Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
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Jan 08
publicado por samizdat, às 14:48link do post | comentar
Numa política de punição colectiva contra a população de Gaza, o governo israelita limitou drasticamente a importação para Gaza de produtos tão diversos como pilhas, anestésicos, antibióticos, tabaco, café, gasolina, óleo diesel, chocolate, ar comprimido para o fabrico de refrigerantes. De 1,5 milhões de habitantes de Gaza, 1,2 milhões dependem da ajuda humanitária da ONU para sobreviverem.
O director do Banco Mundial para os territórios palestinianos ocupados, Faris Hadad-Zervos, vem advertindo desde Julho passado que o fecho das fronteiras com a Faixa de Gaza está a provocar danos irreversíveis na economia local. Mais de 3.190 empresas foram encerradas e 65.800 trabalhadores dispensados “temporariamente”. O desemprego, admitiu, poderia atingir a cifra astronómica de 44%.
 
Nos hospitais, deixaram de existir 85 medicamentos essenciais e 150 outros estavam, em Dezembro, à beira de se esgotarem. Os tratamentos de hemodiálise que deviam fazer-se três vezes por semana foram reduzidos para duas vezes para os doentes em estado muito grave. Duas dúzias de máquinas de hemodiálise estão paradas por falta de peças sobressalentes, que Israel não deixa passarem a fronteira. Segundo a organização israelita “Physicians for Human Rights”, dezenas de palestinianos cancerosos, necessitados de tratamentos urgentes, têm sido impedidos de passarem a fronteiras. O ministro da Saúde de Gaza, Bassem Naim, comentou: “Isto não é uma crise humanitária. É um crime de guerra”. O major-general israelita Peter Lerner, por seu lado, comentava: “Eles não podem lançar rockets de manhã e esperar que à tarde as fronteiras sejam abertas para os doentes".
O bloqueio foi agravado pelo exército israelita desde que o Hamas, partido vencedor das eleições, passou a controlar o governo do território em Junho de 2007. Israel alega que desde então foram lançados cerca de 2.000 morteiros de fabrico artesanal, matando duas pessoas e causando grave preocupação entre a população civil da cidade fronteiriça israelita de Sderot. A maioria dos morteiros são lançados por pequenos grupos não influenciados pelo Hamas.
Só durante o mês de Novembro, os israelitas procederam a 26 assassínios selectivos em Gaza, tendo matado nessas operações pelo menos mais quatro civis circunstantes. Nos anos de 2006 e 2007, as forças de segurança israelitas mataram 810 palestinianos na Faixa de Gaza. O diário Haaretz calculava que quase metade desse número (360) eram civis. Só os restantes seriam combatentes.
O chefe do serviço secreto israelita, Shin Bet, Yuval Diskin, contestou este cálculo, afirmando que “apenas” um quarto dos palestinianos abatidos eram inocentes: 200, segundo admitiu. Segundo a organização de direitos humanos israelita B’Tselem, 152 vítimas tinham menos de 18 anos e 48 tinham menos de 14.
O ministro da Segurança Interna, Avi Dichter, presente às declarações de Diskin, afirmou-se satisfeito com o balanço e disse que era preciso intensificar a guerra contra os palestinianos de Gaza para acabar de vez com as organizações “terroristas”.
Fontes: Washington Post, 15.12.07; Haaretz, 12.07.07 e 14.01.08
 

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