas regras do apartheid e que submete outro povo a uma cruel ocupação inevitavelmente desenvolve, na própria nação opressora, o vírus da discriminação contra as suas próprias minorias. Essa discriminação tomou agora uma forma violenta e assassina.

 

Assinam:

 

- Comité de Solidariedade com a Palestina

- MICA-me

- Não te Prives

- Opus Gay

- Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGayTransfobia

- Vidas Alternativas


03
Ago 09
publicado por samizdat, às 18:29link do post | comentar

Um artigo de Jonathan COOK

 

«A expressão entusiástica do apoio a Israel nas reacções e comentários publicados nos sites de internet, nos fóruns, blogs, twitter e facebook parecem não ser tão espontâneos como se quer fazer crer.

O ministro israelita dos Negócios Estrangeiros criou uma equipa especial e secreta de assalariados, cujo trabalho consiste em navegar na internet 24 horas sobre 24, a fim de divulgar a boa palavra. […] A existência de uma 'máquina de guerra' no ecrã foi revelada pela publicação do orçamento anual do ministério dos Negócios Estrangeiros. Cerca de 150.000 dólares foram afectados para a primeira fase do seu desenvolvimento, enquanto se espera fundos mais importantes para o próximo ano.

A equipa em questão estaria sob a direcção de um vasto serviço dependente da «hasbara», literalmente «explicação pública», que significa mais prosaicamente propaganda. Isto não inclui apenas o trabalho de relações públicas do governo, mas acordos mais secretos concluídos entre o ministério e uma série de organizações e de iniciativas privadas que promovem a imagem de Israel na imprensa, na televisão e na internet.

Numa entrevista dada em Julho ao Calcalist, jornal económico israelita, Shturman, director adjunto do departamento da propaganda («hasbara») no ministério, admitiu que a sua equipa trabalhava clandestinamente. 'As nossas pessoas […] falarão como se fossem internautas e cidadãos, escreverão respostas que parecerão pessoais, mas que se basearão numa lista de mensagens já preparadas pelo ministério dos Negócios Estrangeiros'.

Rona Kuperboim, journalista do Ynet, o site de informação israelita mais popular, denunciou esta iniciativa que prova, na sua opinião, que Israel se tornou num Estado totalitário. 'Boas relações públicas não podem tornar a realidade dos territórios ocupados mais agradável. Crianças são mortas, casas são bombardeadas, famílias esfomeadas'. […]

'Durante a operação Chumbo derretido, recorremos às comunidades judaicas do estrangeiro e com a sua ajuda recrutámos alguns milhares de voluntários que se juntaram aos voluntários israelitas', disse Shturman. 'Demos-lhes o material básico e o da 'hasbara', e mandámo-los representar o ponto de vista israelita nos sites e nas sondagens da internet'. […] Shturman precisou que durante a guerra o ministério tinha concentrado os seus esforços nos sites europeus, onde o público era mais hostil à política israelita. No topo da lista dos sites visados por este novo projecto estão a BBC Online e os sites árabes.

A nova equipa deverá aumentar a coordenação estreita do ministério com um grupo privado de apoio, giyus.org ('tragam a Israel o vosso apoio unido'). Estima-se que cerca de 50.000 pessoas farão download do programa Megafone, que envia um sinal de alerta para o computador sempre que um artigo criticando Israel é publicado. Têm então que bombardear o site em questão de comentários pró-israelitas. [...]

Jonathan Cook é escritor e jornalista e vive em Nazaré. O seu site: www.jkcook.net


01
Ago 09
publicado por samizdat, às 23:38link do post | comentar | ver comentários (1)

A maioria das tâmaras israelitas que invadem actualmente os mercados em vésperas do ramadão são produzidas nos colonatos do vale do Jordão, na Cisjordânia, nas terras dos palestinianos, com a sua água e o seu suor. Aqueles que consomem dessas tâmaras encorajam a colonização israelita.

Nesta época do ramadão, Israel dirige-se especificamente aos pequenos comerciantes que fornecem as tâmaras à comunidade muçulmana. Essas tâmaras, maiores e mais escuras que a maioria das outras, podem apresentar-se sob diferentes marcas e com várias origens.

As variedades "Medjoul" et Deglet Nour" são conhecidas sob as marcas Bat Sheva, Carmel, Jordan Plains ou Jordan Valley. As variedades "Hayani" e Bahri" vêm a maior parte das vezes com o rótulo King Solomon e Jordan River.

Essas tâmaras provêm de colonatos do vale do Jordão, depois de a maioria da população palestiniana ter sido expulsa da região e de aqueles que ficaram serem muitas vezes obrigados a fazer-se explorar pelas empresas israelitas Carmel, Agrexco, Hadiklaim que mantêm o apartheid.

Assim, no mês passado, o exército israelita demoliu as aldeias de Ras al-Ahmar e Hadidiya no vale do Jordão. Destruiu ou confiscou os meios de acesso à água, dos quais os camponeses dependem para sobreviver, trabalhando as poucas terras que lhes restam. Por consequência, muitos são obrigados a trabalhar ou a enviar os seus filhos trabalhar nos colonatos.
Aí, passam várias horas em cima das palmeiras de 10 a 12 metros de altura sem poder descer para ir à casa de banho. Debaixo do sol ou abanados pelo vento, incomodados por insectos ou escorpiões, e por vezes cobras, têm de ficar agarrados por um braço e trabalhar com o outro sem interrupção para preencher as suas cotas. Se se queixam ou não respeitam as quotas, perdem o trabalho e os recursos das suas famílias.

Os israelitas preferem empregar crianças, mais lestes para subir à árvores. Mais fáceis de enganar, elas são pior pagas e muitas vezes vigarizadas. A extrema pobreza dos palestinianos obriga-os a tirar os seus filhos da escola para alugá-los aos colonos.

Quase 80% das tâmaras israelitas são exportadas, principalmente para a Europa.
E, como sabem, os nossos governos fecham os olhos, apesar das resoluções da ONU, das convenções de Genebra, e apesar dos apelos ao boicote da sociedade palestiniana e dos militantes israelitas contra a colonização.

Mas nós não queremos comer desse pão. Vocês também não, pois não? Existem tâmaras suficientes produzidas por outros países para fazermos este gesto de recusa e explicar o seu sentido aos comerciantes. Nenhuma desculpa para aqueles que fecharem os olhos. Esses não poderão dizer que não sabiam.


Fonte: CAPJPO-EuroPalestine, 30.7.2009


publicado por samizdat, às 10:20link do post | comentar | ver comentários (2)

A versão integral da resposta ao editorial de Nuno Pacheco, elaborada para envio ao Público, foi cortada por nós próprios, para evitar que os cortes fossem deixados ao critério do jornal. Ela aqui fica, portanto, confiando nós em que a versão mais curta seja dada à estampa no Público dentro dos próximos dias.


No seu editorial "O absurdo boicote pedido a Cohen contra Israel" (31.Jul.2009), Nuno Pacheco põe em dúvida a eficácia de um boicote como forma de isolar Israel internacionalmente. Pacheco começa por descrever como "absurda" a escolha de Leonard Cohen como alvo do pedido de boicote a Israel por este ser de origem judaica (budista de religião). Convém dizer que o primeiro apelo a Cohen foi feito por um grupo de judeus no Reino Unido, pedido esse que seria reforçado mais tarde por israelitas e palestinianos contrários à política de apartheid israelita. Esta campanha adopta princípios universalistas, reflectindo a pluralidade dos seus apoiantes. 

Leonard Cohen não foi o primeiro, nem será o último artista ao qual o Comité de Solidariedade com a Palestina pedirá que não branqueie os crimes israelitas - uma campanha que  já conta com apoio de figuras ilustres como o veterano activista anti-apartheid Desmond Tutu, o presidente da assembleia geral da ONU, Miguel d'Escoto Brockman e Roger Waters, dos Pink Floyd, entre outros. O boicote cultural é somente uma vertente numa esforço amplo que pretende isolar Israel internacionalmente. Há décadas que os governos ocidentais têm protegido Israel de qualquer responsabilização pelos crimes que comete contra os palestinianos. Israel vive à margem do direito internacional, violando mais resoluções da ONU que qualquer outro país. Quando os nossos governos aceitam tal impunidade, tal como colaboraram anteriormente com o apartheid sul-africano, a responsabilidade recai sobre nós, cidadãos comuns. 

O movimento global de boicote, desinvestimento e sanções (BDS) contra Israel já celebrou algumas vitórias. Por exemplo, em Janeiro passado o sindicato de estivadores sul africano recusou-se a carregar ou descarregar navios israelitas. No Reino Unido, centenas de académicos votaram para aderir a um boicote a instituições académicas israelitas, cúmplices da ocupação. Mais, na França e nos Estados Unidos há campanhas em curso de boicote a produtos israelitas, especialmente aqueles que são provenientes de colonatos. Alguns fundos de investimento retiraram o seu capital de companhias que colaboram com a indústria israelita da ocupação, como é o caso da Igreja Anglicana britânica.

É absurdo o raciocínio de Pacheco quando este diz que um concerto de Paul Simon na África do Sul em 1992, com o sistema de apartheid ainda vigente mas quase derrotado, ajudou mais do que a própria campanha internacional realizada durante mais de duas decadas e ouvida por milhões de pessoas em todo o mundo. O apelo de Marlon Brandon por exemplo, para que os seus colegas não se deslocassem à África do Sul, enviou a mensagem de que o racismo não pode ser normalizado. A este tipo de acção juntaram-se acções mais concretas como cortes de relações económicas e sanções. No seu conjunto, estas acções ajudaram a derrotar o apartheid e provaram que solidariedade com os oprimidos, em alguns casos, é mais eficaz com actos deste tipo.

No que diz respeito ao exemplo de Pacheco sobre Portugal, a sua lógica falha outra vez. Não houve um boicote internacional de artistas contra o fascismo português, e por isso não podem ser criticados artistas como Chico Buarque, que sempre cá vieram em atitude solidária com a resistência anti-fascista. Sabe-se que o fascismo português caíu sem essa campanha, mas não se pode afirmar que a campanha teria sido inútil. O facto é que a campanha não exisitu e não tivemos a oportunidade de testemunhar os seus efeitos. No caso da África do Sul, onde a campanha existiu, ela ajudou a acabar com o apartheid.

Portugal juntou-se finalmente ao movimento global de boicote, desinvestimento e sanções (BDS) contra Israel que começou em 2005 depois de um apelo feito por uma parte importante da sociedade civil palestiniana.  A campanha de agora em diante só vai crescer a nível global, nomeadamente agora que Israel tem o governo fascista de Netanyahu-Liebermann a defender abertamente a limpeza étnica de palestinianos. A equipa de futebol israelita Bnei Yehuda joga em Portugal no dia 6 de Agosto contra o Paços de Ferreira. Lá estaremos outra vez como parte da campanha "Kick Apartheid Out of Football". Acções de solidariedade não-violentas como estas devem sem encorajadas. Não esperemos resultados imediatos: a campanha sul-africana requereu persistência. Leonard Cohen pode não ter cancelado o concerto em Israel, mas a história será o melhor juíz nestes casos.

Ziyaad Lunat

Comité de Solidariedade com a Palestina


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