Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
25
Fev 11
publicado por samizdat, às 15:02link do post | comentar

Um texto de Mazin Qumsiyeh, coordenador dos Comités de resistência popular palestiniana

Publicado por CAPJPO-Palestine

24 de Fevereiro de 2011

 

Desde há já vários anos, todas as manhãs ao levantar-me, encontro ao abrir o meu computador uma mensagem recenseando as violências do exército israelita, feita na base das estatísticas do Palestinian Monitoring Group (PMG). E todas as manhãs pergunto-me o que devo fazer. Traduzir e publicar? Para quê? Mortes, feridos, detenções na Palestina? Ainda esta noite, Israel bombardeou o bairro de el Zaytoun. Os seus F16 acordaram os habitantes de Gaza a dúzias de quilómetros à volta. Contava-se esta manhã mais de 30 feridos, entre os quais crianças e mulheres. Os palestinianos conseguiram destruir um veículo militar que atacava terras e agricultores palestinianos não longe da fronteira.

Tudo isto tornou-se tão rotineiro que poucas pessoas se dão ao trabalho de ler. Então, a maior parte das vezes, eu zapo. Com um forte sentimento de culpabilidade perante aqueles que fizeram o esforço de nos escrever noite após noite. Deixo as suas mensagens soterradas no meio de outros emails. Para quê traduzi-las e publicá-las, se não para nos encher de um sentimento de ira e de impotência?

Mas é aí que devemos mudar de estado de espírito e despertar: não somos impotentes. A nossa impotência perante o curso dos acontecimentos no mundo, é o que a lavagem dos cérebros, exercida de manhã, de tarde e à noite pelo poder e os seus meios de comunicação social às ordens, tenta fazer-nos engolir.

Na realidade, somos poderosos. Basta unir-nos e dizer NÃO. O povo tunisino, o povo egípcio, acabam de demonstrá-lo. A impunidade israelita não será eterna se assim o decidirmos. Se recusarmos continuar a andar nas estreitas vias lamacentas desenhadas por outros para manter os enormes lucros de alguns em detrimento da grande massa, temos os meios de mudar a situação. E o que ganhamos em não reagir, em encaixar, dia após dia? Uma vida cada vez mais sórdida, desesperante, nomeadamente para os mais jovens?

À espera do levantamento que nos levará a tomar as coisas nas nossas mãos, a deixar de acreditar que podemos mudar o nosso destino indo votar “bem”, ou que não podemos mudá-lo, agarremos pelo menos o instrumento do boicote contra este Estado criminoso, sanguinário, terrorista.

Hoje, traduzirei portanto esta mensagem, este SOS de cada noite, este relatório, símbolo da resistência palestiniana que, dia após dia, apela a que não baixemos os braços, a reagirmos face a esta terrível perseguição do povo palestiniano que dura há décadas.

 

Ela começa todos os dias por estas frases:

"Enquanto que com a ocupação o bloqueio é um business normal para Israel, deveríamos parar qualquer business com Israel!

Na Palestina ocupada

O sionismo nos factos

O ratio quotidiano de imposição israelita sobre a vida, os membros, a liberdade e as posses palestinianas”.

 

Nas últimas 24 horas: no dia 23 de Fevereiro (não contando o balanço desta manhã)

  • Khan Younis (sul da faixa de Gaza) : Israel abre fogo sobre as quintas e casas próximas da linha verde

  • Um aldeão assassinado perto de Jerusalém

  • Incursão israelita: colheitas arrasadas por bulldozers

  • Raid contra a aldeia de Qatanna: 2 rapazes de 15 e 17 anos feridos

  • As tropas de ocupação destroem uma estação de gasolina

  • As tropas israelitas desenraízam mais de 200 oliveiras e espancam um trabalhador

  • Soldados israelitas raptam uma criança de 14 anos

  • Colonos atiram pedras sobre casas e espancam os seus moradores

  • Fanáticos sionistas incendeiam veículos numa aldeia

  • Incursão de noite e invasão do exército em 17 vilas e aldeias

  • 3 ataques – 37 raids – 3 espancamentos – 5 feridos

  • 12 palestinianos presos – 15 detidos – 92 restrições da liberdade de circulação

     

    O detalhe dessas violências e dos locais onde elas se produziram segue em inglês:

  • Home invasions & occupations : 23:30, the town of Abu Dis - 00:20, the village of Kafr Aqab - 02:30, the town of As Silat Al Harithiya - 20:20-22:50, the village of Izbat Shofeh - 03:00, Qalqilya.

  • Peace disruption raids : 18:00, the village of Qatanna - 00:30, the village of Hizma - 00:20, El Bireh - 00:40-03:00, the town of As Silat Al Harithiya - 11:50, the village of Deir Ghazala - 11:50, the village of Beit Qad - 00:20, Tubas - 00:20, the town of Tammun -11:00, Tulkarem - 09:05, Qalqilya - 10:40, the village of Talluza - 13:00, the village of Salim - 17:50, the town of Aqraba - 20:30, Nablus - 02:55, Nablus - 15:30, the village of Yasuf - 09:10, Jericho - 09:10, the Aqbat Jabir refugee camp - 09:00, the town of Taqu’a - 10:10, the village of Al Jab’a - 11:10, the town of Al Ubeidiya - 15:40, the town of Al Ubeidiya - 00:40-04:35, Bethlehem - the village of Sossia - 15:00, the town of Dura - 17:20, Hebron - 21:50, the town of Beit Awa - 01:25, the town of Tarqumiya - 02:40, the town of Dura - 02:00, the town of Beit Ummar - 18:00, the village of Burin - 01:30, the village of Burin.

  • Palestinian attacks : none

  • Palestinian resistance : Central Gaza – 10:30, two missiles fired at Israeli forces near the Kissufim Gate.

  • Attack – agricultural sabotage : Khan Yunis – morning, an Israeli Army position on the Green Line opened fire on houses and farms to the north-east of Al Qarara.

  • Attack – agricultural sabotage : Khan Yunis – morning, Israeli armoured vehicles and bulldozers, covered by reconnaissance aircraft, invaded farms in the east of Khuza’a, bulldozing crops and opening fire on houses and agricultural areas.

  • Attack : Jerusalem – 22:10, Israeli troops raided the neighbourhood of Silwan, firing rubber-coated bullets and stun and tear gas grenades at people in the streets.

  • Raid – injuries : Jerusalem – 18:00, the Israeli Army raided the village of Qatanna, patrolling the streets and injuring two youngsters : 15-year-old Muhammad Mahmoud Taha and 17-year-old Muhammad Adnan Shamsneh. Raid – economic sabotage : Jerusalem – 00:30, Israeli troops raided the village of Hizma, stormed two petrol stations, destroying and then removing the petrol pumps.

  • In the village of Kafr Aqab, Husam Hussein ar Ruweidhi, died in hospital following an assault in the city by settler militants wielding sharp-bladed tools.

  • Raid : Tulkarem – 11:00, the Israeli Army raided the neighbourhood of Irtah, detaining and interrogating a resident, Naseem Abu Rabi’, regarding the local economy. The soldiers also left orders for a person to report to Israeli Military Intelligence.

  • Raid : Nablus – 10:40, the Israeli Army detained a number of children while raiding and patrolling the village of Talluza. Raid : Nablus – 13:00, Occupation troops raided the village of Salim and took prisoner a member of the village council.

  • Raid : Jericho – 09:10, the Israeli Army raided the city and the Aqbat Jabir refugee camp, photographing the streets and archaeological sites.

  • Raid – beating – injury – agricultural sabotage : Bethlehem – 10:10, the Israeli Army raided the village of Al Jab’a, uprooted about 250 olive trees and beat up a villager, Muhammad Ali Abdulmajeed Hamdan.

  • Raid – beating – destruction of homes and water tanks : Hebron – the Israeli Army raided the village of Sossia, destroyed five tents – the homes of Mahmoud Ahmad Muhammad Jabbur, Issa Hussein Jabbur, Muhammad Hasan Muhammad Jabbur, Khamis Ahmad Muhammad Jabbur and Muhammad Ahmad Muhammad Jabbur. Israeli Occupation troops also destroyed two rainwater tanks.

  • Raid – abduction : Hebron – 02:00, the Israeli Army abducted a 14-year-old boy, Muhammad Jamal Khalil Abu Hashem, during a raid on the town of Beit Ummar. Note : Muhammad is the tenth 14-year-old abducted by Israeli Occupation soldiers this year.

  • Property violation : Qalqilya – 15:50, the Israeli Army ordered a resident, Ahmad Abu Hamed, not to proceed with any construction work on his land. Hamed is accused of allowing his land to be used by a British organisation specialising in animal welfare.

  • Occupation settler violence : Nablus – 18:00, a mob from the settlement of Bracha attacked the outskirts of the village of Burin, stoning houses and severely beating up two residents : Ahmad Sameer Obaid and Fares Nassar. The victims were left with severe injuries. http://www.maannews.net/eng/ViewDet... Occupation settler violence : Nablus – 01:30, Zionist fanatics raided the village of Burin and set fire to two vehicles, the property of villagers Khaled Waleed An-Najjar and Abdulsalam Abdulhameed.

 


12
Fev 11
publicado por samizdat, às 22:29link do post | comentar

Há mais de duas semanas que, consecutivamente, centenas de milhares de pessoas se manifestam nas principais cidades do Egipto exigindo o fim do regime de Hosni Mubarak.

O apoio internacional é importante para que os direitos do povo egípcio sejam atendidos. Nesse sentido, convidamo-lo a subscrever e a divulgar a seguinte moção (enviar apoio para palestinavence@gmail.com ou para boletim@tribunaliraque.info):

Apoio ao povo egípcio

 

Desde 25 de Janeiro, a revolta popular no Egipto exige o fim do regime liderado por Hosni Mubarak.

Mais de 300 pessoas foram, entretanto, mortas pelas forças repressivas.

 

Mas, longe de perder força, a revolta continua e ganha mais adeptos.

No sétimo dia de protestos, mais de um milhão de pessoas manifestaram-se no Cairo e muitas mais centenas de milhares concentraram-se nas principais cidades do Egipto.

 

As suas exigências são as mesmas por todo o país: demissão do presidente Hosni Mubarak, fim do regime instaurado há 30 anos, liberdade, melhores condições de vida.

 

A resposta do regime resume-se a procurar ganhar tempo, a lançar provocadores contra os manifestantes, a fomentar a insegurança – tentando com isso desmoralizar e desmobilizar os protestos.

 

Juntando-se às acções de solidariedade que decorrem por todo o mundo,

os cidadãos e as organizações abaixo-assinados

 

Manifestam o seu completo apoio à luta e às exigências do povo egípcio;

Reclamam das autoridades portuguesas, designadamente, do Presidente da República, do Governo e da Assembleia da República,

- que reconheçam publicamente a justeza dessas mesmas exigências;

- que desenvolvam a acção diplomática necessária para que as autoridades egípcias respondam cabalmente às reivindicações populares abdicando sem mais demora do poder e abstendo-se de reprimir os manifestantes.

 

 

Lisboa, 1 de Fevereiro de 2011

 

Associação Abril

Bloco de Esquerda

Colectivo Casa Viva, Porto

Colectivo Mudar de Vida

Colectivo Mumia Abu-Jamal

Colectivo Política Operária

Colectivo Socialismo Revolucionário - Comité por uma Internacional dos Trabalhadores em Portugal

Comité de Solidariedade com a Palestina

Fórum Pela Liberdade e Direitos Humanos

Pagan/ Plataforma anti-Guerra, anti-Nato

Planeta Azul, associação ecológica alternativa

Resistir.info

Solidariedade Imigrante

SOS Racismo

Terra Viva (Porto)

Tribuna Socialista, blogue

Tribunal-Iraque (Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque)

 

 

Adel Sidarus (professor universitário)

Alfredo Martins (Porto)

Ana Ribeiro (Associação José Afonso)

Ana Silva

António Cunha (membro do colectivo Casa Viva, Porto)

António Pedro Valente (membro do colectivo Casa Viva, Porto)

António Sequeira (Associação José Afonso)

Diogo Figueira (estudante, FEUP)

Domingues Rebelo (técnico oficial de contas, Porto)

Emília Cerqueira (Membro do Colectivo Indymedia Portugal e membro da Pagan)

Eugénia Vaz

Fernando Lacerda (Tane Timor – associação Amparar Timor)

Francisco Raposo (membro da Comissão Executiva do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa)

Francisco Silvério de Almeida Fernandes (Associação José Afonso, norte)

Gualter Barbas Baptista (activista do GAIA e investigador académico)

Henrique Borges (dirigente do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) e do Sec. Nac. da FENPROF)

Isabel do Carmo (médica)

Joana Afonso (Associação José Afonso, norte)

João Pedro Freire (editor do blogue Tribuna Socialista)

José Falcão (SOS Racismo)

José Goulão (jornalista)

Judite Almeida (dirigente do Sindicato dos Professores do Norte)

Lígia Cardoso (Tane Timor – associação Amparar Timor)

Luís Miguel Cintra (actor e encenador)

Manuel Loff (historiador)

Maria José Morais Isidro Aragonez

Maria José Ribeiro (dirigente do Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins)

Maria Natália Nogal (membro da PAGAN)

Paula Montez (membro da PAGAN)

Paulo Esperança (Associação José Afonso)

Pedro Goulart

Rogério Fernando Sousa Miranda

Vítor Lima (membro da PAGAN)

Teófilo Braga (professor, Açores)

Teresa Alpuim (professora universitária)

Teresa Cabral


mais sobre mim
Fevereiro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
26

27
28


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO