Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org
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Mai 16
publicado por samizdat, às 21:05link do post | comentar

Israel recusou oficialmente a renovação do documento de viajem de Omar Barghouti, co-fundador do movimento Boicote, Desinvestimento, Sanções (BDS), o que se traduz numa interdição de viajar e numa escalada dos seus ataques aos defensores dos direitos humanos dos palestinianos que defendem de maneira não violenta os direitos dos palestinianos ao abrigo da lei internacional.

 

Barghouti, que vive com a sua família em Acre, tem residência permanente em Israel e necessita de um documento de viajem israelita para viajar para dentro e para fora da Palestina/Israel. A sua reacção imediata foi: “Estou nervoso mas sem dúvida determinado por essas ameaças. Nada me fará parar de lutar pela liberdade, justiça e paz do meu povo”.

A decisão de Israel de não renovar o documento de viagem com pretextos burocráticos sem fundamento está a ser vista por peritos dos direitos humanos como o primeiro passo para revogar a residência permanente de Barghouti.

O ministro israelita do Interior Aryeh Deri já tinha ameaçado nesse sentido, numa recente conferência anti-BDS realizada em Jerusalém, quando revelou que estava "inclinado a cumprir" um pedido que tinha recebido de um membro de extrema-direita do parlamento israelita para revogar a residência permanente de Barghouti.

A interdição de viajar vem na sequência de um incitamento ligeiramente velado de violência física contra Barghouti e activistas BDS pelo ministro israelita da Informação Yisrael Katz e do ministro dos Assuntos Estratégicos Gilad Erdan. Katz apelou Israel a envolver-se em “eliminações civis seleccionadas” de dirigentes da BDS, enquanto que Erdan descreveu os activistas e dirigentes BDS como ameaças e apelou a que eles “pagassem o preço “ pelo seu trabalho, continuando com uma clarificação de que ele não entendia com isso “danos físicos”. Defendendo “campanhas para responsabilizar Israel pelas violações dos direitos humanos e outras leis internacionais, Amnesty International expressou a sua preocupação pelasegurança e liberdade do defensor de direitos humanos palestiniano Omar Barghouti” no seguimento dessas ameaças, “incluindo danos físicos e privação de direitos básicos”.

Como voluntário dirigente do movimento BDS, Barghouti faz viagens internacionais regulares com o fim de consciencializar sobre as violações dos direitos humanos dos palestinianos por Israel, e de apresentar a BDS como uma estratégia eficaz para acabar com o regime de ocupação e apartheid de Israel. Com origem numa longa herança de resistência popular palestiniana, a BDS também é inspirada no movimento de boicote global que ajudou a pôr termo ao regime de apartheid da África do Sul e no movimento de direitos cívicos dos Estados Unidos.

O Concelho Palestiniano de Organizações de Direitos Humanos afirmou recentemente “o direito de todos os indivíduos a participar em acções de boicote, desinvestimento e sanções e a defendê-las”, exortando Estados e empresas acumprirem as suas responsabilidades legais”.

Mahmoud Nawajaa, coordenador geral do Comité Nacional de BDS palestiniano (BNC), a mais alargada coligação na sociedade civil palestiniana que dirige o movimento global de BDS, disse:

Ao ter fracassado em travar o crescimento da BDS, Israel está agora a lançar uma desesperada e perigosa guerra de repressão contra o movimento. Depois de perder muitas batalhas pelos corações e mentes a nível das bases, Israel e os seus grupos de lobby bem oleados estão a pressionar os Estados ocidentais para que implementem medidas anti-democráticas que ameaçam gravemente as liberdades cívicas”.

Ao proibir o nosso colega Omar Barghouti de viajar e ao ameaçá-lo de violência física, Israel está a mostrar até onde irá para poder parar o alargamento do movimento não-violento de BDS pela liberdade, justiça e igualdade na Palestina”.

O movimento internacional de BDS tem por objectivo pressionar Israel, como pressionou o apartheid sul-africano, a respeitar a lei internacional. Ele atraiu o apoio de importantes sindicatos, igrejas e partidos políticos em todo o mundo e obrigou grandes empresas, entre as quais Veolia e Orange, a pôr termo ao seu envolvimento nas violações dos direitos humanos por Israel.

Artistas eminentes como Lauryn Hill e Roger Waters recusaram actuar em Telavive; várias associações académicas nos Estados Unidos e milhares de académicos na Europa, África do Sul, América do Norte e América Latina subscreveram um boicote abrangente às universidades israelitas. Os autores de um recente relatório da ONU disseram que a quebra de 46% no investimento directo em Israel em 2014 foi parcialmente devida ao impacto da BDS.

A pedido de Israel, governos do Reino Unido, França, Canadá e governos estaduais nos EUA estão a introduzir legislação anti-BDS e a tomar outras medidas anti-democráticas para reprimir o activismo BDS. Em França, um activista foi detido simplesmente por vestir uma t-shirt BDS.

Israel também está a usar os seus serviços de segurança para espiar activistas BDS pelo mundo, como é repetidamente relatado na comunicação social e pela Associated Press. É provável que esta espionagem envolva vigilância das comunicações dos cidadãos em violação das leis nacionais.

O jornalista e advogado constitucional Glenn Greenwald, conhecido por ter quebrado a tradição de vigilância da NSA, descreveu estas séries bem orquestradas de medidas draconianas contra o movimento BDS como “a maior ameaça à liberdade de expressão no ocidente”.

Mahmoud Nawajaa acrescentou:

Os governos ocidentais que estão a reprimir o activismo BDS nos seus países estão a dar uma luz verde a Israel para que continue com as suas violações do direito internacional na impunidade. Exortamos os governos, parlamentos e organizações de direitos humanos a acompanharem o apelo da Amnistia Internacional e a sustentarem os direitos desse activismo como defensor de direitos humanos ameaçados”.



Texto original:

https://bdsmovement.net/2016/israel-imposes-effective-travel-ban-on-bds-movement-co-founder-14002


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