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SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA

Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org

SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA

Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org

Carta de Nelson Mandela sobre o apartheid israelita

Ao jornalista norte-americano Thomas Friedman

Caro Thomas,

Sei que você e eu estamos impacientes por ver a paz no Médio Oriente, mas antes de você continuar a falar das condições indispensáveis do ponto de vista israelita, quero que saiba o que penso. Por onde começar? Digamos, por  1964.

Permita-me que cite as minhas próprias palavras aquando do meu julgamento. Elas são tão acertadas agora como eram naquele tempo: "Combati a dominação branca e combati a dominação negra. Acarinhei o ideal de uma sociedade democrática e livre em que todos pudessem viver em conjunto, em harmonia e com iguais oportunidades. É um ideal que espero viver e que espero atingir. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer".

Hoje, o mundo, negro e branco, reconhece que o apartheid não tem futuro. Na África do Sul, ele acabou graças à nossa própria acção de massas decisiva, para construir a paz e a segurança. Esta campanha massiva de desobediência e doutras acções só podia conduzir ao estabelecimento da democracia.

Talvez a si lhe pareça estranho identificar a situação na Palestina ou, mais especificamente, a estrutura das relações políticas e culturais entre palestinianos e israelitas, como um sistema de apartheid. O seu recente artigo "Bush’s First Memo", no New York Times de 27 de Março de 2001, demonstra-o.

Você parece surpreendido por ouvir dizer que ainda há problemas por resolver de 1948, o mais importante dos quais é o do direito de regresso dos refugiados palestinianos. O conflito israelo-palestiniano não é só um problema de ocupação militar e Israel não é um país que tenha sido criado "normalmente" e se tenha lembrado de ocupar outro país em 1967. Os palestinianos não lutam por um "Estado" e sim pela liberdade e a igualdade, exactamente como nós lutámos pela liberdade na África do Sul.

No decurso dos últimos anos, e em especial desde que o Partido Trabalhista foi para o governo, Israel mostrou que não tinha sequer a intenção de devolver o que ocupou em 1967, que os colonatos vão permanecer, que Jersualém ficaria sob soberania exclusivamente israelita e que os palestinianos não teriam nenhum Estado independente, antes seriam colocados sob a dependência económica de Israel, com controlo israelita sobre as fronteiras, sobre a terra, sobre o ar, a água e o mar.

Israel não pensava num "Estado" e sim numa "separação". O valor da separação mede-se em termos da capacidade de Israel para manter judeu um Estado judeu e de não  ter uma minoria palestiniana que pudesse no futuro transformar-se em maioria. Se isso acontecesse, obrigaria Israel a tornar-se ou um Estado laico e bi-nacional ou a tornar-se um Estado de apartheid, não só de facto, mas também de direito.

Thomas, se você prestar atenção às sondagens israelitas ao longo dos últimos 30 a 40 anos, vai ver claramente um racismo grosseiro, com um terço da população a declarar-se abertamente racista. Este racismo é do tipo "Odeio os árabes" e "quero que os árabes morram". Se vo´cê também prestar atenção ao sistema judicial israelita, vai ver que há discriminação contra os palestinianos, e se considerar especialmente os territórios ocupados em 1967 vai ver que há dois sistemas judiciais em acção, que representam duas abordagens diferentes da vida humana: uma para a vida palestiniana, ou para a vida judia.

Além disso, há duas atitudes diferentes sobre a propriedade e sobre a terra. A propriedade palestiniana não é reconhecida como propriedade privada, porque pode ser confiscada.

Para a ocupação israelita da Cisjordânia e de Gaza, há um factor suplementar a tomar em conta. As chamadas "Zonas autónomas palestinianas" são bantustões. São entidades restritas no seio da estrutura de poder do sistema israelita de apartheid.

O Estado palestiniano não pode ser um sub-produto do Estado judeu, só para conservar a pureza judaica de Israel . A discriminação racial de Israel é a vida quotidiana dos palestinianos, porque Israel é um Estado judeu, os judeus israelitas têm direitos especiais de que os não-judeus não beneficiam. Os árabes palestinianos não têm lugar no Estado "judeu".

O apartheid é um crime contra a humanidade. Israel privou milhões de palestinianos da sua liberdade e da sua propriedade. Ele perpetura um sistema de discriminação racial e de desigualdade. Encarcerou e torturou sistematicamente milhares de palestininaos, em violação do direito internacional. Desencadeou uma guerra contra a população civil e em especial contra as crianças. As respostas da África do Sul em matéria de violação dos direitos humanos provenientes das políticas de deportação e das políticas de apartheid fizeram luz sobre o que a sociedade israelita deve necessariamente levar a cabo para que se possa falar duma paz justa e duradoura no Médio Oriente e do fim da política de apartheid.  Thomas, eu não abaondono a diplomacia do Médio Oriente, mas não serei condescendente consigo como o são os seus apoiantes. Se você quer a paz e a democracia, apoiá-lo-ei. Se quer formalizar o apartheid, não o apoiarei. Se quer apoiar a discriminação racial e a limpeza étnica, conte com a nossa oposição. Quando tiver decidido, dê-me um telefonema.

Nelson Mandela

Fonte: http://www.europalestine.com/spip.php?article2982

4 comentários

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    samizdat 24.07.2008 21:19

    é verdade que ha cerca um milhao de arabes israelitas com direito de voto, apesar das discrimnacoes que sofrem noutros dominios da sociedade israelita. Mas que direito de voto deu Israel aos milhoes de palestinianos nos territorios ocupados de Gaza, Cisjordania e Jerusalem Oriental durante 41 anos? Pelo contrario, quando votaram no Hamas, Israel pos-se imediatamente a boicotar qualquer hipotese de governo do Hamas. E é verdade que tem havido soldados israelitas a protestarem contra as tarefas da ocupacao. Mas a democracia israelita é tanta aue, como voce reconhece, os mete logo na cadeia. Quanto aos dois ou tres civis mortos em Sderot pelos morteiros artesanais Kassam, como compara-los com os milhares de civis palestinianos mortos pelos bombardeamentos israelitas?
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    Daniel 25.07.2008 01:25

    Desculpe a minha ignorancia samizdat,
    mas acho que no seu ultimo comentario voce acabou omitindo alguns fatos.

    1- Israel foi contra terem elegido o partido Hamas pois este NAO RECONHECE ISRAEL como um estado.
    Entao como discutir propostas para conseguirmos chegar algum dia a paz com alguem que nao te reconhece e nao quer dialogo.

    2- Poucos israelenses morrem?? Só nas ultimas semanas houveram dois ataques a civis em plena Jerusalem, matando e ferindo civis.
    E enquanto em Israel acontecem atentados em que os alvos sao claramente civis, Israel contra ataca tentando acertar alvos militares e pessoas ligadas aos ataques que se escondem ao lado de escolas, e predios com civis.

    3- Será que a OLP realmente quer criar um estado palestino para conviver pacificamente com judeus lado a lado??? Em 2000, o primeiro-ministro israelense Echud Barak, o líder da OLP Yasser Arafat e o presidente dos EUA, se reuniram em Camp David para uma nova proposta israelense de paz e criação de um Estado palestino. Israel se propôs a sair de 97% da Cisjordânia e 100% da Faixa de Gaza; aumentaria ainda a extensão de Gaza em 30%; converteria os bairros árabes de Jerusalém na capital do novo Estado Palestino, tendo, assim, controle, acesso e soberania religiosa sobre seus lugares sagrados; ajuda financeira de US$30 bilhões de um fundo internacional para garantir o direito de retorno aos refugiados palestinos; acesso a água dessalinizada de Israel; além de outras concessões menores. Apesar da proposta ter sido tão viável como ninguém poderia imaginar, esta foi rejeitada quando o líder da OLP abandonou Camp David e deu início aos conflitos que perduram até hoje.

    4- Sera que Israel realmente nao esta lutando pela possibilidade de criacao de um Estado Palestino?? Em agosto de 2005, em busca de paz e da possibilidade da criação de um Estado árabe que coexista com o israelense, Israel retira 8500 colonos e militares da Faixa de Gaza e de 4 assentamentos na região norte da Cisjordânia.

    Realmente a situacao é muito complicada, muitos fatos historicos sao importantes para a compreensao do que é o conflito. E desejo muito que as pessoas antes de tomarem qualquer partido, formarem opinioes, tentem buscar em mais de uma fonte, e nao so no jornal o globo, ou numa unica pagina da internet...
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    samizdat 25.07.2008 09:12

    Israel pode ser contra a eleicao do Hamas pelos motivos que muito bem entender. Eu proprio tambem nao gosto de fundamentalistas (islamicos, judeus ou cristaos). Mas, se quer ser tratado de democratico, Israel tem de respeitar o veredicto das urnas (das urnas palestinianas, ja que nas urnas israelitas nao sao ad,itidos votos dos palestinianos sob ocupacao israelita ha 41 anos). O Hamas nao reconhece o Estado de Israel, mas pode aprender a respeitar o povo judeu e os seus direitos se se acabar com o regime de apartheid. Ao chegar ao poder, o Hamas impos um cessar-fogo de facto que nenhum governo dq Fatah tinha conseguido impor. Israel continuou com os "assassinios selectivos" e, depois, com o bloqueio genocida ah Faixa de Gaza. Quanto ao numero de vitimas, sejamos serios, caro Daniel: entao os palestinianos mataram intencionalmente a meia duzia de vitimas israelitas (tambem elas de lamentar, obviamente) dos Kassams e o s israelitas mataram acidentalmente os milhares de palestinianos vitimas dos seus bombardeamentos? Quando os israelitas matam civis, sao sempre "danos colaterais"? Tenha do! Diz que Barak ofereceu ah OLP 97% da Cisjordania e Arafat nao quis? Imagine que voce em 1947 aluga um quarto da sua grande casa a uma familia; ao fim de um tempo ha uma guerra e essa familia apodera-se de 78% da sua casa (ficam-lhe a si e ah sua familia 22%); ao fim de mais um tempo, em 1967, nova guerra e voce fica a viver nos 22% restantes sob vigilancia dos vencedores (pqssou voce a pagar-lhes impostos ou neste caso uma renda. Mas, como o caso deu brado na vizinhanca e a ONU obrigou o seu-ex-inquilino a negociar consigo, ele senta-se e diz: "Estah bem, fique com os seus 22%. bom, nao sao bem os 22%, sao 97% de 22%, mas nao vamos zangar-nos por tao pouco, pois nao?" Acontece que os "% que ele quer reter sao mais de 3% e ainda por cima sao a parte vital das infraestruturas (cozinha, WC, toda a agua - Jerusalem). Foi isso que se passou.
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