Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
31
Jan 08
publicado por samizdat, às 15:28link do post | comentar

Por Michael Warschawski    

 

Na semana passada, foram verificadas várias leis sociais e físicas.  

A primeira lei determina que, ao incrementar-se a pressão sobre uma área fechada sem válvula de segurança, ela acabará por explodir. O cerco que Israel impôs a 1,5 milhões de homens, mulheres, idosos e crianças residentes na Faixa de Gaza resultou numa crise humanitária e fome que levaram a população a romper o muro que selava hermeticamente Gaza. O muro foi derrubado no seu ponto mais fraco, na fronteira com o Egipto, permitindo a milhares de pessoas esfomeadas e cercadas entrarem no Sinai e acumularem alimentos e medicamentos.

A segunda lei determina que os seres humanos nem sempre reagem como previram os órgãos de poder; em vez de cederem à pressão de Israel, os residentes de Gaza decidiram romper o cerco por si próprios.

A terceira lei tem a ver com as supresas dos círculos dominantes – os serviçoes de inteligência, militares, think tanks e “analistas de assuntos árabes” bem como o governo israelita não previram o que aconteceu na última semana em Rafah, e ninguém notou a destruição do muro pelo governo palestiniano de Gaza. E no entanto aqui está uma outra ocasião em que toda esta gente foi surpreendida, como o fôra pela primeira Intifada, pela rejeição das “generosas ofertas” de Barak por Yasser Arafat, pela segunda Intifada e pelas capacidades de resposta do Hezbollah no Verão de 2006.

Esta surpresa não é o resultado da estupidez dos que são supostos entender o que poderia acontecer, e sim da cegueira do poderoso que é incapaz de olhar os que estão sob a sua bota como seres humanos com vontade própria e com a sua própria capacidade para tomar decisões. Aos olhos do ocupante, o ocupado é um objecto, não um sujeito capaz de pensar e de reagir fora do cenário definido pelo ocupante. Através da História, esta cegueira acompanhou todas as guerras coloniais, da Argélia ao Afeganistão, do Vietname ao Iraque – o colonialismo israelita não constitui excepção.

O dia em que os habitantes de Gaza romperam o muro da sua prisão é na verdade um dia digno de comemoração, tal como o da revolta do Soweto na África do Sul ou da insurreição de Budapeste há 50 anos, uma comemoração que distingue entre o que é humano e o que é próprio dos animais: o desejo de liberdade e a vontade de moldar a própria vida.  E se a iniciativa dos habitantes de Gaza e dos seus dirigentes representa o que é humano, o cerco a Gaza representa a bestialidade do ocupante que, com a desculpa esfarrapada dos morteiros Qassam sobre a cidade de Sderot, não hesita em impor um castigo que condena à fome 1,5 milhão de pessoas. Na verdade, o encorajamento levado a todo o lado pelas imagens de televisão chegadas de Gaza não deve apagar o facto simples e doloroso de que não acabou a violência de Israel contra os habitantes de Gaza. É razoável supor que os estados-maiores militares estão a cozinhar actos ainda mais cruéis de castigo do que as “experimentações” que Ehud Barak apregoou. A “Aliança contra o Cerco de Gaza” fez bem em não cancelar a caravana de solidariedade planeada para 26 de Janeiro, porque os habitantes de Gaza continuam a necessitar dessa mesma solidariedade e por muito tempo continuarão.

Os políticos, assessores, altos funcionários e jornalistas serão responsabilizados pelo que sem dúvida é definido como um crime de guerra. No banco dos réus, o ministro da Defesa, Ehud Barak, terá jus a um lugar especial de (des)honra. O homem que experimenta em seres humanos é o mesmo que foi responsável pelo massacre de cidadãos palestinianos de Israel em Outubro de 2000, pelo sangrento ataque planeado nas cidades da Cisjordânia no final de 2000, já para não falar das suas acções na campanha militar. Este homem ensanguentado anda com a marca de Caim na sua testa, e quando viajar pelo mundo tem de ser tratado como um criminoso de guerra pelo qual os tribunais esperam para fazer justiça.

Menachem Mazuz, o procurador-geral israelita, anunciou esta semana que ninguém seria julgado pelo massacre que ocorreu em Outubro de 2000. Ehud Barak, o primeiro responsável, não devia ter sido mandado em paz mais uma vez.

Fonte: http://www.alternativenews.org/

mais sobre mim
Janeiro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
12

13
15
17
19

20
25
26

27
28


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO