Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
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Ago 17
publicado por samizdat, às 00:16link do post | comentar

 

Por ocasião do Dia Mundial da Fotografia, assinalado a 19 de agosto, mais de 40 fotógrafos portugueses, professores de fotografia e estudantes de fotografia tornam público o seu compromisso de não aceitarem convites ou financiamentos profissionais do Estado de Israel e recusam-se a colaborar com instituições culturais israelitas cúmplices do regime de ocupação, colonialismo e apartheid.

O comprometimento é o primeiro deste tipo e segue iniciativas semelhantes de boicote cultural a Israel por centenas de artistas de relevo nos EUAReino UnidoÁfrica do SulCanadáSuíça e França. Os fotógrafos mantêm o boicote até Israel  "cumprir o direito internacional e respeitar os direitos humanos dos palestinianos".

Entre os apoiantes do comprometimento estão João Pina, vencedor da Prémio Estação Imagem Viana do Castelo 2017, o único prémio de fotojornalismo de Portugal e Nuno Lobito, personalidade de TV e um dos portugueses mais viajados de todos os tempos (204 países, 193 reconhecidos).

O comprometimento vem em resposta ao apelo de 2004 de artistas e trabalhadores culturais palestinianos, incluindo jornalistas e fotógrafos, para um boicote cultural a Israel, devido ao seu uso instrumental da cultura para branquear a opressão sobre os palestinianos.

O boicote cultural a Israel faz parte do movimento global de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), inspirado na campanha de boicote sul-africana contra o apartheid nos anos 80. O movimento BDS, com liderança palestiniana, viu um crescimento impressionante nos últimos anos.

Os artistas de fotografia palestinianos não escapam à brutalidade da ocupação israelita. Muitos tiveram os seus vistos recusados pelo exército de ocupação, impedindo-os de participar em conferências e apresentações internacionais. Artistas também foram detidos em postos de controlo, encarcerados, tendo o equipamento destruído e, no geral, são expostos à mesma violência perpetrada pelo exército israelita contra todos os palestinianos.

Em 2014, Israel foi considerado o segundo país mais letal para jornalistas. Israel continua a intensificar os seus ataques contra jornalistas em 2017. Em Abril passado, a polícia israelita fracturou as costelas do fotógrafo Ahmad Gharabli da AFP e quebrou duas das suas câmaras. Ele foi um dos seis fotógrafos alvo de violência pelas autoridades israelitas nesse dia. Em Maio, um colono israelita matou Majdi Mohamed, fotógrafo da Associated Press, enquanto ele estava a cobrir uma incursão israelita em Nablus. Os ataques de Israel contra fotógrafos palestinianos e internacionais fazem parte de uma política sistemática e foram perpetrados com impunidade.

Segundo Miguel Carriço, vencedor do prémio do Concelho da Bienal de Vila Franca de Xira 2012:

“Como fotógrafo, e como tendo testemunhado na primeira pessoa – durante uma viagem para lá – os crimes que se praticam (todos os dias) na Palestina por parte de Israel, subscrever esta causa é um ato natural, tão natural que se torna fundamental aderir e divulgar esta causa por todos os meios possíveis.”

O fotógrafo-viajante Nuno Lobito comenta:

"Chegou a altura para que o apartheid israelita receba o mesmo tratamento que o apartheid sul-africano e ser alvo de um boicote abrangente internacional até sejam respeitados os direitos humanos. Os fotógrafos não podem continuar em silêncio sobre o tratamento de seus colegas palestinianos sob uma ocupação indefensável que dura há mais de meio século. Os palestinianos pediram a nossa solidariedade através do boicote e este compromisso é a nossa contribuição prática para a sua luta."

O signatário José Soudo, veterano professor de fotografia e historiador, comentou:

“A História da actividade Fotográfica, está cheia de exemplos, que nos chegam desde o século XIX até aos dias de hoje, que nos comprovam que muitos e excelentes fotógrafos, colocaram o seu olhar ao serviço dos desfavorecidos e dos oprimidos.”

Para João Henriques, vencedor do Prémio Fnac New Talents de 2015, “participar desta solidária iniciativa Fotógrafos pela Palestina é também constituir uma prece pelos povos em sofrimento na região, ao mesmo tempo acreditando na fotografia enquanto potência, para testemunhar, para gerar consciência, para verter empaticamente em nós o tempo presente do Outro.”

O apoio ao boicote cultural de Israel goza de um amplo apoio internacional, do qual se destacam os nomes de Roger Waters, Ken Loach, Mike Leigh, Lauryn Hill, Mark Rylance, Emma Thompson, Alice Walker, Naomi Klein, Elvis Costello, Brian Eno, Jean Luc Godard e Mira Nair.

Em 2011, o Festival Internacional LGBT Queer Lisboa abandonou o patrocínio israelita na sequência de uma campanha BDS. Este ano, activistas do BDS pediram ao Festival de Almada para cancelar uma colaboração com o governo israelita e a sua campanha de marketing Brand Israel.


Nota aos editores:

O texto completo do comprometimento é:

"Apoiamos a luta palestiniana pela liberdade, justiça e igualdade. Em resposta ao apelo de fotógrafos, jornalistas e trabalhadores culturais palestinianos para um boicote cultural a Israel, comprometemo-nos a não aceitar convites profissionais ou financiamentos do Estado israelita ou cooperar com qualquer instituição ligada ao seu governo, até que Israel cumpra com a lei internacional e  os princípios universais de direitos humanos."

A promessa dos fotógrafos de boicotar Israel é um trabalho em andamento. Os fotógrafos portugueses ou residentes em Portugal que desejem juntar o seu nome a esta iniciativa devem escrever uma mensagem para: comitepalestina@bdsportugal.org


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