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SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA

Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org

SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA

Informação sobre a ocupação israelita, a resistência palestiniana e a solidariedade internacional *** email: comitepalestina@bdsportugal.org

Mariza: não cante para o apartheid israelita - carta aberta

Cara Mariza,

 

Ficamos desapontados em ouvir que tem um concerto agendado em Tel Aviv a 8 de Fevereiro de 2022. Escrevemos-lhe para pedir que cancele a sua atuação, respeitando assim o apelo da sociedade civil palestiniana, incluindo artistas, para um boicote a Israel até que o povo palestiniano seja livre.

 

Em Abril passado, a maior organização de direitos humanos do mundo, a Human Rights Watch, publicou um relatório com uma análise meticulosa em que denuncia Israel como um Estado apartheid que persegue o povo palestiniano. Meses antes, a organização de direitos humanos israelita, B'Tselem, chegou à mesma conclusão.

 

A solidariedade internacional teve um papel crucial para o fim do regime apartheid na África do Sul. Os artistas estiveram na vanguarda da resposta ao apelo do ANC para um boicote cultural à Àfrica do Sul, recusando-se a branquear com a sua arte os crimes do regime de apartheid e contribuindo para acabar com a impunidade e normalização desses crimes.

 

O povo palestiniano, inspirado na luta contra o apartheid na Àfrica do Sul, apelou em 2005 às “pessoas de consciência” peloo mundo fora para que boicotem Israel contrariando a cumplicidade e inação dos nossos governos que sempre protegeram Israel do escrutínio. Milhares de artistas internacionais responderam ao apelo palestiniano, recusando-se a atuar em Israel. Em 2015, o músico Caetano Veloso, com que já colaborou, escreveu um artigo na Folha de São Paulo, onde disse que nunca mais voltaria a Israel, tendo visto a opressão do povo palestiniano às mãos de Israel, ao mesmo tempo realçando o papel da arte na luta contra as opressões e injustiças.

 

Para além de Veloso, são milhares os artistas que se têm recusado a cruzar o piquete não-violento palestiniano, apoiando - ou no mínimo não prejudicando - a sua luta pela liberdade, justiça e igualdade. Entre eles os cantores Elvis Costello, Lana del Rey, Roger Waters dos Pink Floyd, Lorde, Brian Eno e John Legend, os cineastas Jean-Luc Godard, Ken Loach, John Greyson e Mike Leigh, os atores Mark Ruffalo, Alia Shawkat e Viggo Mortensen Jr, as escritoras Alice Walker e Sally Rooney e portugueses como Tiago Rodrigues, o falecido José Mário Branco e Maria do Céu Guerra.

 

Estimada Mariza,

 

Um pouco mais de um mês depois do seu último concerto em Israel em Maio de 2014, Israel lançou um ataque implacável contra os 2 milhões de palestinianos que vivem na maior prisão em céu aberto do mundo, a faixa de Gaza, matando 2251 palestinianos, incluindo 551 crianças, e aniquilando famílias inteiras enquanto elas dormiam nas suas casas. Na sua investigação, a ONU disse que os ataques a civis “podem ter constituído tácticas militares refletindo uma política mais ampla, aprovada pelo menos tacitamente pelos decisores ao mais alto nível do governo de Israel.”

 

Em Maio desde ano, Israel voltou a massacrar 256 palestinianos em Gaza, ao mesmo tempo que continua a acelerar a limpeza étnica na Cisjordânia ocupada, o roubo de terras palestinianas para construção de colonatos ilegais, a sistemática demolição de casas de famílias palestinianas, e a expulsão de palestinianos de bairros inteiros em Jerusalém, como o que se está a passar em Sheikh Jarrah. Mesmo em Tel Aviv, onde terá lugar o seu concerto, Israel tem intensificado a criminalização dos palestinianos, cidadãos de segunda classe, como denunciou a Amnistia Internacional.

 

Neste contexto, o seu espectáculo irá contribuir para legitimar a ocupação e o apartheid israelitas. A campanha palestina de boicote cultural a Israel não tem por alvo a «expressão cultural» em si, apenas visa expor o uso da cultura como manobra de diversão usada por Israel para desviar as atenções das persistentes violações dos direitos humanos e do direito internacional e responsabilizar todos aqueles que, ignorando estas graves violações, acabam por se tornar cúmplices do seu encobrimento.

 

Dirigimo-nos agora a si, pedindo-lhe que não associe a sua arte e o seu nome à colonização, opressão e limpeza étnica do povo palestiniano e que junte a sua voz à destes artistas que escolheram a ética e a solidariedade.

 

Atentamente,

O Comité de Solidariedade com a Palestina

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