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07
Jul 10
publicado por samizdat, às 13:26link do post | comentar

O quotidiano na Palestina

Fonte: CAPJPO-EuroPalestine, publicado em 6-07-2010

 

Enquanto que a comunicação social nos fala de «aligeiramento» do bloqueio a Gaza por Israel, eis uma lista das agressões cometidas numa única semana pelo exército e o governo israelitas.

Relatório do PCHR sobre as violações israelitas dos direitos humanos entre 24 e 30 de Junho de 2010:

 

1 – Medidas que visam à criação de uma maioria demográfica judia em Jerusalém

Esta semana, fontes israelitas revelaram que o Comité de Organização e Construção do distrito israelita tinha aprovado a construção de 1.400 quartos de hotel perto do sector de Jabal al-Mukabber, em Jerusalém-leste. Segundo Channel 10, televisão israelita, o Comité aprovou essa construção na zona de Armon Hanatziv.

Sábado 26, à noite, dezenas de colonos israelitas armados atacam a casa de Mohammed Abu Nab, em Silwan, a sul da cidade velha de Jerusalém, para tentarem apoderar-se dela, mas vários palestinianos conseguiram afastá-los. Domingo 27, colonos invadem o bairro de al-Rajabi à Silwan. Põem-se a atirar pedras sobre as casas palestinianas. Em reacção, civis palestinianos juntam-se e tentam expulsar os colonos do sector. Imediatamente os colonos abrem fogo, atirando ao acaso, e chamam o exército. Quando este chega, põe-se também a atirar para as casas e a lançar granadas lacrimogéneas. Muhammad Mahmoud al-Qawasmi, 17 anos, é ferido por um corpo de granada num olho (vindo a perdê-lo). Onze civis, entre os quais uma mulher grávida e várias crianças, sofrem do gás lacrimogéneo respirado ou das equimoses devidas a pancada.

Terça-feira 29, um bulldozer da municipalidade israelita de Jerusalém, escoltado por FOI, monta barragens de areia nos sectores de Um al-Seksek e de al-Za’farana, na aldeia de al-Eissawiya, em Jerusalém-leste, apropriando-se de pelo menos 200 dunums (20 ha) de terra a favor do Departamento para a protecção dos parques nacionais israelitas. Também no mesmo dia, a municipalidade israelita de Jerusalém ordena a demolição da casa de Mohammed Ali Salah, em Beit Safafa, no sul de Jerusalém, argumentando que ele tinha reconstruído o telhado da sua casa com telhas.

Nesse mesmo dia, ainda, Mohammed Ahmed Salah recebia uma decisão oficial do Departamento de acção israelita, relativa a 120 carneiros que lhe foram confiscados há cerca de seis meses porque ele não tinha pago os direitos exigidos por um tribunal no caso da evacuação de uma casa que pertencia à sua família.

 

2 – Actividades de colonização e agressões dos colonos contra os palestinianos e os seus bens

Terça-feira 29, por volta das 13h, as FOI entregam 12 notificações a palestinianos com ordens para pararem os trabalhos de construção de 10 casas e 2 prédios agrícolas, na aldeia de al-Buri, com o argumento de que eles estavam a ser feitos sem autorização israelita. Essas construções estão situadas a cerca de 500 metros do muro de anexação:

casa de 200 m² pertencente a Hussein Isma’il al-Talahma,

casa de 110 m², Mos’ab Saleh al-Talahma,

casa de 120 m², Khalil Isma’il Masharga,

casa de 200 m², Ziad ‘Eissa al-Talahma,

casa de 110 m², actualmente em construção, Nidal Bassem al-Talahma,

casa de 160 m², em construção, Adnan Hussein al-Talahma,

casa de 200 m², em construção, Khalil Hussein al-Talahma,

casa de 220 m², em construção, Jamal Mohammed Masharqa,

casa de 250 m², em construção, Maher Mohammad Masharqa,

casa de 220 m², em construção, Munther Mohammed Masharqa,

prédio agrícola de 1 000 m², Fahmi Ahmed Masharqa,

prédio agrícola de 260 m², Isma’il Ahmed ‘Awawda.

 

3 – Incursões nas zonas palestinianas e agressões contra os palestinianos e os seus bens na Cisjordânia e na faixa de Gaza

Quinta-feira 24

- Belém: por volta da 1h da manhã, as forças de ocupação israelitas (FOI) fazem irrupção no campo de refugiados de Deishé, revistam a casa da família de Abdallah Nayef Ramadan, 24 anos, e prendem-no.

À mesma hora, entram em Al-Ebayat, e revistam a casa da família de Awad Mohammed Ebayat, 41 anos, e prendem-no.

Ramallah: incursão em Surda, no norte de Ramallah, o exército patrulha as ruas durante um tempo e afasta-se. Não há detenções assinaladas.

 

Sexta-feira 25

Tulkarem: o exército entra por volta da 1h da manhã em Tulkarem. Invade a casa de Ali Mohammed al-Dadu, 54 anos. Os soldados prendem a sua filha, Yasmine, 19 anos, e confiscam três telemóveis e discos e notificam o pai para se apresentar no escritório de ligação israelita. Ao apresentar-se no dia indicado, este fica detido. O outro filho de al-Dadu, de 26 anos, tinha sido detido pelas forças israelitas na passagem internacional de al-Karama, na fronteira jordana no mesmo dia.

Jenin: por volta da 1h30, incursão em Qabatya. O exército revista várias casas e prende Ibrahim Helmi Kmail, 30 anos, e o seu irmão Abdul Karim, 20 anos.

Naplus: por volta das 3 h, incursão na aldeia de Ourif, onde o exército revista várias casas e prende três civis:

Hamdallah Zaidan al-Safadi, 22 anos
Khaled Yousef al-Safadi, 21 anos
Ayman Yousef Sabbah, 26 anos.

No mesmo momento, incursão em Beita, inspecção de casas, mas sem detenções.

Ramallah: por volta das 20h30, intervenção na cidade de al-Bireh, patrulhamento nas ruas; não há detenções.

 

Sábado 26

Jenin: por volta da 1h30, as forças israelitas entram na cidade e no campo de refugiados de Jenin. Revistam casas, não há detenções.

 

Domingo 27

Hebron: incursão por volta da 1 h na aldeia de al-Sammou’. O exército revista a casa de Ata Salama al-Badarin, sem detenções.

 

Segunda-feira 28

Hebron: por volta da meia-noite, as FOI estão no bairro de Jabal al-Rahma no centro da cidade. Invadem a casa de Yousef Ghazi Salhab, 21 anos e prendem-no.

Naplus: por volta da 1 h, incursão na aldeia de Assira, inspecção de casas, sem detenções.

 

Terça-feira 29

Ramallah: incursão em Silwad, por volta das 3 h30. O exército revista várias casas e prende 9 palestinianos:

Khaled Tariq Hamed, 19 anos,
Qussai Lutfi Hamed, 17 anos,
Ahmed ’Aahed Hamed, 18 anos,
Mohammed Fares ’Eissa, 23 anos,
Rami Radwan Yousef, 18 anos,
Mahmoud ’Abdul Basset Hamed, 18 anos,
Abed Salah Hammad, 30 anos,
Hashem Mohammed Hammad, 26 anos
Abdullah Daoud Hammad, 23 anos.

 

4 – Uso de força desmedida contra as manifestações não violentas organizadas contra a colonização e a construção do muro de anexação

Bil’in, a oeste de Ramallah: como todas as sextas-feiras depois da oração, no dia 25, a manifestação dirige-se para o muro que atravessa a aldeia. O exército, sempre colocado junto ao muro, atira balas de borracha, lança granadas lacrimogéneas e bombas sonoras. Radwan Isma’il Yassin, 50 anos, é atingido por um corpo de granada lacrimogénea na mão direita.

Ni’lin, a oeste de Ramallah: nessa mesma sexta-feira, a manifestação não violenta semanal é organizada pelos palestinianos com internacionais e israelitas, para protestar contra o muro. O confronto com o exército ocorre sempre junto ao muro. Tiros, granadas sonoras e lacrimogéneas sobre os manifestantes, pancadas dos soldados.

Nabi Saleh, a noroeste de Ramallah: sexta-feira 25, mesma manifestação não violenta dos palestinianos e militantes internacionais contra a confiscação de terras no sector de Wad al-Rava, entre as aldeias de Nabi Saleh e Deir Nizam. Quando os manifestantes tentam chegar às terras roubadas pelos colonos de Halmish, o exército reage e lança granadas. Izz ‘Abdul Hafiz al-Tamimi, 13 anos, é atingido por um corpo de granada nas costas.

Beit Lahia, a oeste de Belém: domingo 20, como todas as semanas, a manifestação organizada contra o muro de anexação começa a sua marcha em direcção ao lugar onde o muro está em construção. O exército reage da mesma maneira e com a mesma violência. 4 manifestantes sofrem a inalação dos gazes e equimoses. O ocupante prende dois militantes internacionais, Howaida Arraf, militante da campanha Free Gaza, e um militante israelita.

 

5 – Manutenção do cerco nos territórios recentemente ocupados na Cisjordânia

Existem cerca de 630 barragens rodoviárias permanentes, guardadas ou não por soldados, através da Cisjordânia. Além disso, 60 a 80 barragens «volantes» são instaladas todas as semanas. Pelo menos 65% das grandes estradas que conduzem às 18 comunidades palestinianas estão fechadas ou sob controlo total das FOI.

Existem cerca de 500 km de estradas na Cisjordânia onde os direitos dos palestinianos estão limitados. Cerca de um terço do território da Cisjordânia, incluindo Jerusalém-leste ocupado, é inacessível aos palestinianos sem uma autorização especial das FOI, que é quase impossível de obter.

Jerusalém: as mesmas restrições às deslocações dos palestinianos mantêm-se com check-points dentro e à volta da cidade. Milhares de palestinianos são impedidos de entrar em Jerusalém e inúmeros palestinianos muçulmanos não podem rezar na mesquita de Al-Aqsa, na cidade velha palestiniana de Jerusalém.

Ramallah: nos check-points de Jaba e de Qalandya, o exército impõe novas restrições e controlos prolongados. Check-points volantes são também colocados sem aviso em várias estradas. Na quinta-feira 24, as FOI colocam um check-point perto da aldeia de al-Mazra’a e ao meio-dia no mesmo dia um outro perto da aldeia de Attara, au nord. No sábado 26, uma outra barragem perto de Sinjel.

Naplus: Domingo e quarta-feira, 27 e 30, os israelitas colocados no check-point de Hawara, impõem condições mais duras para passar a barragem.

Qalqilya: Terça-feira 29, barragem volante à entrada de Azzoun.

Jenin: as FOI colocam uma barragem volante na quarta-feira 30 juin, no cruzamento de Arraba.

 

Detenções nos check-points militares

Quinta-feira 24, por volta das 15 h, as tropas de ocupação estacionadas na passagem fronteiriça de al-Karama, junto à fronteira jordana, prendem Diaa Ali al-Dadu, 26 anos, de Tulkarem, quando este voltava para a Cisjordânia vindo da Jordânia.

Segunda-feira 28, por volta das 10 h, Odai Mahmoud Awadh, 27 anos, é preso pelo exército no check-point à entrada de Beit Ummar, no norte de Hébron, supostamente por trazer um faca.

No mesmo dia, ao fim da tarde, os israelitas prendem, no check-point perto da aldeia de al-Zababda, Saleh Abdul Latif al-Sa’di, 55 anos, e Ghassan Ahmed Ab’ali, 42 anos.

Terça-feira 29 de manhã, os israelitas colocados na passagem internacional de al-Karama, na fronteira jordana, prendem Nidal Abdul Muhdi Ahmed, 42 anos, de Kufor Abboush, quando ele voltava da Jordânia com a sua família.

 

Para mais informações: http://www. pchrgaza.org



 


publicado por samizdat, às 11:09link do post | comentar

«Os nazis estavam certos», segundo uma magistrada israelita

Publicado por CAPJPO-EuroPalestine em 5.7.2010



 

A Sra Hadassa Ben-Itto, magistrada israelita na reforma, considera que, na frente da comunicação, Israel deveria inspirar-se nos métodos que serviram a difundir o (tristemente) célebre Protocolo dos Sábios de Sion.

É um jornalista do grande diário Yediot Aharonot, Modi Kreitman, que publica a notícia, sem temer aparentemente chocar os seus leitores, nem colocar no embaraço a sra. Ben-Itto.

Ver o artigo em inglês: http://www.ynetnews.com/Ext/Comp/ArticleLayout/CdaArticlePrintPreview/1,2506,L-3915394,00.html)

Londres - «Devemos inspirar-nos nas tácticas utilizadas pelos nazis», declarou recentemente a magistrada, numa conferência consagrada aos métodos para melhorar a imagem de Israel no mundo. A reunião, que teve lugar na semana passada em Londres, juntou uns 150 peritos jurídicos judeus.

Ben-Itto declarou que Israel devia inspirar-se no método utilizado pelos nazis quando estes começaram a divulgar o Protocolo dos Sábios de Sion, isto é: recusar qualquer discussão e continuar a defender as suas afirmações, inclusive perante os tribunais, mesmo se não tivessem nenhuma prova sobre esse famoso protocolo (NDLR: o «Protocolo dos Sábios de Sion» é um falso anónimo que conta os piores horrores sobre os judeus, acusados entre outras coisas de serem sedentos do sangue de crianças cristãs).

«Reflecti a esse respeito, reflecti sobre os nossos métodos de comunicação, e nada funciona porque a nossa causa é difícil de defender num mundo habituado a um único toque de sino», argumentou. «É a razão pela qual cheguei à conclusão de que devíamos empregar esse tipo de métodos em todo o lado, exactamente como os nazis utilizaram os tribunais para difundir a mensagem», concluiu.

(Traduzido do francês pelo CSP)


02
Jul 10
publicado por samizdat, às 21:40link do post | comentar

Publicado em 1.7.2010, por CAPJPO-EuroPalestine

Traduzido pelo CSP

 

Foi uma vitória formidável que obtiveram na quinta-feira cinco militantes britânicos, que tinham abertamente destruído os escritórios de uma fábrica fornecedora dos sistemas de bombardeamento israelita. Em 17 de Janeiro de 2009, quando ocorriam os massacres da população de Gaza, esses militantes anti-guerra, que manifestam desde há anos contra o fabricante de engenhos de morte EDO-MBM, introduziram-se no seu estabelecimento de Brighton Hove (Sussex, sul da Inglaterra), não sem terem previamente registado vídeos nos quais reivindicavam a acção que se preparavam para fazer.

Uma vez dentro dos escritórios, partiram o maior número possível de computadores, atiraram-nos pelas janelas, destruíram todas as pastas e ficheiros que conseguiram dessa empresa fedorenta, antes de se deixar tranquilamente deter pela polícia, de manhã cedo, orgulhosos da obra de salubridade pública que tinham acabado de cumprir. Quando os danos foram avaliados em 200.000 €, um dos participantes respondeu com calma: «só 200.000? Pensávamos ter feito um pouco mais!»

A EDO-MBM é uma filial do conglomerado americano ITT Corporation, um grupo industrial cujo passado criminoso é um dos mais sórdidos, senão o mais sórdido, da história do século XX. Deve-se, entre outros, à ITT as suas subvenções a Hitler e ao seu chefe dos campos da morte, Heinrich Himmler, os seus investimentos na aviação militar do regime nazi, a sua participação no golpe de Estado do general Pinochet no Chile e vários golpes sujos em África.

A sua filial EDO-MBM, regularmente atingida por escândalos de corrupção no seio do complexo militar-industrial, desenvolveu um sistema de bombardeamento vertical exclusivamente utilizado pelos F-16 do exército israelita, principal instrumento de terror aéreo contra as populações do Líbano e da Palestina.

No processo, que acaba de ter lugar em Brighton, os acusados (Robert Nicholls, 52 anos ; Ornella Saibene, 50 anos ; Tom Woodhead, 25 anos ; Harvey Tadman, 25 anos, e Simon Levin, 35 anos) confirmaram que a sua acção cidadã não só era legítima, como era legal. Entre outras coisas, porque o Estatuto de Roma fundador do Tribunal Penal Internacional (TPI), ratificado pelo Reino Unido, considera como uma obrigação de todos os cidadãos e de todas as instituições testemunhas de crimes de guerra – o que é certamente o caso da aviação israelita contra o povo palestiniano, com os materiais fornecidos pela EDO-MBM – de se oporem a eles.

Notificada pela defesa, a deputada britânica do Green Party (Verdes), Caroline Lucas, justificou a operação de sabotagem, estimando que «todos os recursos democráticos para se opor à obra de morte da EDO-MBM foram esgotados» e que a passagem à acção directa era portanto uma necessidade.

Depois de ter ouvido também o queixoso, o patrão da fábrica EDO-MBM que foi rapidamente confundido por uma série de mentiras, o júri declarou os cinco acusados inocentes. O caso de dois outros arguidos deve ser examinado posteriormente.

Comentando o veredicto de absolvição, o magistrado George Bathurst-Norman declarou pelo seu lado : «Não é exagerado dizer que a população de Gaza aguentou verdadeiramente os males do inferno durante o ataque palestiniano ‘chumbo derretido’»

 


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