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Fev 09
publicado por samizdat, às 15:48link do post | comentar

Shraga Elam*

 

Ao contrário do que julgam vários comentadores, as eleições israelitas não marcam uma viragem à direita. Na verdade, elas constituem mais uma guinada para o centro da sociedade israelita, sem muito lugar para ideologia, e sim, principalmente, para oportunismo e corrupção. Estão hoje a correr investigações criminais com fortes provas contra grandes figuras centrais de todos os principais partidos e as diferenças entre eles não são tão profundas como parece à primeira vista.

 

Muita gente na chamada esquerda sionista votou no partido de centro, Kadima, porque queria travar o chefe do Likud, Benyamin Netanyahu. O próprio Netanyahu não estava interessado em que o seu partido obtivesse demasiados votos porque nesse caso os direitistas mais radicais da sua lista teria entrado no parlamento e isso teria tornado ainda mais difícil a sua posição perante o presidente norte-americano Barack Obama.

 

Avigdor Lieberman, um dos grandes vencedores das eleições, que obteve um amplo apoio para os seus populares slogans anti-árabes, não é visto pela extrema-direita como um dos seus. Uma das razões é que ele apoia a chamada “solução de dois Estados”, que essa extrema-direita recusa peremptoriamente. O seu racismo anti-árabe não é maior que o da maioria dos partidos sionistas tem sido sempre – ele é apenas mais honesto a esse respeito.

 

Por isso não é surprrendente que vários extremistas de direita se queixem de ter perdido as eleições e que um deles, Israel Harel, até se queixe por adversários seus no xadrez político, como o partido Meretz, terem perdido tanto. Para ele, isto é a expressão de um processo que está a sofrer a sociedade israelita, de se tornar menos ideológica.

 

Por Netanyahu querer melhorar a sua posição face aos EUA, também é muito provável que a sua coligação inclua o Kadima e o partido do “Trabalho”, do popular ministro da “Defesa” Ehud Barak. O partido do “Trabalho” declara que pretende ficar na oposição e reconstruir-se, mas ele é um partido que por várias vezes mostrou ter dificuldades em resistir à tentação de ir para o governo. Ficar na oposição signifcará provavelmente o fim da carreira política de Barak – e ele sabe-o. Os outros dirigentes do partido do “Trabalho” provavelmente cederão à pressão para impedir um governo com Lieberman, embora já tenham estado num governo com ele.

 

O cenário mais provável é que Netanyahu partilhe rotativamente o gabinete de primeiro-ministro com a actual ministra dos Negócios Estrangeiros Tzipi Livni, do partido Kadima. Esta é a solução mais lógica, porque não é provável que Netanyahu obtenha o apoio dos extremistas da direita mais radical, a não ser que se comprometa a não fazer aos palestinianos concessões na Cisjordânia e aos partidos Kadima e do “Trabalho” em Israel. Isso significa que não parece provável os extremistas de direita recomendarem ao presidente Shimon Peres que nomeie Netanyahu para constituir o novo governo.

 

Netanyahu terá de manter a velha linha israelita de manter aberta a opção dos dois Estados, embora agindo contra ela. Portanto ele não poderá ter um governo baseado em extremistas de direita, que querem incluir no programa do governo uma declaração clara.

 

As eleições também tornam mais claro para quaisquer israelitas consequentes partidários da paz que a sua única possibilidade de influenciar a política do governo passa por estruturas extra-parlamentares.

 

 

* Shraga Elam é um jornalista israelita residente na Suíça, activista pela paz e autor de investigações de referência sobre o colaboracionismo de agentes suíços, norte-americanos e judeus com a economia de guerra nazi. O presente texto foi traduzido do seu blog: http://shraga-elam.blogspot.com/

 


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