Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
08
Mar 15
publicado por samizdat, às 22:36link do post | comentar | ver comentários (2)

Este artigo foi publicado pelo jornalista israelita Gideon Levy no jornal Haaretz, em 25 de fevereiro
Versão inglesa: http://normanfinkelstein.com/2015/0...



Israel avança para a próxima erupção de violência contra os palestinianos, como se se tratasse de uma espécie de catástrofe natural que não pode ser evitada.

A próxima guerra rebentará este verão. Israel dar-lhe-á mais um nome infantil e ela ocorrerá em Gaza. Já existe um plano para evacuar as comunidades israelitas ao longo da fronteira da faixa de Gaza.

Israel sabe que essa guerra vai rebentar, e Israel sabe também porquê – e precipita-se ao galope, de olhos vendados, como se fosse um ritual cíclico, uma cerimónia periódica ou uma catástrofe natural que não pode ser evitada. Aqui e acolá nota-se até algum entusiasmo.

Pouco importa a identidade do primeiro-ministro e do ministro da Defesa – não há qualquer diferença entre os candidatos no que diz respeito a Gaza. Isaac Herzog e Amos Yadlin não dizem evidentemente nada e Tzipi Livni vangloria-se de, graças a ela, nenhum porto de Gaza ter sido aberto.

Os restantes israelitas também não estão interessados no que se passa em Gaza e, não tarda, Gaza será obrigada a recordar-lhes mais uma vez a sua situação trágica da única maneira que lhe é permitida: com os rockets.

A situação em Gaza é desastrosa, terrível. Ela não é mencionada no discurso israelita nem na campanha eleitoral mais miserável e vazia que tenha havido aqui.

É difícil acreditar, mas os israelitas inventaram uma realidade paralela, cortada do mundo real, uma realidade cínica, insensível, enterrada na negação, embora todos estes desastres, que são na maior parte provocados por eles próprios, ocorram a uma curta distância das suas casas.

Os recém-nascidos morrem gelados sob os escombros das suas casas, os jovens arriscam a vida e atravessam a vedação fronteiriça para apenas obter uma ração de comida numa cela israelita.

Alguém ouviu falar disto? Alguém se preocupa com isto? Alguém percebe que isto conduz à próxima guerra?

Salma viveu apenas 40 dias, como a eternidade de uma borboleta. Era um bebé de Beit Hanoun, no nordeste da faixa de Gaza, que morreu no mês passado de hipotermia, depois de o seu corpo frágil ter gelado com o vento e a chuva que penetraram na cabana de contraplacado e plástico onde ela vivia com a sua família, depois da sua casa ter sido bombardeada.

“Ela ficou gelada como um sorvete”, declarou a sua mãe sobre a última noite do seu bebé. O porta-voz do UNRWA [organização da ONU para os refugiados], Chris Gunness, contou a história de Salma na semana passada no jornal britânico The Guardian. Mirwat, a sua mãe, disse-lhe que, quando nasceu, ela pesava 3,1 kg. A irmã Ma'ez, de três anos, está hospitalizada por enregelamento.
Ibrahim Awarda, de 15 anos, que perdeu o pai num bombardeamento israelita em 2002, teve mais sorte. Decidiu atravessar a fronteira entre Gaza e Israel. “Eu sabia que seria detido”, declarou ao jornalista do New York Times em Gaza na semana passada. “Pensei que talvez fosse encontrar uma vida melhor. Deram-me comida decente e recambiaram-me para Gaza”.

Ibrahim ficou detido durante cerca de um mês em duas prisões de Israel antes de ser atirado de novo para a destruição, a miséria, a fome e a morte. Trezentos habitantes de Gaza morreram afogados no mar em Setembro do ano passado, numa tentativa desesperada de deixar a prisão de Gaza.

84 habitantes de Gaza foram detidos pelas forças de defesa israelitas nos últimos seis meses, depois de terem tentado entrar em Israel; a maioria deles queria apenas fugir do inferno onde viviam. Outros nove foram detidos este mês.

Atiya al-Navhin, de 15 anos, tentou também entrar em Israel em Novembro, apenas para fugir à sua sorte. Soldados do Tsahal abriram fogo sobre ele, foi tratado em dois hospitais israelitas e voltou para Gaza em Janeiro. Agora, está deitado na sua casa, paralisado e incapaz de falar.

Cerca de 150 mil pessoas sem abrigo vivem na faixa de Gaza e cerca de 10 mil refugiados estão nos abrigos do UNRWA. O orçamento da organização foi gasto depois de o mundo inteiro ter ignorado o seu compromisso de contribuir com 5,4 mil milhões de dólares para a reconstrução de Gaza.

O compromisso de negociar o levantamento do bloqueio a Gaza – a única maneira de evitar a próxima guerra e a que se segue – também foi quebrado. Ninguém fala sobre isso. Não é interessante. Houve uma guerra, israelitas e palestinianos morreram para nada, passemos então à próxima guerra.
Israel fará mais uma vez de conta que está surpreendido e ofendido – os cruéis árabes atacam-no de novo com rockets, sem razão.”


04
Mar 15
publicado por samizdat, às 15:29link do post | comentar

Miko Peled é um activista israelita judeu contra a ocupação, defensor da campanha de boicote BDS, autor do livro The General’s Son .

O Comité de Solidariedade com a Palestina convidou-o no âmbito da semana internacional contra o Apartheid Israelita.

A sua conferência terá lugar no dia 15 de Março, no auditório do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, pelas 18h30.
Rua Fialho de Almeida, 3 (metro São Sebastião)
 

É possível acabar com o genocídio na Palestina?

Sim! Esta é a resposta convicta de Miko Peled, filho de um general das Forças de Defesa israelitas. Mas, para isso, há que desmontar três mitos minuciosamente construídos pelas autoridades sionistas – e disseminados como verdades pelos nossos governantes.

1. O primeiro é o de que não vivia nenhum povo naquela terra que, em 1948, foi ocupada por milhares de judeus sionistas vindos dos quatro cantos do globo.

2. O segundo é o de que a ofensiva militar israelita, em 1967, foi uma resposta às ameaças que Israel diz ter enfrentado por parte de alguns países árabes, e que na verdade foi uma oportunidade para ocupar e pilhar parcelas maiores de territórios vizinhos.

3. O terceiro é o de que Israel é a única democracia no Médio-Oriente, quando essa tão elogiada “democracia israelita” abusa brutalmente de cinco milhões de palestinianos.

Estes assuntos, decisivos para se entender o porquê de 66 anos de limpeza étnica na Palestina, continuam na ordem do dia. E é sobre eles que Miko Peled, autor do livro The General’s Son, vem falar a Portugal.

Porque a paz na Palestina, o fim da agressão sionista, o respeito pelos direitos humanos e pelas resoluções da Organização das Nações Unidas, que nunca saem do papel, não dizem apenas respeito às mães que perderam os seus filhos na ofensiva de Gaza no último Verão. Não são exclusivos das dezenas de milhares de famílias que viram as suas casas destruídas e os seus escassos bens reduzidos a cinzas. Não pertencem somente aos órfãos enclausurados na Cisjordânia. Dizem respeito a todos nós. A todas as pessoas decentes que acreditam que todos os seres humanos devem ter os mesmos direitos políticos, sociais e religiosos… sem discriminação, sem apartheid.

Miko Peled é uma dessas pessoas, um judeu nascido em Israel, profundamente comprometido com a causa de uma Palestina livre de apartheid. Apesar de uma sobrinha sua ter morrido num atentado suicida palestiniano em Jerusalém, Peled nunca deixou de defender o direito dos palestinianos à resistência e de culpar a ocupação israelita pelos atentados que vitimam vidas inocentes.


 




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