Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
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Jun 09
publicado por samizdat, às 00:03link do post | comentar

Hajo Mayor, 85 anos, holandês, sobrevivente de Auschwitz e anti-sionista, que não esconde a sua repulsa pelas actuações israelitas, é entrevistado por Adri Nieuwhof. Hajo Mayor é autor do livro “O fim do judaísmo”, nasceu em 1924 na Alemanha. Em 1939, com 14 anos e da sua própria iniciativa, fugiu para a Holanda. Foi detido pela Gestapo em Março de 1944 e deportado para o campo de concentração de Auschwitz. É um dos seus últimos sobreviventes.

Adri Nieuwof : O que gostaria de dizer para se apresentar?

Hajo Meyer : Tive de deixar a escola depois da Noite de Cristal, em Novembro de 1938. Foi uma experiência terrível para um jovem curioso e para os seus pais. Eis por que eu não posso identificar-me em caso algum com os criminosos que tornam impossível à juventude palestiniana ir à escola.

A.N : O que é que o levou a escrever este livro; “O fim do judaísmo”?

H.M : No passado, a comunicação social escreveu abundantemente sobre os políticos de extrema-direita, como Joerg Haider na Áustria e Jean-Marie Le Pen em França. Mas quando Ariel Sharon foi eleito primeiro-ministro de Israel, em 2001, os media ficaram mudos. E nos anos 80, eu compreendi o pensamento profundamente fascista desses políticos. Com este livro, quis tomar distância com tudo isso. Fui criado no judaísmo com, no coração, a igualdade das relações entre os seres humanos. Só soube da existência de um judaísmo nacionalista quando ouvi em entrevistas os colonos defender o direito a assediar os palestinianos. Pessoas pertencendo a certos grupos que desumanizam pessoas que pertencem a outro grupo podem comportar-se assim ou porque o aprenderam dos seus pais ou porque sofreram uma lavagem ao cérebro por parte dos seus dirigentes políticos. Foi o que aconteceu durante dezenas de anos em Israel, enquanto eles instrumentalizavam o Holocausto segundo os seus interesses políticos. […] Sempre achei insuportável que Israel, utilizando a impostura, se proclamasse Estado judeu, enquanto que ele é na verdade sionista. Ele quer o máximo de território com um mínimo de palestinianos. Tenho quatro avós judeus. Sou ateu. Partilho a herança sócio-cultural judia e aprendi o que é a ética judia. Não quero ser representado por um Estado sionista. Eles não têm ideia do que é o Holocausto. Eles utilizam o Holocausto para propagar a paranóia na cabeça dos seus filhos.

[…] Posso estabelecer uma lista interminável de semelhanças entre a Alemanha nazi e Israel. Confiscação de terras e de propriedades, proibição feita às populações palestinianas de aceder à educação e restrições aos meios de ganhar a vida para destruir a esperança; tudo isso com o fim de expulsar o povo da sua terra. E o que eu acho particularmente escandaloso, é de criar as circunstâncias que levam as pessoas a matarem-se umas às outras, semeando a discórdia e alargando o fosso entre as populações – como Israel faz em Gaza.

AN : No seu livro, fala do papel dos judeus nos movimentos pela paz em Israel e no exterior, e dos refuzniks no exército. Como vê a sua contribuição?

HN : Evidentemente, é positivo quando sectores da população judaica de Israel procuram ver os palestinianos como seres humanos e como os seus iguais. No entanto, o que me perturba é que o número desses protestos não é mais espesso que uma folha de papel e que eles não são verdadeiramente anti-sionistas. Multiplicámos os estudos sobre o que aconteceu na Alemanha de Hitler. Se você exprimisse a mais pequena alusão crítica na época, acabaria no campo de concentração de Dachau. Se você criticasse, seria morto. Os judeus de Israel têm direitos democráticos. Podem manifestar nas ruas, mas não o fazem.

AN : Pode comentar o facto de que os ministros israelitas aprovaram um projecto de lei que proibe a comemoração da Nakba, isto é, da expropriação da Palestina histórica? A lei propõe uma sanção que vai até três anos de prisão.

HM : É tão racista, tão horrendo. Não tenho palavras. É a expressão daquilo que já conhecemos. Zochrot (a organização da comemoração da Nakba israelita) foi criada para se opor aos esforços que Israel faz para limpar os vestígios que lembram a vida palestiniana. Proibir aos palestinianos comemorar a Nakba... não se pode actuar de maneira mais evidente em nazis, em fascistas.

Fonte: http://electronicintifada.net/v2/article10568.shtml


 


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