Jean Wyllys, vítima e cúmplice da opressão
O antigo deputado do PSOL Jean Wyllys, que se autoexilou depois de ter sido alvo de ameaças de morte dos fascistas brasileiros, é bem vindo em Portugal para nos dar a conhecer a situação no Brasil e para mobilizar uma ampla solidariedade contra o ambiente opressivo que se vive no grande país latino-americano – contra os negros, os índios, as mulheres, os homossexuais, os opositores políticos e, em geral, contra os trabalhadores.
Wyllys é bem vindo em todas as conferências que tem feito e digno de ser defendido diante da escumalha fascista que tentou boicotar a sua conferência em Coimbra. A sua voz deve ser ouvida e nós devemos fazer tudo para que seja ouvida.
Mas a nossa solidariedade com Wyllys-vítima não implica cegueira acrítica face ao Wyllys-cúmplice. O autoexilado devia prestar atenção aos milhões de exilados palestinianos, que permanecem expulsos das suas terras, muitos deles há mais de 70 anos, quando ainda eram crianças.
E, contudo, a visita que fez ao Estado de Israel teve um significado político diametralmente oposto à sua visita a Portugal: aqui veio como vítima, queixar-se da opressão. Lá foi apoiar a opressão, com a estafada ladainha de que a campanha BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) é “antisemita” e comparável ao boicote ianque contra Cuba.
Quando Wyllys se torna, subitamente, vítima do governo que quer mudar a Embaixada brasileira para Jerusalém, pode contar com a nossa solidariedade. Infelizmente ainda está por esclarecer se esse cúmplice da opressão vai aprender alguma coisa, pensar um pouco além da sua própria opressão e lembrar-se que há milhões de pessoas a sofrerem uma opressão muito pior.