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Mar 14
publicado por samizdat, às 23:26link do post | comentar

“Os israelitas julgam as pessoas segundo os seus antepassados e isolam-se num ‘Estado-ghetto’ cuja natureza dependerá da sua pureza”, escreve Gideon Levy, jornalista israelita do diário Haaretz, que acrescenta: “Os novos judeus, os israelitas, adoptam os métodos e os valores dos nazis”.

 

Um artigo de Gideon Levy

 

 

 

Só se pode falar assim na obscuridade: nas adegas de cervejas, em manifestações de marginais ou na sede de organizações declaradas ilegais. Só uma extrema-direita fascista, antisemita e xenófoba osaria falar assim. Só os skinheads e os seus mestres osariam falar em pureza nacional e pensar em definir o seu país em função da sua etnicidade, da sua religião, da sua raça, da sua nacionalidade ou da sua hereditariedade.

Aqueles que dissessem “a França para os franceses”, “a América só para os americanos” ou ainda “a Itália, Estado católico” não seriam credíveis. Esses países são democracias que abrangem todos os seus cidadãos; o seu carácter é determinado pelas partes constituintes da população inteira. Em cada uma delas vivem minorias cujo número cresce nesta época de globalização e de migração. Ninguém fala de Estado-nação, de um Estado que tem apenas uma religião, apenas um grupo racial.

No entanto, esse tipo de discurso é corrente en Israel. É legítimo e até mesmo sionista. Exemplo: Estado judaico. É só em Israel que os direitos do indivíduo e o carácter do Estado são determinados pela sua origem: ter uma avó judia. Que vão para o inferno os membros dos grupos minoritários – dos quais a maioria nasceu cá.

Esse tipo de discurso também se tornou a condição básica para as negociações com os palestinianos. É apenas uma desculpa fácil, evidentemente – mais um obstáculo no caminho para um acordo de paz. Mas os sintomas dessa afecção maligna estão profundamente codificados no ADN israelita.

Só lhes falta a estrela amarela; talvez ela também regresse. No fim de contas, como é que saberemos quem é judeu num Estado judeu? Será preciso encontrar um meio de identificar quem é (e sobretudo quem não é) judeu. O seu cartão de identidade mais simples, é a antiga Estrela de David – de má reputação – cosida nas vossas roupas.

Pois é, é uma nova vaga do amarelo onde os judeus se entrincheiram mais uma vez no ghetto. Israel esforça-se para não ser aceite na vizinhança – a “vivenda na selva” segundo Ehud Barak – e este esforço vai para além da segurança e da sua política.

É “entrada proibida” para a cultura do Médio Oriente, a arte e a história árabes, os requerentes de asilo africanos, qualquer pessoa que não seja judia. Todos os israelitas conhecem a ladainha “Estado judeu”, mas não é claro que se saiba o que isso quer dizer. Será um Estado halacaico dirigido segundo a lei judaica? Será uma teocracia sem casamentos civis, sem transportes públicos no dia do sabbat e com uma mezuzah em quase todas as entradas de casas?

Eis um Estado judeu. Então, será que Israel seria não-judaico sem essas tradições? Seria não judaico com 50.000 requerentes de asilo e judaico sem eles? Ainda não decidimos se o judaismo é uma religião ou uma nacionalidade, nem mesmo quem é judeu. O essencial é que queríamos um Estado judaico, aquele que o presidente palestiniano Mahmud Abbas reconhecerá para a eternidade.

Mas determinaremos o carácter de Israel por outros meios – não pelo sangue que corre nas veias dos seus habitantes, mas pelo seu sistema de governo, a sua cultura e a sua sociedade. Um árabe de Taileh não é menos israelita que um membro de Bnei Menashe, comunidade originária da Birmânia e da Índia, que foi trazida para o colonato de Kiryat Arba, perto de Hebron.

O filho de refugiados africanos nascido e criado em Israel, cuja língua é o hebreu, cujo cantor preferido é Eyal Golan e cuja equipa de futebol é o Hapoel (ou Maccabi) Tel Aviv, não é menos israelita que um estudante de uma yeshiva Ateret Cohanim. Se queremos uma estrela amarela, que seja para todos. Para todos os israelitas.

Fonte: http://www.haaretz.com/opinion/.pre...

Traduzido do francês pelo CSP

 


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