Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
28
Abr 12
publicado por samizdat, às 23:00link do post | comentar

No filme clássico de Ken Loach sobre a guerra civil de Espanha, um antigo combatente da milícia do POUM é sepultado pela sua neta, muitos anos depois da derrota, com um punhado de terra - terra colectivizada, que tinha guardado durante toda a vida, para recordar as esperanças luminosas da revolução nos seus primeiros tempos.

Nós, do Comité de Solidariedade com a Palestina, gostaríamos de ter trazido para a despedida de Miguel Portas um punhado da terra libertada da Palestina. Sabemos que poucas pessoas se têm empenhado tanto como Miguel Portas na causa dos direitos humanos, sociais e nacionais do povo palestiniano. Não foi por acaso que muitos dos parlamentares doutros países europeus, ao evocarem MP, colocavam a causa palestiniana à cabeça dos grandes combates em que ele se empenhou.

Não pudemos trazer um punhado de terra palestiniana libertada, porque isso nunca existiu. Mas, ao contrário de um combatente de Espanha, que apenas podia guardar a recordação dum momento longínquo de esperança, o punhado de terra pelo qual lutou MP, pelo qual queremos continuar a luta, pertence ao futuro.

Até esse futuro, até sempre, companheiro Miguel Portas!


21
Abr 12
publicado por samizdat, às 13:40link do post | comentar

 

 

Abril de 2012

 

Cara Daniela Mercury,

 

Amigos palestinos, admiradores de sua música, nos escreveram assim que souberam que você pretende fazer um show em Israel, em maio próximo.

Como parte do chamado feito pela sociedade civil palestina em 2005 para o Boicote, o Desinvestimento e Sanções (BDS), e inspirado pelo boicote cultural ao apartheid na África do Sul, o povo palestino pede a artistas internacionais que se juntem ao movimento BDS cancelando shows e eventos em Israel, que só servem para igualar o ocupante ao ocupado e, portanto, promover a continuação da injustiça.

Em outubro de 2010, o sul-africano Desmond Tutu, consagrado com o Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra o apartheid, apelou à ópera de seu país cancelar a apresentação agendada em Israel. Um show em território israelense enfraquece a chamada para o BDS até que Israel cumpra os requisitos básicos do direito internacional, pondo fim à ocupação militar, à tomada de terras e à construção de novas colônias nos territórios palestinos. Na mesma linha, respeite os direitos humanos, à autodeterminação do povo palestino e ao retorno a suas terras e propriedades.

 

A participação em um show em Israel não é um ato neutro, desprovido de qualquer mensagem política. Ao participar de um evento em Israel, você estará apoiando a campanha israelense para encobrir violações do direito internacional e projetar uma imagem falsa de normalidade. Qualquer afirmação em contrário que um artista deseje fazer por meio de sua participação nesse evento será ofuscada pelo fato de que está atravessando um piquete internacional, estabelecido pela grande maioria das organizações da sociedade civil na Palestina. Na verdade, uma mensagem de paz justa atingirá muito mais pessoas, incluindo israelenses, se você cancelar a sua participação.

Desde a ofensiva de Israel a Gaza em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que deixou 1.400 palestinos mortos e conduziu à elaboração do relatório Goldstone, o qual não deixa dúvidas que Israel cometeu crimes de guerra, muitos artistas internacionais se recusaram a tocar em um país que se coloca acima dos direitos humanos e do direito internacional. Após o ataque de Israel a um navio de ajuda humanitária com destino a Gaza em maio de 2010, o número de artistas cresceu. Elvis Costello, Gil Scott Heron, Carlos Santana, Devendra Banhart e os Pixies são apenas alguns dos que se recusaram a realizar shows em Israel naquele ano. Roger Waters é outro exemplo de pessoa pública que assume posição contrária às violações dos direitos humanos por Israel. No período em que realizou t u rnê no Brasil, entre final de março último e início deste mês, fez declarações à imprensa nesse sentido e em apoio à campanha por BDS.

 

Pedimos-lhe para se juntar à lista crescente de artistas que têm respeitado o pedido de boicote. Como disse o sul-africano Desmond Tutu, "se o apartheid na África do Sul terminou, essa ocupação também terminará, mas a força moral e a pressão internacional terão de ser tão determinadas quanto". Por justiça, o chamado palestino para o BDS deve alcançar o mundo, incluindo Israel. Ficaremos felizes em discutir isso mais a fundo com você e apoiá-la no quer for necessário. Nós estamos simplesmente pedindo que você cancele seu show em Israel, de modo a não prejudicar o aumento global do movimento por boicotes ao apartheid a que está submetido o povo palestino. Aproveitamos para convidá-la a participar dessa nobre luta por uma causa da humanidade. Com grande respeito,

 

Frente em Defesa do Povo Palestino

União Democrática das Entidades Palestinas no Brasil

Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro

Centro Cultural Árabe-Palestino Brasileiro de Mato Grosso do Sul

Sociedade Árabe-Palestina de Corumbá

Comitê Árabe-Palestino do Brasil

Sociedade Palestina de Santa Maria

Centro Cultural Árabe-Palestino Brasileiro do Rio Grande do Sul

Sociedade Palestina de Brasília

Sociedade Palestina de Chuí

Frente Palestina da USP (Universidade de São Paulo)

Sociedade Islâmica de Foz do Iguaçu

Sociedade Islâmica do Paraguai

Associação Islâmica de São Paulo

Coletivo de Mulheres Ana Montenegro

Movimento Mulheres em Luta

Marcha Mundial das Mulheres

PCB – Partido Comunista Brasileiro

PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e da Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos

MDM – Movimento pelo Direito à Moradia / SP

MTL – Movimento Terra, Trabalho e Liberdade

Fepac – Federação Paulistana das Associações Comunitárias 

CUT – Central Única dos Trabalhadores

CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular-Coordenação Nacional de Lutas

Mopat – Movimento Palestina para Tod@s

Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada

Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

Coletivo de Juventude dos Metalúrgicos do ABC

Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre

SindiCaixa-RS

Andes-SN – Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior

Sintusp – Sindicato dos Trabalhadores da USP (Universidade de São Paulo)

Apropuc – Associação dos Professores da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

Sindicato dos Metroviários de São Paulo

Federação Nacional dos Metroviários

Grupo M19

SOS Racismo, Portugal

Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (Portugal)

Comitê de Solidariedade com a Palestina, Portugal

GAP - Grupo Acção Palestina, Porto, Portugal

Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGay Transfobia, Portugal

Amyra El Khalili – economista

Clovis Pacheco Filho – sociólogo e jornalista

Claudio Daniel - poeta


13
Abr 12
publicado por samizdat, às 10:27link do post | comentar | ver comentários (1)

Contra o Agreement on Conformity Assessment and Acceptance of Industrial Products (ACAA) entre a União Europeia e Israel:

a União Europeia deve ser consistente nas suas posições

 

 

Encontrando-se na agenda do Parlamento Europeu, para ser votado proximamente, o protocolo ACAA, o Comité de Solidariedade com a Palestina vem chamar a sua atenção para o seguinte:

 

O ACAA estabelece uma cooperação económica entre a União Europeia e Israel. A adopção do ACAA contribuiria para a eliminação de barreiras técnicas ao comércio e aumentaria desse modo a acessibilidade dos mercados europeus a Israel e vice-versa, beneficiando as empresas israelitas, muitas delas conhecidas por exercerem actividades lucrativas nos colonatos, considerados pela União Europeia e pela ONU como uma violação da lei internacional.

 

A comissão do Parlamento Europeu encarregada de discutir este acordo decidiu congelar a discussão em 2010, na sequência do ataque israelita à Flotilha da Liberdade. Acontece que as razões para este congelamento permanecem enquanto Israel não suspender a expansão dos colonatos e as incursões na faixa de Gaza que diariamente atingem numerosos civis - homens, mulheres e crianças.

 

A “Joint Communication to the European Parliament and the Council on Human Rights and Democracy at the Heart of EU External Action”, recentemente apresentada por Catherine Ashton, estipula que “a agenda do comércio e dos direitos humanos da UE tem de ser coerente, transparente, previsível, realizável e efectiva”. Ora, as posições da UE sobre o Médio Oriente têm sido claras – tanto em relação a Gaza e aos apelos reiterados para que o bloqueio seja levantado, como em relação à Cisjordânia e à ilegalidade dos colonatos, que a UE considera como um obstáculo à paz.

Por outro lado, nos últimos meses, três relatórios internos da EU tornados públicos descrevem toda a espécie de violações dos direitos humanos cometidas por Israel na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

 

Neste contexto, a política coerente em relação a Israel só pode ser a rejeição do ACAA ou de qualquer outro acordo que beneficie Israel ou as suas indústrias. O Parlamento Europeu tem o poder de bloquear este acordo.

 

Assim, o Comité de Solidariedade com a Palestina vem apelar a uma rejeição sem ambiguidades do Agreement on Conformity Assessment and Acceptance of Industrial Products entre a União Europeia e Israel e coloca-se à sua disposição para o fornecimento de qualquer informação que considere necessária.

 

Com os nossos cumprimentos.

Comité de Solidariedade com a Palestina


publicado por samizdat, às 10:23link do post | comentar

Por que apoiamos o boicote a Israel : Noam Gur e Alon Gurman, refuseniks israelitas, explicam a sua posição


« A nossa dificuldade em reconhecer a realidade complexa da Palestina e de Israel vem da dificuldade que temos em reconhecer que há crimes que são cometidos em nosso nome, todos os dias, e isto, porque somos cidadãos israelitas ».

Nascemos cidadãos israelitas e por isso decidiu-se que devíamos carregar o peso do financiamento da ocupação. Ao longo do tempo, acabámos por compreender que enquanto esses crimes durarem eles serão cometidos em nosso nome e às nossas custas.

Por essa razão, chegámos à conclusão de que devíamos orientar os nossos esforços para por fim a esta situação, em vez de nos fecharmos em sentimentos fúteis de culpabilidade e de vergonha. Enquanto cidadãos de Israel (e enquanto judeus), foi-nos pedido que participássemos na ocupação – para além do nosso apoio financeiro –, juntando-nos ao exército israelita. Quando percebemos que ao juntarmo-nos ao exército israelita estávamos a apoiar a ocupação criminosa e a negação dos direitos fundamentais, individuais e colectivos, da nação palestiniana, decidimos tomar posição, publicamente, e recusar a ocupação e o apartheid israelita.

Pode pensar-se sensatamente que, devido a essa decisão, seremos postos na cadeia durante alguns meses antes de sermos finalmente libertados da obrigação do serviço militar. É o preço que escolhemos pagar para chegarmos ao fim do status quo no qual, a título pessoal, cooperamos com os crimes cometidos pelo Estado de Israel. A nossa recusa não acabará com a ocupação e o apartheid continuará provavelmente a prosperar, mas podemos conseguir sacudir um pouco o sistema e juntar a nossa crítica ao discurso público.

Mas não são apenas os israelitas que participam - activamente ou passivamente – na ocupação e nos crimes de guerra levados a cabo por Israel. Organizações potentes, com grandes interesses, alimentam a ocupação enviando dinheiro e dando o seu apoio político às acções de Israel; há empresas, negociantes de armas, organizações políticas extremistas e fanáticos vindos da América, da Europa e de outros lados. É com tristeza que dizemos que as administrações US continuam também a financiar os crimes de guerra de Israel. Mas nós podemos agir, juntos, pelo mundo fora, condenando o financiamento e a legitimação do governo de Israel e, no fim de contas, podemos chegar a por fim ao apoio internacional da sua política. Enquanto comunidade, podemos conseguir acabar com a normalização da ocupação.

Cabe a cada um de nós, evidentemente, escolher a melhor maneira de combater os crimes de Israel – mas neste momento, a política palestiniana deseja seguir o BDS – Boicote, Desinvestimentos e Sanções – dirigido contra as empresas e as instituições israelitas. O BDS é fruto de um apelo dos palestinianos, publicado em 2005, que se tornou o instrumento central da luta não violenta contra as violações israelitas dos direitos humanos.

Como dissemos acima, este movimento visa três objectivos com a sua luta não violenta :

 > a promoção do direito ao regresso dos refugiados palestinianos,
 > o fim da ocupação dos territórios palestinianos ocupados,
 > e o fim da discriminação contra os palestinianos que vivem em Israel.

Ver-se livre de uma ocupação faz parte de um processo delicado, complexo e de múltiplos aspectos, mas devemos todos participar nesse derrubamento. Nós, Noam e Alon, escolhemos, para nos vermos livres da ocupação, declarar publicamente a nossa recusa de servir no exército e ao mesmo tempo militar e apoiar o apelo palestiniano para o BDS.

Os cidadãos do mundo que têm a possibilidade de boicotar Israel devem reflectir sobre este apelo palestiniano e tentar juntar-se a ele – cada um de nós no seio da sua própria comunidade, no melhor da nossa competência – e não acreditar que uma condenação passiva da política de apartheid israelita possa ser suficiente. Devemos, pelo contrário, optar pela acção para por fim aos crimes de Israel”.

 

Publicado por : http://www.info-palestine.net/artic...

CAPJPO-EuroPalestine, 25 de Março de 2012

Traduzido pelo CSP


02
Abr 12
publicado por samizdat, às 14:56link do post | comentar

Desde a sua célula de uma prisão israelita, uma das figuras mais respeitadas da política palestiniana chamou no dia 26 a uma nova vaga de resistência civil na sua luta de há décadas pela independência.

 

“O lançamento de uma vasta resistência popular hoje serve a causa do nosso povo”, declarou Barghouti num comunicado que marcou o 10º ano da sua encarceração por Israel. “Parem de vender a ilusão de que existe uma possibilidade de pôr fim à ocupação e de construir um Estado por meio de negociações, depois de esta visão ter lamentavelmente fracassado”, disse ele numa mensagem lida perante uma multidão de apoiantes seus na cidade de Ramallah na Cisjordânia.

 

Apesar das suas múltiplas condenações a prisão perpétua, sob a acusação de ter organizado ataques mortíferos e atentados suicidas, Barghouti é considerado como um sucessor potencial do ex-presidente Mahmoud Abbas, que é também o chefe da Fatah. A sua liderança e o seu carisma foram considerados como uma força motriz na última Intifada contra a ocupação israelita, lançada no final de 2000.

 

As suas opiniões continuam a ter um impacto profundo na opinião pública palestiniana e ele goza de um vasto apoio entre todas as organizações palestinianas. Muitas pessoas consideram que Israel poderá, em algum momento, decidir libertar Barghouti.

 

O apelo à acção intervém num período muito explosivo na Cisjordânia ocupada por Israel desde a guerra de 1967 : o marasmo económico, uma diplomacia desfeita e o descontentamento popular claramente perceptível não auguram nada de bom para mobilizações pacíficas.

[…] As greves da fome de presos palestinianos detidos em Israel também são um sinal da ira popular.

 

Na sua alocução, Barghouti apelou a que “se pare imediatamente todas as formas de coordenação securitárias e económicas (com Israel) em todos os domínios”, coordenações que duram entre Israel e a Autoridade Palestiniana [de Ramallah], com altos e baixos, desde há anos.

 

A direcção palestiniana da Cisjordânia, ao mesmo tempo que dá um apoio verbal às manifestações e que procura o reconhecimento em vários órgãos das Nações Unidas, tudo fez até agora para evitar um confronto político [com o ocupante israelita].

 

Depois de o governo de Abbas ter conseguido uma pequena vitória ao persuadir o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra a investigar a política de colonização de Israel, Barghouti defendeu medidas mais draconianas.

 

Também apelou a uma « renovação dos esforços » para se chegar ao reconhecimento de um Estado palestiniano no Conselho de Segurança, uma iniciativa que fracassou no ano passado, quando Washington apoiou a posição israelita, rejeitando a resolução como um meio de contornar as negociações.

 

Barghouti declarou que os palestinianos deveriam em alternativa, submeter a sua reivindicação de um Estado à Assembleia Geral ou perante outros organismos, aludindo a fóruns nos quais os palestinianos dispõem de um apoio maior.

 

Fonte : http://www.maannews.net/eng/ViewDet...
Tradução adaptada de CAPJPO-EuroPalestine 30.3.12


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