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Jan 08
publicado por samizdat, às 13:42link do post | comentar

MEL FRYKBERG

Middle East Times

January 03, 2008

  

http://www.metimes.com/International/2008/01/02/gaza_sewage_water_disaster_looms/5312/ 

 

 

Mais de 1,4 milhões de palestinianos de Gaza estão confrontados com uma catástrofe sanitária iminente, com a degradação dos sistemas de saneamento básico e de distribuição de água, a que faltam sobressalentes essenciais, combustível e assistência de manutenção, devido ao cerco económico israelita contra a Faixa de Gaza.

 

“Estamos apenas a uma falha de gerador de distância da catástrofe”, disse “Middle East Times” Michael Bailey, um porta-voz da Oxfam.

 

 

“A situação está à beira da crise. Há 35 estações elevatórias a funcionar para a rede de saneamento básico. Se uma das bombas parar, não há forma de repará-la, por causa da falta de sobressalentes”, disse Bailey, cuja organização trabalha com as Instalações de Água dos municípios costeiros de Gaza. “Isso significaria refluxo para as casas e para as ruas, com os resultantes problemas de saúde pública”.

 

Em Março, um aterro próximo de uma instalação de saneamento no norte da Faixa de Gaza desmoronou-se, espalhando um rio de lama e dejectos que matou pelo menos cinco pessoas.

 

Desde Julho, o CMWU, que faz a manutenção da maioria das redes de distribuição de água e de saneamento, e de estações de elevação e poços de água da Faixa de Gaza, não tem conseguido funcionar normalmente devido à falta de sobressalentes.

 

O Banco Mundial e a UNICEF relataram que apesar de vários pedidos, Israel probibiu a importação por qualquer via – mar, ar ou terra através da fronteira egípcia – de peças para bombas de elevação, tubos metálicos, filtros de ar e de oleo e outros bens que têm de ser obtidos fora de Gaza; ao passo que permite a passagem de apenas algumas coisas essenciais através da fronteira Erez com Israel no norte da Faixa de Gaza.

 

“Estamos preocupados com a forma de enfrentar uma vaga de avarias em estações elevatórias, de faltas de água e outros problemas, porque temos consciência de não ter os meios para responder a necessidades urgentes. Não conseguimos fazer as reparações necessárias nem levar a cabo a manutenção preventiva” disse ao "Middle East Times” a directora geral da CMWU, Mother Shoeblack.

 

 

O porta-voz do exército israelita, coronel Nir Press questionou esta declaração. Dizendo que no início de Dezembro Israel tinha permitido a entrega 4.500 tons de medicamentos essenciais e peças sobressalentes num comboio de 106 camiões mas que os ataques a Gaza inviabilizaram esses planos.

 

“Estamos a actuar numa situação em que os pontos de passagem para Gaza, através dos quais tem chegado a ajuda, estão frequentemente sob fogo de rockets e de Qassams [rockets artesanais] lançados por grupos militantes, forçando-nos assim forcing a equilibrar entregas e segurança”, disse ele à “Middle East Times”.

 

As estações elevatórias de distribuição da água e da rede de saneamento são movidas por electricidade. Se não há suficiente, são movidas por geradores de reserva, movidos a combustível. A interrupção tanto da electricidade como dos fornecimentos de combustível tem por vezes forçado as estações de água e da rede de sanemaento básico a interronperem o funcionamento.

 

O CMWU faz funcionar uns 130 poços de água, 33 estações elevatórias e três estações de tratamento. Dez dos poços são movidos a combustível, os outros a electricidade. Os geradores movidos a Diesel são usados como sistema de reserva no caso de cortes de electricidade.

 

A companhia disse que actualmente recebe apenas metade da quantidade de combustível de que necessita para fazer funcionar 24 horas por dia os poços, estações elevatórias e estações de tratamento.

 

Desde que o Hamas tomou o poder na Faixa de Gaza, num golpe militar em Junho do ano passado, Israel bombardeou a principal central eléctrica de Gaza e impôs um bloqueio económico ao território.

 

Na sequência dos continuados ataques de Qassam contra cidades israelitas na fronteira com Gaza, os fornecimentos foram mais reduzidos em Outubro – os de Diesel em 49%, de petróleo em 40% e de Diesel industrial em 14%,s egundo o WHO.

 

Bailey sustenta que a população civil está a ser castigada injustamente por crimes que nunca cometeu, em violação da lei humanitária internacional.

 

“Tentámos sem sucesso convencer as autoridades israelitas de que a importação destas peças e a retomada do abastecimento de combustível necessitado com urgência são parte essencial da ajuda humanitária, tal como os alimentos básicos que se deixa entrar”, disse ele.

 

Desde Maio, 149 poços públicos de Gaza tiveram combustível insuficiente para funcionarem e não foram objecto de manutenção devido à falta de peças.

 

Em consequência, 15% da população de Gaza – 225.000 pessoas – só têm água duas horas por dia. Gaza tem uma taxa de crescimento da população de 3,6% ao ano e a água extraída dos aquíferos costeiros não está a ser substituída.

 

Além disso, a água de fraca qualidade não é testada há mais de um ano, porque os laboratórios não têm podido importar substâncias químicas para testá-la. Os testes de WHO levados a cabo há vários anos concluíram que a água de Gaza é imprópria para consumo humano.

 

A seriedade da situação levou o ex-primeiro-ministro britânico e actual enviado do Quarteto, Tony Blair, a envolver-se no Projecto de Emergência para Tratamento de Água desperdiçada no Norte de Gaza, do Banco Mundial, e a usar a sua influência para tentar convencer as autoridades israelitas a permitirem a entrada de peças sobressalentes para este projecto em especial.

 

Mas Shoeblack afirma que isto não é suficiente para as estações de tratamento remanescentes em Gaza e disse que os israelitas continuam a não permitir a entrega de fornecimentos indispensáveis.


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