A cumplicidade da RTP com o branqueamento do genocídio
COMUNICADO À IMPRENSA
Após meses de acesa polémica e de sucessivos adiamentos de uma votação sobre a participação de Israel na Eurovisão, a EBU - União Europeia de Radiodifusão, organizadora do festival - acaba de decidir que Israel participará como de costume na edição de 2026.
As televisões públicas de Irlanda, Espanha, Países Baixos e Eslovénia, coerentes com os seus anteriores apelos à exclusão de Israel, imediatamente confirmaram que vão boicotar o festival, devido à situação desastrosa em Gaza deixada por estes dois últimos anos de genocídio, ao contínuo massacre de palestinianos e à violação de elementares princípios éticos.
A televisão pública de Portugal, pelo contrário, dando continuidade ao silêncio cúmplice que vem mantendo ao longo destes meses, anunciou que participará no Festival da Eurovisão ao lado de Israel, alegando que as novas regras de votação no festival, votadas hoje no seio da EBU, "reforçam a confiança e a transparência e garantem a neutralidade do evento".
A RTP ignora a manipulação israleita do festival para branqueamento do genocídio, pressupondo uma neutralidade política da cultura que, no entanto, não impediu a Rússia de ser expulsa do festival imediatamente após a invasão da Ucrânia. O Comité de Solidariedade com a Palestina vem denunciar a cumplicidade descarada da televisão pública portuguesa para com os crimes de guerra de Israel.
Entretanto, outras emissoras, como as da Bélgica e Islândia, estão ainda a ponderar um eventual boicote à Eurovisão. Se quisesse, a RTP ainda estaria a tempo de fazer o mesmo e de distanciar-se do apoio incondicional que vem concedendo ao Estado genocida de Israel.
O Comité de Solidariedade com a Palestina
Lisboa, 5 de dezembro 2025