Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
23
Dez 10
publicado por samizdat, às 09:30link do post | comentar

Yehuda Shaul, 28 anos, ex-oficial do exército israelita, é autor de Breaking the Silence, um livro acontecimento que será publicado em Janeiro, onde os combatentes do Tsahal contam o seu intolerável comportamento nos territórios ocupados em Gaza. Uma entrevista exclusiva para Paris Match.

Entrevista de Catherine Schwaab



O seu livro é uma bomba pelas suas revelações: que efeito concreto espera?

Yehuda Shaul. Espero poder enfim suscitar uma verdadeira discussão séria em Israel pois, desta vez, os nossos testemunhos são numerosos, verificados, incontestáveis: são 180 e tiramos deles uma análise, o que é novo.

Pensa que a opinião pública ignora o que significa a ocupação militar dos territórios palestinianos?

O público tem clichés na cabeça que incitam à aprovação cega. Por exemplo, em hebreu, a política israelita nos territórios ocupados resume-se a quatro termos que não se pode contestar: “sikkul” (a prevenção do terrorismo), “afradah” (a separação entre a população israelita e a população palestiniana), “mirkam hayyim” (o “fabrico” da existência palestiniana) e “akhifat hok” (a aplicação das leis nos territórios ocupados). Na realidade, sob esses nomes de código escondem-se terríveis desvios que vão do sadismo à anarquia e rejeitam os mais elementares direitos da pessoa. Isso vai até aos assassinatos de indivíduos inocentes que se calcula serem terroristas. E não falo das prisões arbitrárias e dos assédios de toda a espécie.

Qual é o objectivo disso?

Está claramente definido: é o de mostrar a presença permanente do exército, de produzir o sentimento de ser-se perseguido, controlado, em suma, trata-se de impor o medo a todos na sociedade palestiniana. Opera-se de maneira irracional, imprevisível, criando um sentimento de insegurança que quebra a rotina.

A ocupação dos territórios não será necessária para evitar «surpresas» terroristas?

Não! A ocupação sistemática não se justifica, pois ela abrange uma série de interdições e de entraves inadmissíveis. Queremos discutir sobre isso agora. Nem no seio do exército nem no seio da sociedade civil ou política se quer enfrentar a verdade. E essa verdade, é que nós criámos um monstro: a ocupação.

Pode esperar-se que discussões sérias sobre a paz melhorem a situação?

Não, tentar acabar com o conflito é uma coisa, acabar com a ocupação é outra. Estamos todos de acordo para procurar a paz, mas esquecemos a ocupação. Ora, é preciso começar por aí.

Os vossos testemunhos revelam a incrível impunidade de que beneficiam os colonos, verdadeiros assistentes militares: eles brutalizam os vizinhos palestinianos, levam os seus filhos à agressividade e ao ódio dos árabes...

Certamente, mas não são eles o problema. É o mecanismo de ocupação que lhes deu esse poder desmedido. Eu, quando era militar em Hebron, não podia deter um colono que estivesse a infringir abertamente a lei sob os meus olhos. Eles fazem parte desse sistema imoral.

Pensa encontrar um apoio na opinião israelita?

Por enquanto, somos minoritários mas optimistas! Temos de sê-lo, pois vivemos tempos sombrios, a opinião israelita é apática, as pessoas estão fartas. E o preço a pagar por esta ocupação não é pesado. É a razão por que não há vontade política. Em contrapartida, o preço moral é enorme.

É a primeira vez que são feitas tais revelações?

Não, há um ano, tínhamos contado as pilhagens na faixa de Gaza e tínhamos sido atacados por todos os lados: pelo exército, pela sociedade civil e a sociedade política. Netanyahu acusou-nos de termos «ousado quebrar o silêncio». Mas que silêncio? É um silêncio vergonhoso sobre um escândalo estrondoso! Eles fizeram tudo para nos desacreditar. Saiu-lhes mal, pois nós somos todos antigos oficiais que vivemos esses acontecimentos terríveis.

Precisamente, muitos soldados e oficiais que se expressam parecem traumatizados pelo que tiveram de fazer. Um sofrimento que permanece.

Sim... Enfim, não nos enganemos: as vítimas, são os palestinianos que aguentam esse controlo. Hei-de sempre recordar a resposta de um comandante do exército durante uma discussão televisiva em 2004. Tínhamos organizado uma exposição de fotografias com um vídeo de testemunhos. Ele disse-me: «Concordo com o que vocês mostram, mas é assim, temos de aceitá-lo, isso chama-se crescer, tornar-se adulto». Fiquei sem palavras.

Algumas pessoas pensam que Israel tem interesse em manter o conflito e que os palestinianos nunca terão as suas terras.

É falso. É impossível erradicar uma população de 3,5 milhões de habitantes. O problema não está em dar-lhes uma terra, mas na obsessão de querer controlá-los.

Serão as jovens gerações dos 20-30 anos mais permeáveis ao vosso ponto de vista?

Nem toda a minha geração está de acordo comigo, mas ninguém pode dizer que minto. Somos todos ex-membros do exército nacional, pagámos o preço, ganhámos o direito de falar. É preciso que os espíritos mudem a partir de dentro.

Você é judeu ortodoxo e tem um discurso estranhamente aberto. A sua fé ajuda-o neste combate?

Nem por isso... Mas eu sei o que significa ser judeu religioso: não ficar silencioso perante o que está mal. E quero trazer uma solução, não um problema.

Versão original em: http://www.egaliteetreconciliation.fr/Un-officier-de-Tsahal-denonce-4957.html


22
Dez 10
publicado por samizdat, às 09:21link do post | comentar | ver comentários (1)

O Comité de Solidariedade com a Palestina
junta-se à iniciativa de um grupo de cidadãos
de assinalar os dois anos do mortífero ataque a Gaza,

manifestando a sua solidariedade com o povo da Palestina
e o seu repúdio pelo apoio do governo português à ocupação e ao apartheid israelita

dia 27 de Dezembro, 18h30
concentração no Largo de S. Domingos (junto ao Rossio), em Lisboa


13
Dez 10
publicado por samizdat, às 10:43link do post | comentar

Nacionalistas extremistas de Israel convidaram extremistas europeus e pensam que os aliciaram para a sua causa.


O artigo que se segue foi publicado na versão inglesa do jornal Haaretz de 13 de Dezembro. O seu autor, Adar Primor, pertence à ala liberal do regime sionista.


Ai da Europa! O seu braço oficial, magnânimo e poderoso estendeu-se em direcção a nós na forma de dezenas de bombeiros e de aviões de combate a incêndios, enviados para combater a catástrofe de Carmel. O seu outro braço - o proscrito, o desobediente - veio atear incêndios cujos estragos são imprevisíveis. Estes tomaram a forma da aliança espúria entre figuras da direita israelita e nacionalistas extremistas e mesmo anti-semitas da Europa, que está a ganhar fôlego na Terra Santa.

O primeiro dos pirómanos, o deputado holandês Gert Wilders - quase um hóspede permanente em Israel - foi convidado pelo deputado Aryeh Eldad (União Nacional) , para convencer-nos de que a Jordânia faz parte da Palestina. Em 2008, Wilders fez manchetes quando o seu filme "Fitna" estabeleceu uma ligação entre o Corão e o terrorismo islâmico. Ele muitas vezes compara o Corão com o "Mein Kampf" e apela à taxação de construções muçulmanas "que poluem a paisagem holandesa". Durante a sua visita a Israel deixou cair várias pérolas de sabedoria, como a de que "sem Judeia e Samaria, Israel não conseguirá proteger Jerusalém".

Outro perito europeu em atear fogos é o político belga Filip Dewinter, que foi convidado a participar noutra conferência também realizada em Israel, esta organizada pelo antigo deputado de Yisrael Beitenu, Eliezer Cohen. Aborrecido por Eldad lhe ter "roubado" Wilders debaixo do nariz, Cohen trouxe à sua própria convenção de islamofobia um punhado de racistas que fazem o populista holandês parecer um cordeirinho inocente.

Dewinter é o líder do partido Vlaams Belang, um continuador do Movimento Nacional Flamengo, muitos dos membros do qual colaboraram com os nazis. Entre os seus membros actuais conta-se um certo número de negacionistas do Holocausto. O próprio Dewinter movia-se em círculos anti-semitas e tem ligações com partidos europeus extremistas e neo-nazis. Em 1988, ele prestou homenagem às dezenas de milhares de soldados nazis sepultados na Bélgica e, em 2001, começou um discurso com uma fórmula de juramento usada pelas SS.

Mas a honra de acender a tocha vai para a jóia mais brilhante desta coroa racista - Heinz-Christian Strache, dirigente do austríaco Partido da Liberdade. Se Jörg Haider era o "neto espiritual de Hitler", então Strache é o seu bisneto extremamente ilegítimo. O seu avô esteve nas Waffen-SS e o seu pai na Wehrmacht. Quando estudante universitário, Strache pertencia a uma organização extremista em que não eram admitidos judeus, passeava-se com neo-nazis e participava com eles em exercícios para-militares.Observadores austríacos afirmam que Strache tenta copiar Haider, mas que é menos sofisticado e em última análise mais extremista do que o seu modelo (uma selecção dos brilhantes comentários de Strache foi publicada numa sua entrevista com o Haaretz em Março).

Os organizadores destas visitas acham que aliciaram este punhado de extremistas trazidos da Europa e que, depois de terem trocado o seu demónio-inimigo judeu pelo modelo de imigrante-criminoso muçulmano, andam agora a cantar em uníssono que a Samaria é terra judaica. Em breve andarão a deixar crescer a barba e a cobrir-se com a kippa. Mas eles não renegaram genuinamente o seu ADN e, de qualquer modo, não procuram outra coisa senão a absolvição judaica que lhes permita chegarem mais próximo do poder político.

À lista dos que envergonharam este país hospedando tais figuras, juntam-se o Colégio Académico de Ashkelon, que lhes deu uma tribuna; o deputado Nissim Zeev (do Shas), que os recebeu no Knesset; o vice-ministro Ayoob Kara (do Likud), que expressou a sua satisfação por se encontrar com estes "amigos de Israel, que devemos encorajar"; e a Força Aérea Israelita, que manchou a sua reputação permitindo que Cohen, um veterano da força, levasse este bando para um passeio exclusivo numa esquadrilha de F-15.

A imprensa austríaca observava nesta semana que o branqueamento em curso por Strache na nossa Terra do Leite e do Mel poderia muito bem pavimentar o seu caminho para o gabinete de chanceler. E, como eles dizem: "Pela glória do Estado de Israel".


03
Dez 10
publicado por samizdat, às 14:05link do post | comentar

No âmbito da campanha internacional de Boicote-Desinvestimento-Sançõe

s a Israel, várias organizações e pessoas em vários países, incluindo Portugal e Israel, estão a enviar cartas à cantora Dulce Pontes, pedindo-lhe que cancele o seu concerto marcado para dia 21 de Dezembro em Telavive, à semelhança do que já fizeram dezenas de artistas famosos internacionais. O que segue é um exemplo das cartas enviadas.

O Comité de Solidariedade com a Palestina acredita que é possível convencer a cantora a não associar o seu nome à ocupação da Palestina e aos crimes de guerra de Israel e a não colaborar com a política de branqueamento do apartheid israelita.

O CSP

 

Cara Dulce Pontes

ondeia@dulcepontes.net

 

A Campanha Palestiniana pelo Boicote Académico e Cultural a Israel («Palestinian Campaign for Academic and Cultural Boycott of Israel (PACBI)»), bem como o movimento português de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel e, de uma maneira geral, o movimento BDS a nível global, que tem vindo a crescer e a ganhar força efectiva em todo o mundo, ficaram extremamente desapontados ao saber que a Dulce Pontes, que todos considerávamos uma pessoa de consciência, defensora dos direitos humanos e crítica de todas e quaisquer formas de atropelo dos direitos fundamentais e de opressão dos povos, onde quer que existam, tem programado um concerto em Tel Aviv, no próximo mês de Dezembro, em violação do apelo lançado pelo movimento BDS palestiniano [http://pacbi.org/etemplate.phd?id=66] que exorta as pessoas de consciência em todo o mundo a isolarem Israel, um Estado que mantém um sistema ilegal e desumano de ocupação, colonização e apartheid, amplamente acusado pelos principais especialistas das Nações Unidas em direitos humanos e Direito Internacional e por organizações de direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional, de cometer crimes de guerra e outras violações graves de direitos humanos.

 

A campanha palestiniana de boicote cultural a Israel granjeou já o apoio de muitas figuras do mundo da cultura de grande estatura internacional. Esta campanha não tem por alvo a «expressão cultural» em si, apenas visa expor o abuso da cultura como manobra de diversão usada por Israel para distrair as atenções das persistentes violações dos direitos humanos e do Direito Internacional e responsabilizar todos aqueles que ignorem estas graves violações e se permitam ser cúmplices no seu encobrimento.

 

Inserido nos eventos das celebrações do sexagésimo aniversário do Estado de Israel, o seu espectáculo irá contribuir para avalizar e celebrar a ocupação e o apartheid por parte de Israel. Não há motivos para celebrar. Israel continua a ocupar ilegalmente os territórios palestinianos e outros territórios árabes, em violação de numerosas resoluções das Nações Unidas. Continua a negar aos refugiados palestinianos os seus direitos, sancionados pelas Nações Unidas, pela simples razão de serem «não judeus». Continua a violar de forma persistente e grosseira o Direito Internacional e a infringir direitos humanos fundamentais com a impunidade que lhe é conferida pelo apoio pródigo dos E.U.A. e das Instituições Europeias a nível político, diplomático e económico. Continua a tratar os seus próprios cidadãos palestinianos com discriminação institucionalizada.

 

O seu espectáculo irá favorecer a campanha desenvolvida intensivamente por Israel para branquear a sua imagem, que piora cada vez mais a nível global, na sequência dos seus crimes de guerra em Gaza, descritos em pormenor no relatório produzido pela Missão da ONU para Averiguação dos Factos, chefiada pelo juiz Richard Goldstone, que considerou os ataques como tendo sido deliberadamente “concebidos para punir, humilhar e aterrorizar uma população civil” e exigiu que fossem feitas investigações de crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade. [“Report of the UN Fact Finding Mission on the Gaza Conflict.” General Assembly, A/HRC/12/48, 25.09.2009]. Será bom lembrar que, na chamada operação «Chumbo Fundido», foram mortos mais de 1.440 palestinianos, entre os quais 431 crianças, e feridos 5.380.

 

Tal como aconteceu na luta anti-apartheid na África do Sul, em que a solidariedade internacional desempenhou um papel fulcral no derrube do apartheid, nós acreditamos que o crescente movimento BDS a nível global é a forma mais eficaz de pressionar Israel a agir em conformidade com o Direito Internacional e a reconhecer os direitos inalienáveis do povo palestiniano.

 

Artistas famosos internacionais, incluindo Sting, Bono, Snoop Dog, Elvis Costello, Jean Luc Goddard, Joan Manuel Serrat, Roger Waters - ex-Pink Floyd, Faithless, Elvis Costello, Santana, Gill Scott-Heron, Pixies, Gorillaz, Sound System e Santana atenderam ao nosso apelo e cancelaram espectáculos em Israel.

 

Apelamos agora à Dulce Pontes que não associe a sua arte criativa à colonização, opressão e limpeza étnica e que junte a sua voz à destes artistas tão responsáveis do ponto de vista ético.


mais sobre mim
Dezembro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
14
15
16
17
18

19
20
21
24
25

26
27
28
29
30
31


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO