Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
19
Jan 09
publicado por samizdat, às 14:33link do post | comentar
Um cessar fogo que deixa Gaza à espera que o fogo cesse, em que a França, Grã Bretanha, Egipto, a República Checa e Espanha (em nome da "comunidade internacional") deram a sua aprovação a Israel pelo trabalho feito, num prato de prata cheio de cinzas.
Antes do ataque, a vida já não era vida no Gueto de Gaza, agora vai-se ver. Ontem à noite os primeiros relatos dos jornalistas da situação em Rafah eram de calamidade. Veremos.
Com o "cessar-fogo", o trabalho torna-se tão, senão mais, importante como antes. Gaza precisará de ajuda: os Palestinos que sobrevivem têm direito a uma vida normal. O "cessar fogo" tem que acabar com o bloqueio de Gaza. Será ainda uma luta para acabar com o bloqueio e o cerco, além de mais, não há garantia que Israel páre a matança: não vamos deixar a Gaza só nessa luta.
Àqueles e àquelas que foram mobilizados pela crise desta agressão óbvia na sua barbaridade, não se enganem, não se esqueçam dos Palestinos e da Palestina. Este episódio de 23 dias foi um momento numa ocupação que dura 41 anos e a Naqba que já fez 60.
 
Como diz Eduardo Galleano
"Ya poca Palestina queda. Paso a paso, Israel la está borrando del mapa."
 
 
 

De Lisboa para Gaza

(no dia de um cessar fogo)

 

Cercada pelo nevoeiro

a minha rua tornou-se cinzenta,

tantas gotas nascem da neblina,

pontinhas frágeis de luz pegadas

aos torcidos ramos das árvores descuradas

do jardim que mal sobrevive

atrás de um muro antigo

decorado com remendos e manchas de musgo –

à frente da minha janela,

são centenas de lágrimas que brotam,

donde virão em breve folhas e flores.

Vivo o esplendor do momento e do futuro,

sentindo apenas um frio ligeiro nos dedos,

enquanto protegido na minha privacidade

escrevo sobre bairros modernos,

bairros secos e ensolarados,

onde chove só fogo e fósforo,

onde nasce tanta morte

e mal resiste a vida,

um cemitério cercado por muros novos,

onde verde pode ser a cor de bandeiras

mas brancas são sempre as mantas dos defuntos,

bairros densos de desgraça, desertos humanos,

que terão de aguentar o presente

até a Primavera.

  

alan stolerov

18 Jan. 09


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