Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
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Dez 10
publicado por samizdat, às 14:05link do post | comentar

No âmbito da campanha internacional de Boicote-Desinvestimento-Sançõe

s a Israel, várias organizações e pessoas em vários países, incluindo Portugal e Israel, estão a enviar cartas à cantora Dulce Pontes, pedindo-lhe que cancele o seu concerto marcado para dia 21 de Dezembro em Telavive, à semelhança do que já fizeram dezenas de artistas famosos internacionais. O que segue é um exemplo das cartas enviadas.

O Comité de Solidariedade com a Palestina acredita que é possível convencer a cantora a não associar o seu nome à ocupação da Palestina e aos crimes de guerra de Israel e a não colaborar com a política de branqueamento do apartheid israelita.

O CSP

 

Cara Dulce Pontes

ondeia@dulcepontes.net

 

A Campanha Palestiniana pelo Boicote Académico e Cultural a Israel («Palestinian Campaign for Academic and Cultural Boycott of Israel (PACBI)»), bem como o movimento português de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel e, de uma maneira geral, o movimento BDS a nível global, que tem vindo a crescer e a ganhar força efectiva em todo o mundo, ficaram extremamente desapontados ao saber que a Dulce Pontes, que todos considerávamos uma pessoa de consciência, defensora dos direitos humanos e crítica de todas e quaisquer formas de atropelo dos direitos fundamentais e de opressão dos povos, onde quer que existam, tem programado um concerto em Tel Aviv, no próximo mês de Dezembro, em violação do apelo lançado pelo movimento BDS palestiniano [http://pacbi.org/etemplate.phd?id=66] que exorta as pessoas de consciência em todo o mundo a isolarem Israel, um Estado que mantém um sistema ilegal e desumano de ocupação, colonização e apartheid, amplamente acusado pelos principais especialistas das Nações Unidas em direitos humanos e Direito Internacional e por organizações de direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional, de cometer crimes de guerra e outras violações graves de direitos humanos.

 

A campanha palestiniana de boicote cultural a Israel granjeou já o apoio de muitas figuras do mundo da cultura de grande estatura internacional. Esta campanha não tem por alvo a «expressão cultural» em si, apenas visa expor o abuso da cultura como manobra de diversão usada por Israel para distrair as atenções das persistentes violações dos direitos humanos e do Direito Internacional e responsabilizar todos aqueles que ignorem estas graves violações e se permitam ser cúmplices no seu encobrimento.

 

Inserido nos eventos das celebrações do sexagésimo aniversário do Estado de Israel, o seu espectáculo irá contribuir para avalizar e celebrar a ocupação e o apartheid por parte de Israel. Não há motivos para celebrar. Israel continua a ocupar ilegalmente os territórios palestinianos e outros territórios árabes, em violação de numerosas resoluções das Nações Unidas. Continua a negar aos refugiados palestinianos os seus direitos, sancionados pelas Nações Unidas, pela simples razão de serem «não judeus». Continua a violar de forma persistente e grosseira o Direito Internacional e a infringir direitos humanos fundamentais com a impunidade que lhe é conferida pelo apoio pródigo dos E.U.A. e das Instituições Europeias a nível político, diplomático e económico. Continua a tratar os seus próprios cidadãos palestinianos com discriminação institucionalizada.

 

O seu espectáculo irá favorecer a campanha desenvolvida intensivamente por Israel para branquear a sua imagem, que piora cada vez mais a nível global, na sequência dos seus crimes de guerra em Gaza, descritos em pormenor no relatório produzido pela Missão da ONU para Averiguação dos Factos, chefiada pelo juiz Richard Goldstone, que considerou os ataques como tendo sido deliberadamente “concebidos para punir, humilhar e aterrorizar uma população civil” e exigiu que fossem feitas investigações de crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade. [“Report of the UN Fact Finding Mission on the Gaza Conflict.” General Assembly, A/HRC/12/48, 25.09.2009]. Será bom lembrar que, na chamada operação «Chumbo Fundido», foram mortos mais de 1.440 palestinianos, entre os quais 431 crianças, e feridos 5.380.

 

Tal como aconteceu na luta anti-apartheid na África do Sul, em que a solidariedade internacional desempenhou um papel fulcral no derrube do apartheid, nós acreditamos que o crescente movimento BDS a nível global é a forma mais eficaz de pressionar Israel a agir em conformidade com o Direito Internacional e a reconhecer os direitos inalienáveis do povo palestiniano.

 

Artistas famosos internacionais, incluindo Sting, Bono, Snoop Dog, Elvis Costello, Jean Luc Goddard, Joan Manuel Serrat, Roger Waters - ex-Pink Floyd, Faithless, Elvis Costello, Santana, Gill Scott-Heron, Pixies, Gorillaz, Sound System e Santana atenderam ao nosso apelo e cancelaram espectáculos em Israel.

 

Apelamos agora à Dulce Pontes que não associe a sua arte criativa à colonização, opressão e limpeza étnica e que junte a sua voz à destes artistas tão responsáveis do ponto de vista ético.


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