Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
27
Fev 16
publicado por samizdat, às 22:07link do post | comentar

Reagindo às novas leis que estão a ser implementadas no Reino Unido

e na América do Norte para criminalizar as acções de boicote ao

Estado de Israel e travar o crescente movimento BDS (boicote,

desinvestimento e sanções), o escritor israelita Miko Peled

publicou no American Herald Tribune

de 22 de fevereiro o artigo que traduzimos abaixo.

 

 

Opor-se à BDS significa apoiar a opressão

Numa nova vaga de pânico pro-israelita, os USA, Canadá, Reino Unido e outros países ocidentais estão em grande agitação para ilegalizar a BDS. Estão a ser redigidas leis no coração da democracia ocidental para tornar o apelo ao boicote, desinvestimento e sanções contra Israel ilegal. Nos Estados Unidos, isto vai contra a Primeira Emenda e nos outros países ocidentais, vai contra o direito básico do povo à liberdade de expressão e contra a sua liberdade de agir quando vê injustiças. Aconteça o que acontecer a seguir, uma coisa é certa: esta legislação irá ajudar a causa palestiniana. Ela irá no fim de contas juntar mais apoiantes que, de outra maneira, podiam não se interessar pela questão palestiniana. Pessoas que dão importância à liberdade de discurso e ao direito de expressar o seu desejo de castigar os autores de injustiças, mesmo quando estes são judeus.

A razão por que eles estão apressados em legislar contra as pessoas que pelo mundo fora apoiam a causa palestiniana e desejam castigar Israel pelos seus crimes, é porque a BDS funciona e o tempo de Israel está a esgotar-se. A BDS é uma forma de resistência moralmente legítima, já comprovada, guiada por princípios e não-violenta. Levados pelo pânico, Israel e os seus agentes em todo o mundo estão desesperadamente à procura de formas de travar o sentimento pro-palestiniano. Uma vez que não conseguem ganhar apoiantes, decidiram criminalizar os seus opositores.

Depois de ter feito o gesto oco de reconhecer o Estado da Palestina, um Estado que só existe como fruto da imaginação, agora o ocidente tenta garantir que o progresso real na questão da Palestina não aconteça. Eles precisam de assegurar-se que por trás de gestos ocos, como o de apoiar um Estado que não existe, nada mude na Palestina. No que diz respeito a questões de justiça e liberdade, a hipocrisia faz parte de uma tradição ocidental de longa data. O ocidente está familiarizado com lutas contra a injustiça, por ter infligido a injustiça praticamente no mundo inteiro. Mesmo quando os Aliados estavam a celebrar a libertação da Europa perante os nazis, os governos americano e europeus continuavam a impor os seus próprios holocaustos a outros: os belgas no Congo, os franceses no Norte de África e na Indochina, os americanos no Japão e depois no sudeste asiático, e a lista não tem fim. Mesmo quando os nazis estavam a ser julgados pelos seus crimes, os USA, que até hoje nunca foram punidos pelo genocídio do povo nativo da América do Norte, continuavam a impor a sua própria versão das “leis de Nuremberga” aos negros.

Tendo uma tão rica e diversa experiência de opressão e genocídio, o ocidente sabe o que fazer para que os palestinianos permaneçam vítimas das leis racistas e das políticas genocidas israelitas. Mas se esta legislação tiver algum efeito, será o de mobilizar  mais pessoas para o apoio à Palestina e fortalecer a vontade do povo de quebrar a lei. Por fim, mesmo os maiores apoiantes de Israel realizarão que nenhuma legislação pode parar um movimento de resistência popular. Quando os opressores legislam contra o apoio a uma resistência legítima, isso quer dizer que estão a perder. As pessoas que apoiam a liberdade e a justiça na Palestina irão contra essa lei e a maior parte fa-lo-á alegremente. E embora o desejo de parar a vaga crescente do apoio mundial à Palestina seja forte, ele não é tão forte como o desejo de ver Israel ser punido pelos seus crimes.

Tentar controlar a solidariedade para com a causa palestiniana pelo mundo fora com vista a proteger Israel é tão estúpido quanto cobarde. Um artigo recente publicado no Jerusalem Post fornece um exemplo de como é estúpido. Um evento dedicado a mulheres sobreviventes do Holocausto realizado no parlamento austríaco planeava homenagear Hedy Epstein. Hedy é uma judia americana de origem alemã, fervente apoiante da luta palestiniana, opõe-se ao sionismo e apoia a BDS. Segundo a história do Jerusalem Post, Efraim Zuroff, o caçador de nazis chefe do Centro Simon Wiesenthal , disse de Hedy: “Ela não é uma sobrevivente no sentido clássico, […]. Ela é uma tristemente célebre anti-sionista .” Alguém deveria informar este caçador de nazis que ele tem uma descrição do seu ofício muito estranha, mas também que não existe essa coisa de sobrevivente do holocausto “clássico”, eles vêm de todas as formas e tamanhos e com uma variedade de opiniões, inclusive muitos que são anti-sionistas.

Esse evento intitula-se “Em palavras da avó... O destino das mulheres na II Guerra Mundial” e Hedy foi convidada para falar das suas experiências. Mas os sionistas ultra-ortodoxos entraram em pânico. Uma longa lista dos crimes de Hedy Epstein é referida no artigo, incluindo: “Epstein defende o boicote económico a Israel”. Conheçam o inimigo, senhoras e senhores, uma mulher judia de 91 anos de nome Hedy Epstein que não tem medo e chama as coisas pelo nome. Isto é precisamente o que Israel teme mais, porque é um inimigo que eles não podem matar. É a razão pela qual Hedy é uma ameaça e é a razão pela qual a BDS é uma ameaça.

O apoio à BDS é de facto muito fácil de entender. A lista dos crimes israelitas é infinita. A limpeza étnica de 1948, as leis racistas que governam o Estado de Israel, a recusa do governo israelita de permitir o retorno dos refugiados palestinianos às suas casas e terras. A destruição e o apagamento habituais da história e da cultura palestinianas, dos monumentos, dos marcos e paisagens palestinianos. A expansão contínua de cidades e vilas, de aldeias e quintas, grandes estradas, centros comerciais e indústria israelitas que são construídos em terra palestiniana e excluem os palestinianos. Mais de seis décadas de ataques assassinos a Gaza que causam o máximo possível de vítimas civis. A facilidade com que jovens palestinianos são abatidos a tiro nas ruas praticamente todos os dias. Detenções, interrogatórios e tortura de crianças para obter falsos testemunhos que permitem perseguir outras crianças e adultos. A carta branca dada à polícia, ao exército e aos serviços de informação que lidam com os palestinianos. A lista continua, mas para os governos ocidentais  o apoio à opressão e ao genocídio faz parte de uma longa tradição, portanto porquê quebrá-la agora?

Texto original:
http://ahtribune.com/human-rights/552-opposing-bds.html


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