Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
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Abr 09
publicado por samizdat, às 15:38link do post | comentar

O activista palestiniano Omar Barghouti escreveu o texto seguinte em comentário a um artigo ontem publicado no diário Haaretz, pelo jornalista Gideon Levy, um ícone do jornalismo israelita mais acerrimamente defensor dos direitos humanos. Levy afirmava aí que, apesar dos crimes de guerra por si cometidos, o exército israelita não pode ser comparado com as tropas nazis. Sobre essa categórica negativa se pronuncia, em seguida, Barghouti. O texto original não tinha título.

Omar Barghouti

Ao recusar a comparação [entre sionismo e nazismo] no seu artigo, é claro que Gideon Levy faz exactamente isso - ele está a comparar. Ele cita também vários exemplos, no final do artigo, que levam muitos analistas a comparar.
 
Se é certo que concordo inteiramente com ele em que a ocupação israelita, mesmo acrescida da sua forma especial de apartheid e dos seus crimes contra a humanidade, não pode ser identificada com o nazismo, não é menos certo que acho inaceitável o estauto sagrado que o Holocausto adquiriu, fora de qualquer quadro racional de pensamente e de investigação científica. Nenhum genocídio deve ser "intocável" ou categoricamente incomparável. Só deus tem, na cabeça dos crentes, essas propriedades divinas, não-humanas. Nada no mundo está ou deveria estar fora do alcance da razão. Nem sequer o Holocausto. 
 
O genocídio contra os africanos no tráfico de escravos dominado pelos europeus causou sem dúvida mais mortes e mais sofrimento durante um período mais longo. O extermínio em massa das populações indígenas da América do Norte e da Austrália não pode senão ser comparada com o Holocausto na sua inspiração ideológica e no seu impacte. Os crimes de Israel, todavia, não podem ainda medir-se, em qualidade ou quantidade, com os cometidos pelos nazis. Mas, tal como consta da alusão de Levy,  não se pode deixar de ver que certas práticas, políticas, e posições ideológicas são aparentadas com práticas e modos de pensamento nazis, especialmente nos anos 1930 (pré-Holocausto) e nos territórios europeus ocupados pela Alemanha. 

Quando soldados israelitas na primeira Intifada entrraram quatro palestinianos vivos e os deixaram morrem, ese foi um crime de crueldade propriamente nazi.
 
Quando soldados israelitas na segunda Intifada adoptaram no norte da Margem Ocidental a política de arrebanhar os palestinianos de sexo masculino, tanto os rapazes a partir de certa idade como os mais velhos,  e lhes escreveram na testa os seus números de identificação, também isso se parecia demasiado com as práticas nazis para ser simplesmente ignorado. Tommy Lapid, um político israelita racista e de direita, foi quem mais ruidosamente protestou no Knesset contra esta política. A sua avó e outros membros da sua família contavam-se entre os milhões exterminados no Holocausto.
 
Quando soldados israelitas gravaram, com punhais do exército, a Estrela de David nos braços de adolescentes palestinianos durante a invasão da Margem Ocidental em 2002, ninguém podia ignorar a semelhança do acto com as práticas nazis.

Mais recentemente, as práticas israelitas nazistóides em massa, os slogans, as T-shirts, etc., durante a guerra de agressão contra Gaza, especialmente devidas à doutrinação fascista levada a cabo por rabinos fundamentalistas sobre os soldados antes ou durante a ofensiva, evocaram certamente práticas nazis nas cabeças de muitos sobreviventes do Holocausto e de pessoas de consciência.

Iguais? Não, de modo algum. Comparáveis? Certamente


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